quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

NOVELA 6° CAPÍTULO.

A morte do prefeito Leônidas trouxe grande comoção aos moradores de Mor, era o nosso quinto caso seguido, o assassinato do novo prefeito extrapolou todos os limites colocando os moradores em total desespero. O corpo de Leônidas estava diante de mim, os olhos arregalados e a marca de dedos no pescoço, com a mesma inscrição enigmática na testa, Hércules, e o número cinco em algarismos romanos. Naquele momento estavam presentes mais dois investigadores, e dois secretários da prefeitura, todo o quarteirão foi cercado e isolado, a prefeitura também foi cercada, os policiais fizeram uma busca em cada cômodo em cada canto do prédio e nada foi encontrado - veja você - nenhum sinal de arrombamento, tudo estava no seu devido lugar.
    As marcas dos dedos no pescoço da vítima eram bem visíveis, fotos foram tiradas e todo o ambiente vasculhado, e mais uma vez nada foi encontrado, não havia sinais de digitais desconhecidas no gabinete, eu estava nervoso, acendi outro cigarro enquanto observava a terrível cena, pedi para um dos rapazes que estava acompanhando as investigações que pegasse os depoimentos de todos os funcionários, para ver se alguém tinha notado qualquer coisa estranha ou alguém desconhecido. Como nós dois tínhamos em mente um suspeito, tivemos uma ideia para tentar sanar a dúvida é capturar o assassino.
"Por favor, policial - eu disse a um dos policiais que ali estavam - emitam um chamado, quero que todos os policiais estejam aqui em meia hora, nos reuniremos na sala de reuniões da prefeitura. Isso é urgentíssimo". "Tudo bem delegado". Respondeu-me o policial.


    Meia hora depois estavam todos os policiais reunidos na sala, cerca de cem policiais ou mais, a prefeitura ficou congestionada com o número enorme de viaturas e motos, em poucas horas uma multidão de pessoas se aglomeraram na frente da prefeitura, todos curiosos por saberem o que tinha acontecido. Eu e você entramos primeiro na sala, havia um silêncio absoluto, meus olhos atentos percorreu toda a sala, os meus anos à frente da delegacia me fez conhecer cada policial que estava sob meu comando, e até os das cidades vizinhas eu os conhecia, logo percebi que faltava um, não disse nada, apenas pisquei discretamente para você, que entendeu o recado. "Senhores… Obrigado pela rapidez, chamei-os aqui para ressaltar a necessidade de um maior esforço da nossa parte para capturar o assassino, sem uma ajuda mútua dos senhores jamais conseguiremos, de hoje em diante apenas lhes peço que reforcem as rondas, que trabalhem em número de três em cada viatura, e também quero um relatório na minha mesa no final de cada turno, obrigado mais uma vez, os senhores estão dispensados, podem voltar aos seus postos, e boa sorte". "Muito bom delegado - Você disse - dessa vez ele não nos escapa".
    O corpo do prefeito foi levado para o necrotério, enquanto eu e você retornamos para a sala central. Apenas alguns dos investigadores estavam na sala conosco, e havia novidades importantes que ajudaria no caso. "Alguma coisa"? Você perguntou.  "Sim… Temos - Respondeu-nós Roberto - Os cortes feitos na testa das vítimas com o nome de Hércules e a numeração, pela precisão e profundidade, indicam serem feitos por alguma ferramenta extremamente afiada, o mais provável é que seja um bisturi cirúrgico, ou uma gilete. "Muito bem, obrigado Roberto, eu tenho um palpite e também um plano, vou precisar da ajuda dos senhores, dessa vez ele não nos escapa". "Roberto… Você já descobriu qual a ordem certa dos trabalhos de Hércules que o assassino está usando". Perguntei. "Descobri sim Apolo, e veja só, o sexto trabalho é a tomada do cinturão de Hipólita, neste trabalho o destemido herói toma da Rainha das amazonas e o seu cinturão, mas ele acaba matando-a, e também o sexto signo é o de virgem. Outra coisa, esses dias percebi que um dos seus policiais estava com a parte inferior da farda com um pequeno rasgo, sem que ele percebesse eu o fotografei, depois comparei a foto que tirei com o pedaço que encontramos no estábulo, e não é que bateu, portanto eu já sei que esse indivíduo é a suspeita mais provável dos senhores, estou certo".
"Brilhante Roberto, simplesmente brilhante, você está corretíssimo, agora é só arquitetar o plano que se dará da seguinte maneira"... 
Você começou a explicar o seu plano. Era costume na cidade de Mor ter um concurso de beleza todos os anos, todas as moças da cidade e das cidades circunvizinhas participaram, e o concurso seria nas próximas semanas, embora o clima da cidade fosse de medo, as autoridades políticas - às minhas ordens - resolveram que não iam impedir o concurso de acontecer, as rondas policiais seriam reforçadas, o povo tentava assimilar tudo o que estava acontecendo, os anúncios do concurso foi espalhada, mesmo temerosa, a população de Mor ainda buscava ânimo para participar da tradicional festa. 

                                 *****

    Na praça principal da cidade foi montado um grande palco - era o dia do concurso - estava cheio de luzes e enfeites, arquibancadas foram montadas, pessoas importantes foram convidadas, tudo estava pronto, policiais estavam posicionados em diversos locais estratégicos, deixei alguns fora do esquema propositalmente, principalmente o policial da qual desconfiávamos.
    O evento começou às cinco da tarde, muitos camarins foram montado, um em especial seria a da ganhadora do concurso, eu e você estávamos disfarçados no meio da multidão, um dos detetives estava próximo aos camarins, o concurso começou. Tudo corria na sua normalidade, quase ao final do concurso recebi um telefonema de meu informante dizendo que o suspeito tinha acabado de sair da delegacia, dizendo que teria que atender um chamado policial, a delegacia era próxima do evento, em menos de dez minutos o suspeito estaria ali, era necessário agir com rapidez.
    Enquanto isso, a garota que era a favorita é provável a ganhar do prêmio, estava no camarim se preparando para desfilar pela última vez, tudo indicava que ela seria a campeã das outras três selecionadas, do lado de fora, nos preparamos.
"Abderis é agora". Eu disse usando um pequeno rádio portátil. Em poucos minutos depois de se desvencilhar da multidão,  chegamos ao camarim principal onde a garota estava, chamamos pela moça por várias vezes, mas ela não respondia, você estranhou o silêncio no camarim, então usou da força para arrombar a porta, qual não foi a nossa surpresa, bem diante dos nossos olhos, com uma faca nas mãos toda ensanguentada, estava o policial suspeito, mas era tarde demais, a moça que era a cotada a ganhar o concurso já estava morta. Ela tinha apenas dezesseis anos, era filha de um dos vereadores da cidade, seu nome era   ngela. "Mãos para o alto seu desgraçado, maldito". Você gritou pronto a disparar. "Tarde demais senhores, tarde demais… Tudo está feito". Disse o assassino sorrindo sarcasticamente enquanto jogava a arma do crime no chão. "Cale a boca e coloque as mãos onde eu possa ver". Você prosseguiu.     Naquele momento outros policiais chegaram, entraram no camarim, assustados eles não acreditavam no que os seus olhos viam, o plano não tinha funcionado como eles esperavam, o que nós não imaginávamos é que o assassino fosse rápido demais. O assassino era mesmo um dos meus polícias, era o mais velho deles, ele foi algemado e levado para a viatura, à multidão estava assustada com a morte da filha do vereador, mesmo assim, aplaudiram a polícia por ter finalmente capturado o assassino. "Fim da linha para você Ariel, que decepção, logo você, meu melhor policial, foi difícil, mas conseguimos parar essa sua loucura". Eu disse o encarando com fúria. "Não se preocupe delegado… Estou apenas começando, não se esqueça de que são doze os memoráveis trabalhos, não se esqueça… São doze os gloriosos signos, não se esqueça… Aquilo que não terminei meus discípulos… Terminará, isso eu lhe garanto" - Disse o policial assassino no momento em que foi colocado na viatura da polícia.
    Assim fomos todos para a delegacia, regozijantes por termos capturado o assassino. A cidade agora poderia desfrutar da sua paz e tranquilidade cotidiana, embora as mortes das vítimas, tudo ficaria bem.
Mas… Havia algo que não se encaixava, o assassino praticamente se deixou prender, aquilo incomodou…

    



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

CONTO.



( CONTO EM POESIA.  A HISTÓRIA DA CRIAÇÃO E DA QUEDA DO HOMEM. )


PASSOS NO PARAÍSO.

1.

No princípio fez céus e terra,
A terra figurava sem forma, inóspita,
O Espírito divino pairava sobre as águas,
Falou o verbo - E houve a luz,
Separou-as das trevas,
Falou o verbo - E houve firmamento,
Chamou-os de céus,
Falou o verbo - E juntou-se às águas,
Surge a terra, surge os oceanos,
Viu Deus que tudo era bom.

Falou o verbo - E resplandece a natureza,
Floresce toda beleza, perfumes, cores,
Falou o verbo - E brilhou as estrelas,
Constelações bailarinas no céu negro,
Ao dia designou o sol,
Para a noite fez a lua,
Era o começo da criação,
Da mente divina tudo bem feito,
De tudo fez distinção,
Viu Deus que tudo era bom.

Criou a diversidade marinha,
Aves grandiosas e pequenas,
Falou o verbo - E houve grande fauna,
Encheu-se a terra de toda sorte de animais,
Falou o verbo - E brilhou a jóia da criação,
O fez a sua imagem e semelhança,
Deu a ele todo o domínio,
Um mundo inteiro para governar,
Alegrou-se Deus em seu coração,
Viu que tudo era muito bom.

2.

Assim terminado céu e terra,
Ao dia sétimo descansou,
Abençoou-o dando-lhe por sagrado,
Essa é a história da criação,
Céu e terra formados,
Não havia na terra chuvas,
Nem homens para à cultivar,
Solo virgem, imaculado,
Entretanto,
Do manancial terrestre tudo regava,
Terra e água misturados, o barro,
Da argila moldou o homem,
Insuflou-lhe hálito vivente.

No Éden foi colocado,
Do jardim o homem iria cuidar,
Plantou Deus frutíferas árvores,
Também a do bem e do mal,
O rio de quatro braços regava-o,
Pison, Havilá, onde ouro há,
Reluzente metal,
Perfumes e pedras sem igual,
Pison, terceiro braço envolto a cuch,
Tigre, Eufrates, a leste da Assíria,
Presenteado foi o homem estando lá,
Foi lhe dada certa ordem, 
"De 'quase' tudo comerás".

"Porém" - disse o criador,
"Da árvore do conhecimento não tomarás",
Disse-lhe também,
"Não é bom que estejas só",
"Far-lhe-ei a sua outra metade",
Criou aves, animais e toda espécie,
Ao homem levou-os para nomear,
De bom grado Adão os classificou,
Entre os tais igual não achou,
Deu-lhe Deus profundo sono,
Tirou-lhe a costela do meio,
E dela fez bela mulher,
Alegre disse Adão,
"Ossos dos meus ossos",
"É carne da minha carne",
E a mulher chamou-a de Eva,
É mistério da criação,
De um fez dois,
Dois que trona-se-a em um,
Nu estavam,
De nada se envergonhavam.


3.

Astuta serpente ao desagrado humano,
Dialogando ao gênero feminino,
Questionando-a das árvores comestíveis no jardim
A feminilidade inocente respondendo,
Quase tudo lhe era lícito, entretanto, uma não,
A morte seria certeza se de tal árvore tomar,
A astuta serpente destilou o seu veneno,
Enganou-a distorcendo o entender divino,
" Certamente não morrerás", disse mais:
" Como Deus altíssimo serás", continuou.

A mulher tomou a apetitosa fruta,
Que a mentirosa serpente ofereceu,
De tão saborosa que era ao lábios,
Ao seu apaixonado marido ofereceu,
Degustou o prazer que tem no pecado,
Percebeu na mesma hora a nudez que lhe vestia,
Vendo o seu erro, envergonhado ficou,
Soprava a brisa no final daquela tarde,
Ouviram passos no paraíso,
Era o altíssimo que se aproximava.

Disse o Deus com voz potente,
Ele, que todas as coisas conhece,
Repreendeu a astuta serpente,
Pela eternidade arrastava-se pelo ventre,
Proferiu antiquíssima sentença,
Entre a mulher e a sua descendência,
Sua voz dirigiu-se à mulher,
Multiplicou-lhe as dores da gravidez, era sentença,
E disse ainda mais, 
Que dominada seria pelo homem.

Continuou Deus com voz de trovão,
Pois dele não se esconde nem se escapa,
Repreendeu fortemente a Adão,
Pois que a mulher foi dar ouvidos,
Desprezando preciso conselho divino,
Selou o homem o seu terrível destino,
Comeria sempre do muito suor do seu rosto,
A mulher, chamou-a de Eva, mãe de todos viventes,
E assim expulsou-os do Éden o altíssimo,
E guardou-o a espadas de querubins.




MOSAICO DE SENTIMENTOS NUS.

           As janelas do castelo estavam abertas, escancaradas ao público de modo que era possível ver dentro do reino.      Nos recônditos ...