segunda-feira, 21 de setembro de 2020

O SONHO.

 


O homem acorda…

Ele não dormiu bem, teve sonhos eróticos com uma das colegas de trabalho, as fortes dores nas costas o fez levantar cedo. 

- Vai levantar agora? Pergunta a esposa.

- Sim Irene, não dormi bem a noite.

- Você gemeu a noite toda, teve algum pesadelo? Perguntou ela curiosa.

- Acho que sim, não consigo me lembrar Irene, o que sei dizer é que foi um sonho horrível, embora eu não me lembre de nada, sei que foi perturbador.

O homem mentiu, na verdade ele lembrava-se de cada sórdido detalhe do sonho, ficou aliviado pela esposa não ter desconfiado de nada. O homem dá um beijo na face da esposa, levanta-se, vai ao banheiro, fica alguns minutos parado diante do espelho, fitando seu reflexo, a barba por fazer, já esbranquiçada, a falha nos dentes, o homem tem horror de si mesmo. Escova os dentes lentamente, nos pensamentos, lembranças do sonho, os beijos quentes de Fernandinha, ele ainda está excitado, sexo duro como ferro… o homem se alivia como pode, faz semanas desde que teve relações com a esposa, e quando teve, ou, nas vezes em que tem, é aquela coisa sem graça, a mesma posição sem nenhuma novidade interessante.

O homem está cansado da vida que leva, se sente uma fraude, na igreja e entre os familiares, nutre a imagem de respeito, homem correto, mas, no trabalho, principalmente entre as colegas, sua imagem é totalmente ao inverso, de homem safado, esperando apenas uma brecha entre as colegas para realizar das suas, tanto no trabalho como na igreja ele costuma observar o corpo das mulheres, seios, bundas, imagina mil safadezas. Ele sai do banheiro, vai a cozinha, silêncio, manhã bonita, quente. O homem faz o café, arruma a mesa, no armário, alguns pães, ele deixa tudo arrumado, esperando apenas a esposa acordar, que, não será assim tão cedo. Ele se perde na quietude de seus pensamentos nefastos… 

No sonho, o homem está no trabalho, Fernanda o provocando o tempo todo, ele, alimentando a provocação e deixando-se provocar, nem parece o mesmo cara da igreja de terno e gravata. Fernanda diz estar excitada, toda molhada, cheia de vontade, quer ser chupada, ser penetrada com força. Os dois trabalham em um açougue de uma grande rede de supermercado, mas não ficam no balçao de atendimento, trabalham juntos, nos processados e embandeijamentos, muitas pessoas trabalham com eles. O homem tem que ser esperto, agir com cautela para não ficar tão evidente quais são as suas intenções com Fernanda, ou com qualquer outra mulher, aliás. De repente, os dois estão sozinhos dentro da câmera fria, coisa de sonho, ela o beija, ele, desce as mãos por dentro de sua calça, por dentro da calcinha, sente sua boceta molhada, ela faz o mesmo, sentindo pulsar nas mãos o sexo duro do colega, o chupa ali mesmo…

- Oi amor, acordei mais cedo. Responde a esposa interrompendo os seus pensamentos, ele se assusta.

- Que foi homem, parece tão distante, no que está pensando?

- Em nada amor, em nada, estou muito cansado, semana horrível que tive, só isso.

- Imagino amor, mas descansa, tome o seu café, deite-se novamente.

- Acho que é isso mesmo que vou fazer.

O homem queria continuar com as lembranças do sonho vívidas na memória, não queria esquecer nenhum detalhe. Assim, no dia seguinte, poderia contar tudo para Fernanda, e quem sabe tornar toda aquela loucura realidade. Pelo menos parte dela, beijar-lhe quem sabe, acariciar sua boceta lisinha, escondidamente, sentir seus dedos molhados, correndo o risco de serem apanhados, chupar seus enormes seios, tudo o excitava sobremaneira, ao ponto de quase enlouquece-lo.

O homem acorda…

Era tudo um sonho, um sonho dentro de outro sonho, desses que parecem reais, os seus pensamentos ficaram ainda mais confusos. A esposa dormia profundamente ao seu lado, os seus pensamentos estavam turvos, lembrando de Fernanda, em seus beijos, seu sexo quente. Desejos, fantasias, dessa vez o homem teve certeza de que estava mesmo para enlouquecer.


 


MOSAICO DE SENTIMENTOS NUS.

           As janelas do castelo estavam abertas, escancaradas ao público de modo que era possível ver dentro do reino.      Nos recônditos ...