A cidade de Mor estava assustada pelo que aconteceu com o vereador Ageu, o novo prefeito, Leônidas, decretou luto oficial de três dias. Os moradores evitavam ao máximo saírem de suas casas a noite, alguns até mudaram de cidade. Enquanto isso, tentávamos assimilar o novo acontecimento, as minhas suspeitas e as suas, indicavam de que o assassino poderia ser um dos meus policiais, isso ficava cada vez mais evidente. Embora nenhum dos policiais tivesse demonstrado atitudes que levantasse essas suspeitas.
A rotina da cidade foi mudada de forma drástica, tudo no intuito de ajudar a capturar o misterioso assassino que se auto intitulava pelo nome de Hércules, as lojas fechavam mais cedo do que o costumeiro, os bares não ficavam abertos durante a madrugada, e depois das dez horas tinha toque de recolher pelos próprio moradores - veja só - se alguém fosse pego na rua seria denunciado à polícia e levado para à delegacia e liberado somente no dia seguinte, as rondas policiais ficaram mais intensas, um número maior de viaturas circulava pela cidade, eu tentava na medida do possível fechar o cerco do misterioso assassino, os senhores estavam bem dispostos a capturá-lo. Na sala de investigações você recebia as primeiras informações da causa da morte de algumas das vítimas. "Chegaram os resultados da morte do Dr. Busiris". Disse Roberto. "E ao que parece ele morreu envenenado, na maçã havia um tipo de toxina muito raro, uma mistura de vários venenos de diferentes espécies de serpentes, e com outras substâncias desconhecidas que provavelmente foram feitas artesanalmente, talvez algum coquetel outras toxinas combinadas, estamos analisando o veneno na ponta da flecha para ver se confere com os da maçã".
"Isso nos leva a crer que o assassino tem um conhecimento refinado de química e biologia, nós não estamos lidando com qualquer". Respondeu Abderis. "Outro fato importante que descobrimos, é que encontramos na ponta do chifre do crânio do touro, o provável mesmo tipo de veneno, que, por sua vez foi o verdadeiro responsável pela morte do vice-prefeito". "Se as nossas suspeitas estiverem corretas com relação ao método utilizado pelo assassino, a sua futura vítima terá que ter do signo de Leão, correto detetive Roberto". "Correto delegado, mas, imagino que os que tenham o signo de Leão sejam muitos, isso daria ao assassino a possibilidade de escolher suas vítimas, com mais calma e baseada em algum outro princípio". "Corruptos, ladrões, propinas, mensalão, essas são as característica das vítimas até aqui". "É bem isso delegado, eles tinham muitas acusações por vários crimes, eram para estarem presos não é mesmo delegado, mas como todo o político nesse país, roubam e ficam impunes". "Meu caro colega, neste país de corruptos se compra tudo, inclusive juízes, de certa forma o povo está certo quando dizem que este assassino possa ser um tipo de justiceiro. Muitos nesta cidade estão cansados de tanta injustiça e canalhice desses políticos corruptos, que roubam o dinheiro público. O que eu posso fazer? Digam-me, se o sistema em suas altas instâncias é igualmente corrupto". "Meu Deus… A coisa é bem mais complexa do que pensamos, se a esfera política desta cidade está toda contaminada, ele tentara matar a todos, ou quase todos". "Pessoal… Venham aqui, vejam o que eu descobri aqui nestas fotos, as do segundo assassinato, no labirinto". "O que tem o labirinto?" Perguntei curioso. "Se observarem bem a foto, o caminho que os senhores fizeram até o corpo tinha exatos doze circuitos até chegar ao centro, onde o corpo estava isso reforça a minha hipótese de que esse cara está se baseando nos doze trabalhos de Hércules para matar as vítimas, bem como nos doze signos do zodíaco, só tenho que descobrir a sequência certa dos trabalhos para tentar antecipar seus passos". "Canalha… Que tipo de maluco teria todo esse trabalho, qual o intuito disso tudo"? "De uma forma mais sutil, eu diria que ele usa a essência dos símbolos, a partir daí ele executa os seus crimes, cada trabalho tem um significado específico ligado aos signos, por esse motivo ele escolhe pessoas com os signos correspondentes aos trabalhos, acredito que este cara está muito próximo de nós, quem sabe disfarçado, não sei, acho que pode ser qualquer um nessa cidade, basta que ele se utilize, como eu disse, dos símbolos dos trabalhos. Outra coisa, ele quer público, quer que todas saibam o que ele está fazendo". "É… Tudo bem, eu concordo… Mas qual ordem seguir? Qual é o próximo trabalho"? -Perguntou Paulo, um dos seus investigadores. "Tenho um palpite, se me permitirem é claro". "Pode dizer Roberto, por favor". "Eu tenho três ordens aqui para os trabalhos, mas eu acredito que ele está seguindo a terceira das que eu separei, e na terceira a próxima vítima terá que ser do signo de leão, nesse trabalho que é o quinto trabalho de Hércules ele mata o leão de nemeia, usando a força de suas próprias mãos". "Delegado, na sua lista tem alguém que se encaixa, que seja do signo de leão, algum político envolvido com corrupção ou tráfico, qualquer coisa assim"? - Você perguntou. "Tem sim, uma pessoa muito conhecida aqui, que por sinal também está de certa forma envolvida com corrupção e tráfico de animais, tentei pegá-lo, mas o antigo prefeito o protegia, eu fiquei de mãos amarradas, tenho minha família eu não quis arriscar, vocês entendem né". "Tudo bem delegado, nós entendemos, você foi muito corajoso investigando todos esses caras, numa cidade tão pequena e com poucos policiais". "Então… Essa pessoa, que por sinal é o novo prefeito, era o presidente da câmara de vereadores e agora, atual prefeito, seu nome é Leônidas, ele tem uma loja de armas de caça quase na saída da cidade, será que ele é a próxima vítima"?
"Não sei, mas acho melhor irmos até a prefeitura e conversar com ele numa boa, vamos ver como ele está, e, mesmo sabendo que ele é um corrupto temos que protegê-lo, quero vê-lo preso e não morto". "Tudo bem Abderis, vamos lá". "Pessoal, esperem um minuto" - disse Paulo - "olha só o que eu acabei de descobrir, o arco de caça que matou a quarta vítima tem um selo com o preço, e é justamente da loja do novo prefeito, o desgraçado esqueceu-se de tirar a etiqueta". "Vamos então, uma equipe vai para a prefeitura, enquanto eu e Abderis vamos para a loja do prefeito ver se descobrimos quem comprou o arco nesses últimos dias".
Quase todos saímos, ficou somente um detetive na sala de investigações, o Paulo. A prefeitura ficava na mesma direção da loja, em poucos minutos a primeira equipe, a que estava sob a liderança de Roberto chegou à prefeitura. A loja ficava mais à frente, poucos metros dali, eu havia estacionado em frente a loja, que por sinal estava fechada, não havia ninguém dentro dela. Naquele momento o telefone do detetive que estava comigo tocou, era o Roberto. "Alô, Roberto; o que foi, achou algo, como… Repete… Não pode ser… não é possível, mais que merda, desgraçado, já estou indo, espere aí não faça nada".
"O que foi"? -Perguntei, já imaginando o que seria.
"O prefeito, eles o encontraram morto dentro do seu gabinete, com sinais de estrangulamento".
Como a prefeitura era perto não demorou nada e já estávamos lá, entramos no gabinete e vimos a terrível cena, o prefeito ainda com olhos abertos e sinais de dedos no seu pescoço, como visível sinal de estrangulamento, algumas coisas da sua mesa estavam caídas no chão, sinal que houve uma resistência da parte do prefeito, os funcionários da prefeitura nada perceberam ninguém havia marcado nada com o prefeito, sem dizer que toda a prefeitura estava cercada por policiais, isso deixou a todos ainda mais intrigados e desconfiados, o assassino mais uma vez agiu bem debaixo dos olhos de todos sem ser visto. Na testa do prefeito a mesma marca, Hércules, e o número cinco.