quarta-feira, 4 de setembro de 2019

CONTO 11.

BATOM VERMELHO.
( luxúria )




 Luiza acordou cedo, embora o sono ainda pesasse nas pálpebras, não cedeu aos encantos de mais um cochilo, levantou de um salto e tratou de arrumar a cama no mesmo instante. Era mais uma segunda-feira odiosa, o trabalho de casa acumulado, balde de roupa transbordando. O esposo saiu cedo para o trabalho, a empresa em que trabalhava ficava na cidade vizinha,  obrigando-o a levantar de madrugada para não perder o fretado. 
 O casamento passava por momentos complicados, as brigas com Arnaldo ficava mais frequentes a cada dia, desentendimentos, indiferença da parte dele. Luiza afundava em uma tristeza que a consumia dia a dia, pensava na separação.
 Na pia da cozinha ficou a louça suja do jantar de domingo, Luiza pediu para Arnaldo lavar enquanto ela terminava de passar as roupas de trabalho, ele fez que não a escutou, continuou assistindo o jogo na televisão, passou o dia de Folga assistindo. 
 Era sempre assim, todas as vezes em que Luíza lhe pedia algo, Arnaldo não fazia questão de ajudá-la, e nas raras vezes em que se propunha, fazia apressadamente, de mau gosto. As brigas já se arrastavam por um bom tempo. Mesmo com as ameaças de Luíza, Arnaldo era indiferente, repetidas vezes ela dizia: “Já que você não me dá valor Arnaldo, outro dará, abre o olho, qualquer dia desses eu te troco por outro”. Arnaldo tentava justificar seus erros, atitude que deixava Luiza ainda mais furiosa.
 Era pouco mais de dez horas da manhã quando ela terminou de lavar a roupa. A louça estava seca no escorredor, guardou-a, tomou o café apressadamente, foi para o quarto, trocou-se colocando a sua melhor roupa, perfumou-se, passou o batom, vermelho forte que comprou escondido do marido, a última vez que ela usou batom era na adolescência. Luiza estava decidida passar à tarde inteira fora, ir ao shopping, pegar um cinema, comer em algum restaurante diferente. Há muito desejava fazer algo assim com o esposo, mas quando o chamava era sempre as mesmas desculpas, cansaço, indisposição. Agora quem estava cansada era ela, deixou isso bem claro no bilhete na mesa da cozinha.
 O ponto de ônibus estava lotado, estudantes, trabalhadores, idosos. Alguns conversavam, outros estavam de olhos grudados no celular, Luíza apenas observava, presa em seus muitos pensamentos, conflitos internos, desejos, raiva, vontade de fugir para bem longe. Pensava nas consequências, no que havia dito para o esposo, de trocá-lo por outro, eram tantos os seus pensamentos que a cabeça doía. O ônibus finalmente havia chegado, Laranjeiras 42, estava vazio, ela teria que ir ao terminal rodoviário Santo Antônio e embarcar em outro ônibus, bairro campolim, que parava em frente ao Iguatemi Esplanada. Com sorte, se o trânsito não estivesse ruim, daria tempo de almoçar antes da sessão de cinema das duas da tarde. Luiza sentou-se no último banco do ônibus, o olhar perdido no horizonte, casas, comércios, a cidade passava diante de seus olhos, o coração afundado em angústia.

 Quarenta minutos depois Luiza desceu em frente ao Shopping, no estacionamento figuravam poucos carros, movimento típico de uma segunda-feira. A passos lentos ela seguiu rumo a entrada principal, passou ao lado da loja das casas Bahia, parou por uns instantes, não quis entrar, seguiu a esquerda ao lado de uma joalheria, foi reto, lojas de roupas e calçados de ambos os lados, ao final do corredor estava a praça de alimentação, escolheu comer no Lacoste, sempre desejou comer naquele restaurante, comida Italiana, Arnaldo nunca a levou em um restaurante, tinha sempre uma desculpa pronta. 
 Luíza, decidida, comeria ali mesmo antes da próxima sessão de cinema, que começaria às duas da tarde. No restaurante, sentou-se em uma mesa mais afastada, os conflitos em sua cabeça ainda continuavam. A garçonete veio atendê-la, cardápio nas mãos.
 - Boa tarde senhorita, quer dar uma olhada em nosso cardápio? Temos ótimas opções para hoje.
 - Boa tarde, quero sim. 
 - Fique a vontade para escolher o seu prato, depois é só me chamar, não tenha pressa.
 - Obrigada.
 Luíza estava indecisa no que iria comer, eram tantas as opções, enquanto escolhia, lembranças vieram à mente, a escola, os amigos, antigos namorados. Do lugar que estava era possível ver o lado de fora, movimento intenso, hora do almoço. Um moço com um buquê de rosas chamou-lhe a atenção, a fez lembrar da única vez em que ganhou rosas como aquelas. Foi no ginásio, quando nem conhecia Arnaldo ainda, um amigo dele que havia lhe presenteado com um buquê de rosas vermelhas, o nome do rapaz era Carlos. Na ocasião foram ao cinema juntos, ele era apaixonado por ela, tentou beijá-la, mas Luiza queria apenas a amizade. 
 Escolhido o prato, chamou a garçonete e fez o seu pedido. Luiza já estava acostumada a comer sozinha. Enquanto esperava, perdida em tantos pensamentos, alguém se aproximou, ela nem percebeu, uma voz rouca então lhe falou:
 - Boa tarde moça, posso me sentar aqui?
 Luiza levou um tremendo susto, virou-se para ver quem era.
 - Perdoe-me, não era minha intenção te assustar.
 - Carlos… Meu Deus! É você… Mas…
 - Quanto tempo em amiga… Eu sei que estou… Assim… Diferente, a aparência não ajuda muito. Mas você… Nossa… Você está… Ainda mais linda.
 - Obrigada Carlos, sente-se rapaz, vai ficar aí de pé. Mais que coincidência, meu Deus! Sério… Nos encontrarmos aqui, e logo hoje.
 - Coincidência… Como assim?
 - Não é nada, deixa pra lá, é só jeito de falar.
 - O quê você faz aqui rapaz?
 - Eu vim espairecer, descansar a cabeça dos problemas, pegar um cinema, sempre faço isso.
 - Sério… Mais olha que coincidência, novamente… Pois eu vim fazer o mesmo.
 - Ah que bom, então a gente poderia aproveitar e assistir um filme juntos, sei lá, fazer companhia um para o outro, se não for incomodar é claro, de repente, você pode estar acompanhada.
 - Pode sim, não estou acompanhada, para mim está ótimo, aproveita e almoça comigo.
 Carlos aceitou, fez o seu pedido, enquanto almoçavam, conversaram sobre diversos assuntos. Luiza contava-lhe do casamento frustrado, das brigas com Arnaldo, do quanto ele era rude. Carlos estava se separando, as brigas, o ciúmes doentio da ex-esposa culminou no divórcio. Enquanto conversavam e trocavam confidências, Luíza discretamente olhava para o lado de fora, imaginando que a qualquer momento Arnaldo fosse aparecer, embora ela soubesse que seria impossível vê-lo ali.
 As horas voaram, estava quase no horário do filme, saíram às pressas para o cinema, que era no final do corredor a direita. Conseguiram chegar a tempo, comédia romântica, havia poucas pessoas. Luiza estava confusa, os seus sentimentos era uma mistura de medo, culpa, euforia, desejos.
 Após o filme, Luiza e Carlos passearam pelo Shopping, olharam algumas lojas. A tarde avançava apressada, temerosa pela reação de Arnaldo, ela resolveu que tinha que ir embora. Um discreto beijo no rosto, a marca de batom, cada um foi para o seu lado. Ele, prometeu enviar mensagens, ela, à respondê-lo. Era o recomeço de uma antiga amizade, que agora tomava um discreto formato de algo a mais. 


Dias depois…

Mensagens trocadas entre Carlos e Luiza.

Carlos.
" Olá boa noite, tudo bem? Estou com saudades, você não respondeu minhas mensagens".

Luiza.
" Oi… Boa noite. Mil perdões Carlos, dias difíceis… "

Carlos.
" O que houve?"

Luiza.
" Eu tive uma briga muito feia com o Arnaldo, feia mesmo. Estamos dormindo em camas separadas".

Carlos.
" Se quiser falar sobre isso, de repente, desabafar. Sou todo ouvidos".

Luiza. 
" Obrigado Carlos, você é um amor".

Carlos.
" Imagina, você que é maravilhosa".

Luiza.
" Exagero seu… Sou não... Estou me sentindo um trapo".

Carlos.
" A Ana tentou voltar comigo, mais não dei chances, cortei logo de cara, ela não me deu valor,  perdeu".

Luiza.
" Ah… Eu penso nisso todos os dias sabe, queria ter essa coragem, jogar tudo para ar e vê no que dá".

Carlos.
" E vai ficar sofrendo mulher, sendo humilhada por quem não te dá valor. Separe logo".

Luiza.
" Sei não… Depois tem a igreja, nossas famílias, e todo o falatório que isso vai dar. Sem dizer que eu é que vou sair por ruim".

Carlos.
" Você é tão linda Luiza, tão especial, 'se me permite a ousadia' a mulher dos meus sonhos.

Luiza.
" Nossa! Não é pra tanto vai, exagero seu, nem sou tudo isso".

Carlos.
" É isso e muito mais".

Luiza.
" Lembra aquele dia… O almoço no shopping, cinema. Pois então, quando cheguei em casa quebramos o pau, brigamos feio, ele me falou horrores por causa do batom que usei. Ele me disse que eu deveria ter avisado antes de sair, dizer que lugar estava. Agora… Logo eu, aquele antipático, insensível, grosso. Ele disse que eu era sua mulher e lhe devia conta do que fazia. Fiquei uma fera, subir nas tamancas, falei que não tinha que dar satisfação a ninguém. Ai Carlos…Não sei o que faço".

Carlos.
" Você merece algo melhor amiga, uma vida melhor, alguém que te ame de verdade"...




 O relógio marcava onze e meia da noite, Arnaldo acabava de chegar do trabalho, naquela semana estava no turno da tarde. Tentou cumprimentar Luiza com um beijo no rosto, que virou a face no mesmo instante, nem ao menos respondeu. Arnaldo tentou dialogar, pedir perdão como sempre fazia, Luiza deu de ombros. Escondeu o celular para que ele não percebesse o que ela estava fazendo. Arnaldo desistiu de tentar, pegou o pijama no guarda roupas, toalha, foi tomar o seu banho, dormiria no sofá da sala. 
 Luiza continuou no celular, as mensagens ficavam cada vez mais íntimas, adentrando em assuntos delicados, perigosos. Chegou ao ponto de ambos falarem de sexo, do que gostavam e não gostavam, Luíza estava carente, era notável o desejo de um pelo outro. Ela sentia o seu corpo arder de desejo pelo amigo, como nunca sentiu em todos os anos com Arnaldo. Até que chegou ao ponto de marcarem um encontro, seria um jantar romântico, e talvez algo a mais depois. A mensagem de boa noite de Luíza foi um nudes, ousado, seios a mostra, tirou a foto no banheiro, Arnaldo roncava na sala. Carlos também enviou fotos íntimas, do corpo, do membro, das pernas, físico perfeito.
 Luiza experimentava uma mistura de sentimentos, de um lado o desejo incontrolável de sair e ter relações com Carlos, vingar todas as grosserias do marido. Do outro lado, a culpa, o sentimento de que, por pior que o esposo fosse, aquilo era traição, errado, 'um pecado gravíssimo', lembrava-se das mensagens do pastor nos cultos de domingo. Todavia, mesmo com o conflito crescendo cada vez mais, estava disposta a tudo, o desejo de ter Carlos em seu corpo era muito maior que o sentimento de culpa, ela iria até o fim com o combinado custasse o que custar.
 Luíza se entregou aos seus desejos,  deixou-se dominar, era sua carne subjugando o espírito. Ignorando todas as advertências, seguiu em frente. 
 Veio o segundo encontro.
 Fim de semana, o mesmo batom vermelho provocante. 
 Almoço, passeio, cinema. No carro de Carlos ela se entregou definitivamente, beijada vorazmente, pescoço, seios, tocada, Chupada. Carlos lhe deu brincos de presente, ela que nunca havia usado antes, aceitou, passaria a usar. Luíza mudou o estilo das roupas, saiu da igreja. Usava peças sensuais, curtas, pernas à mostra.
 Veio o segundo encontro.
 Fim de semana, o mesmo batom vermelho provocante. 
 Colares, brincos, jóias, Luíza já não era a mesma mulher, ela que era modesta e humilde, agora, mulher transformada, experimentava os prazeres que a Luxúria lhe dava, presentes de Carlos.
 Os fins de semana eram sempre de convites para festas, bebidas, noitadas, motel, sexo, a marca do batom vermelho no corpo de Carlos. O ex-esposo afundava-se em uma depressão profunda, aguentou o quanto pode, separado recente de Luiza, passou a morar sozinho, em um condomínio de um bairro afastado, vez e outra encontrava Luíza no centro da cidade. Ele passou a tomar remédios fortíssimos, antidepressivos, ameaçava se matar, mas nunca fazia nada. Nas vezes em que Luíza o encontrava, provocava-o dizendo que ele era covarde demais até para tirar a própria vida, que nem a morte desejava um traste de homem como aquele. Arnaldo isolou-se, parou de tomar os remédios, não se alimentava direito, simplesmente trancou-se em seu quarto e não abriu a porta para mais para ninguém. Até que semanas depois, a polícia foi acionada, veio em sua casa, chamou uma, duas, três vezes, ele não respondia, foi preciso arrombar a porta da sala. O cheiro que vinha do quarto era insuportável. Quando os policiais arrombaram a porta do quarto, qual não foi a surpresa, lá estava o corpo de Arnaldo pendurado, a corda no pescoço, fortemente amarrada a viga de madeira do telhado da casa, os pés a poucos centímetros da cama. O corpo estava em avançado estado de decomposição.
 Luíza foi comunicada da morte de Arnaldo, ela nem sequer compareceu ao enterro. 
 Estava ocupada demais em seus planos de ir para praia. 
 A tão prometida viagem com Carlos aconteceu dias depois do suicídio de Arnaldo.
 Bebidas, sexo, praia, rolou de tudo. 
 Depois de um fim semana intenso, retornou para casa. Estrada sinuosa, madrugada de segunda-feira, Carlos dormiu ao volante, em uma das curvas bateu de frente com outro veículo. Não sobrou nada dos dois carros. Foi morte instantânea, ficaram presos nas ferragens, ele, ela, no outro veículo havia apenas o motorista e o mesmo fim trágico. Quem chegava ao local do acidente não conseguia olhar a terrível cena, corpos dilacerados em meio às ferragens. 
 A única coisa inteira que encontraram no cenário de horror, foi o batom vermelho que Luíza sempre usava quando saia com Carlos.
 Era o fim de tudo o que ela sonhou, e de todos que a amou.
 Sobrou apenas o batom vermelho. 
  



sábado, 17 de agosto de 2019

CONTO 10.


O DESCONHECIDO.




 Seu nascimento deu-se da maneira mais comum de todas, como todos os outros, sem nenhuma exceção. O choro completamente desconhecido não fez nenhum alarde, seus pais não eram conhecidos, e nem a sua família tinha influência na sociedade da época, muito pelo contrário. 
 A sua família era um vulto no escuro, sem tradição, sem membros importantes entre os mais importantes da cidade. Seu nascimento foi completamente às cegas, não houve outros olhares para admirar-lhe no primeiro momento neste mundo. Apenas o olhar cansado da parteira, um senhora já de idade avançada que havia feito a maioria dos partos daquele local. O corpo sujo da criança veio à esta realidade em uma manhã de muito calor, ainda figurava as primeiras horas do dia. O choro fraco não fora capaz de acordar ninguém, a parteira o limpou, fez todo o procedimento e o colocou ao lado da mãe, olhos miúdos, quase fechados, o minúsculo Arthur estreou no mundo em uma manhã calma de domingo. Ao sentir o cheiro da mãe a criança parou de chorar no mesmo instante. A mãe tocou-lhe na face macia, ainda enrugada, lágrimas no olhos. Mãe e filho por um breve momento pareceram se desconectarem da realidade cruel que os cercavam, pareciam em um universo particular somente deles.
 A ligação entre mãe e filho duraria pouco, a recém chegada criança não teve tempo de conhecer a sua mãe, foi apenas o afago inicial, logo após o parto a jovem senhora faleceu devido a forte hemorragia, não havia o que fazer para salvar-lhe a vida, era mais uma cela vazia na detenção feminina.
 O pai da criança era desconhecido de todos, embora alguns acreditassem que seria um importante membro político da cidade de Rio das Pedras. A mãe da criança nunca revelou a ninguém sobre o pai, havia apenas uma pessoa que possivelmente poderia ter a verdadeira resposta a essa incógnita da paternidade do jovem Arthur, o padre Amaro, único pároco da cidade, um simpático senhor que era o responsável por inúmeras obras sociais, sempre caridoso e de bom coração. 
 Padre Amaro foi um dos últimos a conversar com a mãe do Arthur antes dela morrer. Exatamente dois dias antes dela falecer, na ocasião ele a atendeu em seu confessionário, instalado na prisão, ela ficou cerca de quase uma hora no confessionário, certamente que, o padre Amaro seja o único conhecedor dos segredos de Ana Luci, embora, segredo este que continuará a todos um grande mistério, visto que, padres não podem revelar segredos de confissão, em nenhuma hipótese. Esse mistério perdurará, talvez a própria criança quando atingir a fase adulta venha a descobrir todos esses segredos. 
 Sou apenas um observador, uma águia a voar e a colher informações do mundo dos humanos. Eu sou essa ave misteriosa que acompanha com grande interesse e curiosidade a respeito dos homens e de seus sentimentos tão confusos. 
 Arthur, criança essa que cresceu forte, embora não parecesse ao nascer, mas a criança cresceu nas ruas de uma cidade fantasma, ajudado por um e por outro, classificados como desgarrados, as vezes expulso daqui e dali, sem a oportunidade de poder ter uma vida aos padrões humanos considerada digna. O jovem Arthur teve que aprender nas ruas a arte da sobrevivência, com muito sofrimento e esforço, ele tornou-se um adulto com inúmeras habilidades. Morador das matas, sobrevivente do mundo recém destruído, recém transformado. Jovem esse que contemplei o nascimento, nunca se importou saber quem era seu verdadeiro pai, nunca se interessou saber se havia familiares vivos, nem na história da sua própria mãe ele se interessou. Aos seus olhos a sua família eram as ruas onde foi criado, mas havia nele algo de diferente, que o destacava dos demais seres humanos. Arthur tinha um cérebro poderoso e uma capacidade de raciocínio espetacular. Ele aprendeu a ler sem a ajuda de ninguém, conhecia sobre os mais diversos assuntos. Matemática, ciências, biologia, astronomia, filosofia, literatura, e tantas outras cousas mais. Tudo graças aos milhares de livros deixados nas latas de lixo. 
 Arthur era uma águia terrestre, ele tinha a capacidade de conseguir o que bem intentasse. Mas havia uma pessoa na cidade que observava o desenvolvimento do jovem desde o seu nascimento, que sem deixá-lo perceber, indiretamente contribuiu para o crescimento e desenvolvimento de Arthur. O padre Amaro sempre cuidou indiretamente daquela alma desprovida, providenciando roupas, alimentos, pessoas que levassem as coisas que lhe era necessário, até mesmo os livros nas latas de lixo. 
 Padre Amaro temia trazer a criança para sua casa e ser acusado pela sua comunidade, mas de uma forma indireta providenciou que o jovem crescesse sob o seu olhar. Padre Amaro nunca trocou uma palavra com o rapaz, mas estava sempre presente, sempre por perto. Eu não sei por qual motivo o jovem também nunca se afastou do padre, parecia haver algo que os ligava. Foram poucas as vezes que Arthur assistiu as missas de domingo do padre Amaro. Ele sentava-se no último banco, não trocava uma palavra com ninguém, seu olhar curioso fitava o olhar atento do padre. Quando a missa terminava ele saia junto das demais pessoas, escondia-se por detrás do muro Catedral, padre Amaro sempre deixava um pouco de comida para ele naquele local.
 Houve um dia que o padre Amaro, tão querido de todos, adoeceu, fiéis da igreja foram designados pelo Bispo para ajudá-lo enquanto estivesse enfermo e acamado, mas o médico havia dito que era questão de dias para que o padre viesse a falecer, pois o câncer havia tomado todo o seu corpo e não havia mais o que fazer. Quando Arthur soube da doença do padre, algo dentro dele, que ele mesmo não sabia explicar, o incomodava a ir ter com o padre antes que ele falecesse. Arthur tentou resistir, escondeu-se, mas não suportando a angústia foi visitar o amigo, que sempre, 'indiretamente' cuidou dele. 
 As pessoas que ajudavam o padre avisou-lhe que o jovem de rua queria vê-lo. Padre Amaro abriu um tímido sorriso, pediu para que trouxesse o jovem, pediu também para que os deixassem a sós. O padre ficou cerca de meia hora com o jovem. Com os olhos cheios de lágrimas Arthur deixou o quarto onde o padre estava, ninguém compreendeu nada, também o padre não revelou nada a ninguém. Um dia depois desse episódio o padre veio a falecer, ele foi enterrado no cemitério da cidade, seu cortejo fúnebre foi seguido por uma multidão de pessoas, a cidade parou naquele dia. Arthur estava entre a multidão, olhos molhados pelas lágrimas.
 Tempos depois, ninguém mais viu o jovem Arthur pelas ruas da cidade, o que se dizia era que o jovem Arthur era o filho do padre Amaro com a jovem Ana luci, mas a verdade está enterrada com o padre Amaro, passou-se dez anos desses acontecimentos, dez anos que o jovem havia desaparecido. Certo dia, o bispo havia designado um novo padre para a catedral, avisou que o apresentaria no domingo na missa matutina. A igreja superlotou para conhecer o novo sacerdote. O bispo iniciou a missa, quando ele pediu para que o novo padre adentrar, qual não foi a grande surpresa de todos, o padre era exatamente o jovem Arthur, que a anos havia desaparecido. Sua verve, seu carisma, tão rapidamente conquistou a todos. O semblante tão parecido com o do padre Amaro causava tanta admiração quanto espanto, ninguém ousava falar, mas todos na cidade juravam que ele era o filho do padre Amaro. A verdade ninguém sabe, somente o próprio padre Arthur, talvez essa ave bisbilhoteira saiba a verdade, mas porque revelar tão grande segredo. É preferível deixar tudo como está, talvez o tempo responde essas questões.







sábado, 10 de agosto de 2019

Conto 9 ( policial )

AMOR E ÓDIO.





 - William Roco é o seu verdadeiro nome, lembro-me bem dele. Um aluno comum na escola, ele não tinha muitos amigos e gostava estar sempre sozinho na maioria das vezes, mas isso não o fazia muito diferente dos demais alunos do Anacleto de Sá. Suas notas pelo que me lembro eram razoáveis, nenhum outro professor reclamou dele. Eu sempre lecionei educação artística, o William tem um talento nato para o desenho, é sem igual. De baixa estatura, porém, de ótimo físico.
 - Como tudo aconteceu exatamente.
 Perguntou o delegado Claus a professora Ana.
 - Para que o senhor entenda toda história, terei que cortá-la desde o início, ou seja, 'a semana de artes'. Uma exposição de desenhos e esculturas que todo ano realizamos no Anacleto em parceria com as outras escolas da cidade.
 - Certo professora Ana, prossiga com o seu relato, conte-me desde o início.
 - A diretora do Anacleto, Claudete, teve a ideia de fazermos uma exposição mais longa esse ano, com temas diferentes, desenhos e esculturas em argila. A princípio com os alunos de todas as oitavas séries, apenas o aluno William havia ficado de fora, bem que tentamos convencê-lo, foi inútil, até que, apareceu a aluna Azira, tudo então mudou.
 - Quem é essa aluna Azira?
 - Uma aluna nova doutor Claus, fazia poucas semanas que ela tinha chegado no Anacleto, veio transferida de outra escola, do paraná, uma jovem extremamente bonita e muito inteligente.
 - Ela também participaria da semana de artes?
 - Sim delegado Claus, ela veio a mim pedir para participar da semana de artes. Foi nesse dia que o William a viu, e de repente, se interessou pela semana de artes. Ele não desgrudava os olhos da aluna nova, acho que começou a gostar dela, coisas de adolescente doutor.
 - Sim claro, compreendo.
 - Então doutor… Foi fácil de notar, o pobrezinho não tirava os olhos dela, fez desenhos do rosto da moça aos montes, e belíssimos por sinal. Até aí tudo bem, normal, o problema foi quando o antigo namorado da Azira apareceu. Thor, o filho de um vereador lá do Paraná, onde ela morava antes, acho que foi por esse motivo que mudaram para nossa cidade. Ele começou a segui-la desde então. Azira queixou-se com as amigas e elas me contaram tudo.
 - Muito bem… Esse moço, o Thor, ele seguia a aluna Azira com frequência? Você saberia dizer-me se o moço a agrediu alguma vez, ou qualquer coisa dessa natureza?
 -  Agredir eu acredito que não… Se fosse as meninas teriam me contado, mas ameaças sim… Ele fez várias. Disse que se ela não retomasse o namoro se vingaria dela.
 - Como então deu-se a aproximação da aluna Azira e o aluno William?
 - Da seguinte maneira: Durante a aula de educação artística, deixei os alunos um pouco à vontade, alguns conversavam outros faziam desenhos. O aluno William ficou separado do grupo na última cadeira da sala, a aluna Azira aproximou-se dele sem que ele notasse, ele levou um tremendo susto e ela também, foi até engraçado, quando ela percebeu o desenho que ele havia feito, ficou admirada. "Nossa William você desenhou meu rosto direitinho que lindo parece coisa de artista" disse ela encantada. O aluno William ficou muito envergonhado quase não falou naquele dia.
 - E depois disso o que aconteceu?
 - A amizade do dois foi florescendo aos poucos, como uma flor ao desabrochar, pouco a pouco, desenho a desenho, palavra a palavra,  William foi perdendo a timidez até se tornar o grande amigo da Azira. Ela o convenceu de participar da semana de artes que se aproximava, não me restava dúvidas, algo a mais do que amizade começava a nascer entre os dois.
 - Houve uma resposta por meio da garota?
 - Não verbalmente, mas nos olhares sim, afinal, os olhos muitas das vezes dizem mais que as palavras.
 - E quanto ao antigo namorado, houve alguma reclamação dela ou das amigas?
 - Teve uma ocasião apenas, em que presenciei uma discussão dela com outro rapaz na praça próxima da escola, nem passou pela minha cabeça que era o tal rapaz, Thor.
 - Muito obrigado pelo seu depoimento e a sua disposição em cooperar com a polícia professora Ana.
 A professora Ana retirou-se visivelmente emocionada, o delegado Claus pediu para chamar a próxima testemunha, uma das amigas de Azira, uma jovem por nome Katniss. Um pouco assustada com o ambiente da delegacia, ela sentou-se de frente ao delegado Claus.
 - Katniss esse é o seu nome, correto?
 - Sim senhor.
 - Como era o seu relacionamento com a jovem Azira e o jovem William?
 - Eu fui a primeira amiga de Azira desde que ela chegou à escola, já o William nos conhecíamos a muito tempo, mas nunca trocamos mais do que cinco palavra. Azira é inteligente e muito comunicativa, se dá bem com todo mundo, deve ser por isso que o William se apaixonou.
 - O que ela te disse do antigo namorado.
 - Pouca coisa, apenas que ele era muito pegajoso.
 - A jovem Azira demonstrou algum interesse no jovem
    - Mais ou menos, para que o senhor entenda tenho que lhe contar algo. Dias antes da semana de artes, estávamos conversando durante o intervalo, de repente a Azira é surpreendida com uma rosa dada pelo William, uma rosa vermelha linda. Azira não sabia o que fazer, ficou super feliz. Ele entregou a rosa e lhe deu um beijo no rosto, ela ficou toda vermelha, foi bem engraçado delegado, eu jamais imaginava que o William fosse ter coragem de fazer aquilo, sério, foi muito legal.
 -  Ela não disse mais nada para ele
 - Não.
 -  E quanto ao ex-namorado? Pelos meus registros ele a perseguia, você confirma isso?
 -  Sim doutor, aquele antipático a seguiu diversas vezes, alguns dias depois da Azira ter recebido a rosa eu há vi um pouco triste e cabisbaixa, ela me disse que o seu ex-namorado estava na cidade e a viu saindo da escola com a rosa, isso o deixou enfurecido. Teve também outra ocasião em que estávamos na praça conversando, eu e a Azira, foi quando aquele estúpido apareceu, começou ali um desentendimento, uma conversa mais exaltada de ambos, tentei apaziguar, mas aquele estúpido me empurrou jogando-me no chão. Naquele momento o William passava pela praça, quando ele viu a cena correu em nossa direção para ajudar.
 -  O que exatamente ele fez?
 -  Brigaram ali mesmo doutor, mas como o William é mais forte e faz aulas de luta, teve vantagem, e deu uma surra naquele antipático do Thor.
 - O que fez o outro jovem, o Thor, é esse o seu nome correto?
 -  Sim senhor, aquele crápula fugiu. Só uma pergunta doutor… Ele será preso?
 - Baseado no que temos no boletim de ocorrências que você e sua amiga fizeram, mais as ameaças que sua amiga conseguiu gravar, tudo está caminhando para isso, resta apenas mais um depoimento.

 Carlos era o zelador da nossa escola, um senhor simpático sempre disposto a ajudar, e todos lhe devotam um tremendo Respeito. No dia do acontecido, ele teve que sair para resolver algo, os alunos já haviam saído, Carlos teria que ir até a loja de materiais de construção para comprar uma boia nova para a caixa d'água da escola, escolheu um atalho para ganhar tempo, quando ouviu um som estrondoso, e de longe alguém sendo espancado, imediatamente ele chamou a polícia.

 - Por favor, sente-se senhor Carlos.
 - Em que posso ajudá-lo delegado Claus.
 - Conte-me o que o senhor viu naquela quarta-feira a tarde, quando então o senhor foi até a loja de materiais de construção para comprar a boia.
 - Eu tinha que comprar essa boia para caixa d'água da escola, eu estava com pressa, resolvi pegar um atalho, pela rua Amaral Alfredo, ao entrar no início da rua ouvi um barulho alto, como tiro, bem mais a frente há uns cem metros vi dois jovens batendo em outra pessoa, quando eles me viram saíram correndo. Deu pra ver que um deles deixou cair alguma coisa que escorregou para o bueiro.
 -  O que o senhor fez em seguida?
 - Chamei a polícia e o resgate.

 Naquele momento, entrou na sala onde estávamos um policial com uma pasta nas mãos.

 - Delegado Claus… Chegaram os resultados da perícia e da balística… O revólver era mesmo do jovem Thor, coincide com o projétil retirado do jovem William.
 - Obrigado Igael, vou anexar ao caso e emitir o mandado de prisão imediatamente para o jovem Thor, já temos tudo o que precisamos, vou dispensar as demais testemunhas, obrigado Igael.
 - Tudo bem doutor.
 Minha alegria foi imensa ao ouvir aquelas palavras, finalmente, aquele monstro vai para a cadeia. Eu saí rapidamente para o hospital ver o William, ele vai ter alta nesta tarde, e quero ser a primeira a lhe dar as boas novas. A semana de artes acontecerá no final do mês, a diferença é que o William será o homenageado. Seus desenhos serão o tema da exposição, ele vai ficar muito contente quando souber.





Dias depois.




 No hospital da cidade o jovem William recuperava-se bem, depois de quase perder a vida numa traiçoeira emboscada, os médicos removeram o projétil que havia se alojado em seu ombro, milagrosamente os pulmões não foram atingidos, possibilitando ao jovem uma rápida recuperação.
 O jovem dizia estar ansioso em rever Azira, o seu coração  batia em descompasso, Azira havia se transformado no grande amor da sua vida, aquela por quem ele não se importaria em perder a própria vida para protegê-la. Naquele dia, o doutor Marcos, responsável por fazer a cirurgia que retirou o projétil do jovem William foi até o quarto para ver como o seu paciente estava.
 - Olá William! Como se sente hoje? Teve dores ou febre durante a noite?
 - Não doutor Marcos, me sinto muitíssimo bem,  não vejo a hora de sair daqui doutor.
 - Calma rapaz, vamos fazer mais alguns exames e se estiver tudo bem te libero lá pela tarde. 
 - Obrigado Doutor, essa é a melhor notícia do dia.
 O hospital era um lugar angustiante, lugar de dores, lágrimas, morte e vida, de pessoas gemendo moribundas em tantos leitos, algumas acabam por perderem a vida antes de serem atendidas; o hospital é um catalisador de coisas ruins, pelo menos no SUS é assim, já nos particulares não é dessa forma. Mas o William estava muitíssimo bem, havia sido bem atendido, e, a recuperação seria rápida, um verdadeiro milagre. Na verdade o jovem William mentiu para o médico, ele havia sentido muitas dores naquela noite - isso ele mesmo me contou depois - a sua vontade era de sair daquele hospital o mais rápido possível, uma enfermeira avisou-lhe que era dia de visitas, ansioso, ele aguardava Azira. 
 Um toque na porta, ele pensou que fosse o médico que vinha lhe dar alta, para sua surpresa…
 - Pode entrar doutor - Gritou William um pouco ansioso.
 Quando a porta se abriu ele levou um tremendo susto, um quadro com um dos seus desenhos; moldura bonita, bem trabalhada, quem o trazia ocultou o rosto fazendo mistério, mas o perfume era inconfundível, denunciava a beleza de quem trazia o quadro. Azira veio lhe visitar. Como dizia certo personagem de um dos livros de José de Alencar. "Palavra alguma expressa a ternura que reluzia de seus gestos e no seu rosto: por mais esforço que faço, seria sempre pesado e opaco. Tanta naturalidade aliada a um espírito justo, tanta bondade aliada à tamanha firmeza. Uma alma serena e cheia de graça."
 - Olá meu amor, tudo bem, desculpe por não vir antes eu estava na delegacia prestando depoimento, finalmente, aquele crápula vai ser preso. E você… Como está se sentindo?
 - Agora muito melhor, o seu perfume e a sua beleza trouxe vida a este lugar, eu já estava me angustiando aqui... Aquele cara é perigoso Azira, espero que o prendam o quanto antes, se não estaremos em sérios apuros.
 - Não se preocupe William, a polícia garantiu a prisão dele, eles farão isso o mais rápido possível. Onde posso pôr o quadro Will.
 - Coloque-o aqui ao lado, não sei bem se vou ter alta hoje, estou aguardado o resultado dos últimos exames.
 - E quem vem te buscar?
 - Eu terei que ir de táxi, eu acho, meus tios não deram certeza de vir me buscar.
 - Isso não Will, de maneira nenhuma você irá sozinho, eu te acompanho, você quase perde a vida por mim, o mínimo que posso fazer, vamos de uber, está decidido.
 - Obrigado Azira, mas não precisa se incomodar,  seus pais não vão se chatear... Afinal, você me conhece há pouco tempo, eu nem conheço sua família, seus pais não vão se chatear que você me levou para casa sem avisá-los.
 - Não se preocupe, meus pais são legais você vai gostar deles.
 Naquele momento entrou o médico, e por alguns instantes ele trocou algumas informações a respeito do William com a Azira, enquanto o médico e a moça conversavam, William perdia-se nos olhos brilhantes e belos de Azira. Toda a sua alma era atraída pelos seus lábios cheios de vida, o rosto animado absorvendo a sua admiração, a graciosidade em cada frases dita, ele estava perdidamente apaixonado.
 - Boas notícias meu jovem, você está liberado - disse o doutor Marcos - Muito obrigado doutor, eu não via a hora de sair.
 - Saudades da namorada né - Disse o doutor dando-lhe um cutucão.
 William ficou todo ruborizado, Azira esboçou um tímido sorriso.
 - Vamos William eu te levo, troque-se eu estarei te esperando do lado de fora.
 - Tudo bem Azira, eu não demoro.






ENQUANTO ISSO NA DELEGACIA.

 - Bom dia doutor Claus.
 - Bom dia Yigael, como você está hoje?
 - Estou bem doutor. E o caso do jovem Thor… Que reviravolta hein Doutor.
 - Nem me fale, malditos advogados, aquele bandido estava em minhas mãos.
 - Culpa desse sistema cheio de falhas e brechas que permitem aos mais poderosos obterem vantagens. É uma triste realidade de nossa nação.
 - Esse rapaz vai fazer alguma besteira, escuta o que digo, esse canalha vai fazer besteira, aqueles dois correm perigo.
 - E o que faremos então doutor? A juíza o liberou, estamos de mãos atadas agora.
 - Não dessa vez meu jovem, não na minha delegacia, não nesse caso...
 - No que o senhor está pensando?
 - Vá com o Andres até a casa desse rapaz, monte campana sem serem notados, siga-o sem que ele perceba.
 - Eu acho que já entendi o seu plano… Vou chamar o Andress.






ENQUANTO ISSO, NO CARRO DE THOR.

 - Romeu você teve notícias da Azira, seu informante ainda está seguindo-a como lhe pedi?
 - Sim, eu tenho novidades, e o senhor não vai gostar nada do que está acontecendo.
 - Diga-me logo seu idiota.
 - Minha fonte disse que ela acabou de sair do hospital... Junto com ele... E no caro dela.
 - Maldição… Eu vou matar os dois, mantenha-me informado, você está armado?
 - Claro que sim patrão, eu sempre estou.
 - Muito bem, passe sua arma para mim vamos passear um pouco, o dia vai ser longo Romeu.
    
                                          ****




 Azira estava junto com William em seu carro, no meio do caminho ela resolveu passar no shopping da cidade para almoçar, á princípio William foi contra o almoço, porém, foi facilmente convencido por Azira. Os dois nem perceberam que estavam sendo seguidos e que um maléfico plano estava em andamento para lhes tirar a vida no momento em que estivessem no estacionamento do shopping. O ciúmes doentio de Thor o cegou totalmente, seu ódio ultrapassou todos os limites. No momento em que os dois jovens pararam no estacionamento, logo em seguida um caro preto parou ao lado, o vidro do carro abaixou lentamente, quando Azira percebeu quem era, quase desmaiou tamanho o susto, bem diante de seus olhos, com uma arma apontada em sua direção, estava Thor, o rosto do jovem estava desfigurado pelo ódio.
 - Olá meu amor!! Sentiu saudades, por favor desça devagar, e o seu amiguinho também.
 - Thor… Por favor… Não faça nada conosco, por favor eu te imploro.
 - Dessa logo sua vadia - Vociferava ele apontando a arma. 
 A morte parecia certa, o medo tomou conta dos brilhantes olhos da assustada Azira, William desceu logo em seguida sem esboçar uma reação, apenas olhava fixamente nos olhos de Thor.
 - Da primeira vez você escapou, mas agora... Ninguém vai me impedir de te matar seu maldito, olhe bem Azira, veja seu namoradinho morrer, você será a próxima.
 A arma estava apontada para o peito do jovem William, no momento em que o dedo de Thor deslizou para o gatilho, uma voz rouca ecoou por detrás do jovem Thor, assustado ele virou-se, no intuito de efetuar o disparo, mas o treinado e experiente policial foi mais rápido. O barulho ensurdecedor do trinta e oito ecoou por todo o estacionamento. Thor caiu ali mesmo diante dos olhos aterrorizados da jovem Azira. Em questão de minutos inúmeras viaturas estavam no local, o comparsa de Thor foi preso confessando todo o esquema que haviam planejado para matar os dois, o tiro disparado por Thor não acertou o policial. O jovem Thor não resistiu aos ferimentos e morreu ali mesmo.
 O amor que salvou o jovem William foi o mesmo amor de perdição para o jovem Thor, aliás, Azira e William estão namorando agora, os pais dela adoraram o jovem William, na escola não se falava em outra coisa, o tímido rapaz quase sem amigos, transformou-se no mais popular de toda a escola e também o mais cobiçado pelas meninas, é claro que a Azira não gostou nada dessa popularidade de seu novo namorado, ela finalmente estava feliz e vivia seu grande amor.





NOTA. 
( Os fatos narrados aqui são verdadeiros, tomei o cuidado de consultar a todos os envolvidos, e tomar todos os depoimentos, incluindo o do comparsa de Thor. Essa história foi apresentada junto com a exposição do Willian. )

( Autora. Professora de artes. Ana Miranda de Almeida Sampaio. )



MOSAICO DE SENTIMENTOS NUS.

           As janelas do castelo estavam abertas, escancaradas ao público de modo que era possível ver dentro do reino.      Nos recônditos ...