segunda-feira, 28 de outubro de 2019

MINICONTO.

METEORO.





- Não sou nada, nunca…
- Quê isso Roberval! Para quê falar tão alto. Enlouqueceu.
- Não sou nada, nunca serei nada.
- Ê lá, já vai começar.
- Quieto Nivaldo, não perturbe o universo, ele está em ascensão planetária à quinta dimensão.
- Pronto…
- Nós temos que acessar a quinta dimensão.
- É hoje meu Deus.
- Como assim? O que aconteceu?
- Ue, você cara, com esses seus papos doidos.
- Você tem certeza disso? Posso perguntar para os universitários?
- Você tá ficando pior a cada dia.
- Eu estou muitíssimo decepcionado com a NASA.
- Com a NASA? Aqueles caras lá das naves e tudo mais?
- Sim.
- E o que a NASA fez para o senhor?
- Ela me enganou.
- Como assim? Te enganou.
- Eles disseram que essa noite iria passar um mega meteoro próximo a terra, com grande possibilidade dele se chocar conosco. E olha ai, ta todo mundo vivo, o meteoro passou e nada.
- Ai meu Deus! É sério que parei aqui só para ouvir isso.
- É decepcionante né.
- Um meteoro vai cair é lá agora, naquela senha, na frente do balcão, lotado de gente chata, exigem sem ter razão, menospreza que está do outro lado. Lá está nosso meteoro.
- Tá vendo… Até você está revoltado. É por isso que eu queria o meteoro caísse…
- Está revoltado com a situação é uma coisa, agora, desejar que um meteoro caia… Por favor, né Roberval.
- Você não compreende a beleza da coisa.
- Vamos abestado, você falou besteiras demais, e o mercado já vai abrir, aquele açougue vai ferver.
- Maldito meteoro que…
- Que você disse?
- Nada não… Vamos logo para não se atrasa.

domingo, 20 de outubro de 2019

NOVELA. 4° CAPÍTULO.

A cidade de Mor vivia tempos difíceis, um assassino estava à solta, e os moradores estavam aterrorizados. Muitos evitavam sair de suas casas à noite, e não era para menos caríssimo, considerando que as últimas três mortes aconteceram em um curto período de tempo. As circunstâncias dessas mortes eram muito bizarras, no mínimo mirabolantes. A cidade estava repleta de policiais, a notícia das mortes correu rápido, as cidades circunvizinhas sabendo da gravidade do caso mobilizaram-se e enviaram reforços policiais no intuito de nos ajudar a capturar o misterioso assassino.
 O corpo do advogado Dr.Busiris já havia sido removido para o necrotério, o resultado da autópsia demoraria alguns dias, as autópsias das outras três mortes foram enviadas para a nossa equipe de investigações. Nós reunimos na sala de investigações tentando desvendar aquele difícil mistério. "Senhores - Eu disse chamando a atenção de todos - agora não nos resta dúvidas de que estamos diante de um serial killer, extremamente perigoso, inteligente, e preparado". "O que faremos se não foi encontrada nenhuma pista desse cara, ele parece um fantasma, não deixa rastros, nenhuma digital, nada, vai dar trabalho capturá-lo". Questionou um dos senhores.
"O melhor a fazermos agora é nos atermos às informações que levantamos até o momento, e, tentar decifrar os enigmas desse sujeito, ele deixou sim rastros, que são esses enigmas, cabe a nós decifrá-los". "Isso mesmo Abderis, é o melhor a fazermos". Tentei incoraja-lo."Mesmo porque delegado Apolo, estamos nos deixando levar pela crueldade das mortes, se observarmos melhor tá muito evidente, pelo menos para mim, o método desse cara". Disse Roberto, o investigadores mais novo da equipe, e extremamente inteligente. "Como assim Roberto - lembro-me de você questiona-lo - explique-nos melhor, que método é esse?". "Vejam bem. A primeira vítima era o prefeito, Diomedes, foi morto no estábulo por éguas que possivelmente tenham sido drogas para ficarem extremamente agressivas. A segunda morte foi a do vice-prefeito, Dr. Minos, um crânio de touro cravado no seu peito com um diamante cravado no crânio, e um labirinto em volta dele. A terceira vítima o advogado, Dr. Busiris, foi asfixiado com duas maças introduzidas em sua boca, pintadas a ouro, e havia duas serpentes no recinto. E nas suas frontes o nome Hércules e um numero em sequencia, sem dizer dos signos do zodíaco, Áries, Touro, e Gêmeos. Isso me leva a crer que ele está se utilizando de símbolos ligados aos doze lendários trabalhos de Hércules e do zodíaco, eu fiz um trabalho sobre isso na faculdade, mitologia grega". Rapaz inteligente… "Interessante Roberto… Interessante… Como eu não percebi isso antes, só pegarmos os doze trabalhos de Hércules e tentarmos antecipar o seu próximo passo". "Olha… Não quero desanimar ninguém, mas… Existem várias sequências diferentes desses trabalhos descritas por autores diferentes, cada um narra os doze trabalhos em uma sequência diferente uns dos outros, se realmente ele utiliza essa ordem ligada aos signos, teremos outra vítima, do signo de câncer". "Roberto, por favor, fique encarregado de descobrir qual a ordem certa dos trabalhos de Hércules que ele está se utilizando, enquanto isso retornaremos a cena dos crimes. Se quiser, utilize a biblioteca municipal para alguma pesquisa". "Tudo bem delegado, qualquer novidade eu entrarei em contato".
 Quase todos saímos, ficou apenas o Roberto e um policial para lhe dar proteção. Enquanto isso a cidade de mor se preparava para a grande corrida de avestruzes, um evento típico que tinha virado tradição em nossa cidade. Um dos vereadores, o mais conhecido da cidade, o responsável pelo evento, era o próprio dono das aves, ele quem iniciou a corrida anos atrás, a corrida acabou virando uma tradição, o enriqueceu também, um modo diferente de lavar dinheiro, com apostadores e tudo, Ageu era o nome desse vereador, ganhou muito dinheiro com a comercialização ilegal dessas aves, e era o único dos políticos que rejeitou a proteção da polícia, contratou segurança particular.
 O evento estava marcado para as sete horas da noite, em um local aberto próximo a prefeitura, uma arena havia sido montada em torno da pista de corrida, as arquibancadas estavam lotadas, um pouco mais acima das arquibancadas estava o camarote dos convidados da alta sociedade da cidade de Mor, políticos, empresários, pessoas desse nível. Montei um forte esquema policial para garantir a segurança do evento.

   
Enquanto na fazenda do prefeito.

 A equipe já estava na casa, vasculharam em todos os cômodos e nada encontraram, eu tinha tomado depoimento dos antigos funcionários da fazenda, ninguém tinha visto nada de anormal, pelo menos nada disseram a mim, nenhum estranho tinha entrado na fazenda no último mês, somente os policiais. Ao vasculharem o local das mortes com aparelhos, que somente a equipe científica possuía para descobrir possíveis marcas de sangue, nada encontraram, no entanto, outra evidência foi descoberta, quase imperceptível, mas que trouxe ao caso um possível suspeito, era um pedaço bem pequeno de tecido, estava no estábulo, entre as tábuas, enrascado em uma pequena ponta de prego, quando o detetive mostrou-me o tecido, tentei ignorá-lo, mas os detetives guardou-o como evidência, era a primeira evidência certeira na verdade. "O que foi delegado, reconhece esse pedaço de tecido". Perguntou-me Abderis.
"Deve ser de algum trabalhador, eu imagino". Você… Sempre atento. "Talvez de algum policial, que ao ajudar retirar o corpo tenha rasgado a sua roupa sem perceber"."Não detetive, nada disso, nenhum policial desta cidade entrou nas cena do crime, esteve aqui só o pessoal da perícia, alguns policiais fazendo a ronda,  na cena dos crimes não entraram policiais, eu lhe garanto detetive, eu estava presente no momento em que os corpos foram retirados. Só existe uma conclusão lógica para isso". "Qual?". "Ou o assassino está usando uma farda policial, que enganaria a todos nós, ou, o assassino é um dos seus policiais". Seu brilhantismo é… Nem sei como dizer… "Meu Deus… Isso é loucura, conheço todos eles, não acredito que seriam capazes de tal coisa, mas também a essa altura… Bom, não podemos confiar em mais ninguém". "Nunca se sabe delegado, principalmente quando se trata de um psicopata com dupla personalidade, se realmente for um dos seus policiais, ou se o assassino estiver disfarçado, se fazendo passar por policial, isso o coloca sempre a um passo à nossa frente". "Vou verificar isso Abderis, deixe comigo". "Tome cuidado, se ele estiver no nosso meio e perceber que descobrimos o seu disfarce, já era a única oportunidade de capturá-lo, vamos manter isso só entre nós dois tudo bem".     

( Naquele momento o meu telefone tocou, era o  policial Ariel, que estava no evento da corrida de avestruzes, o vereador Ageu havia sido ferido na perna por uma flechada no momento em que estava sendo fotografado ao lado da ave vencedora da corrida. A ambulância que estava no local o levou ao hospital da cidade. )

( Delegado - Disse Ariel do outro lado da linha - tem um problema aqui delegado, o vereador Ageu foi ferido com uma flecha na perna, agora a pouco durante o evento, estão levando ele para o hospital, estamos fazendo uma busca no local, é melhor o senhor vir aqui, talvez seja o assassino, tenho certeza que isso é obra dele.)

"Vamos logo delegado, estava cheio de policiais, isso só reforça a nossa tese. Disse Abderis".

 Ao chegarmos ao hospital tempos depois, a trágica notícia, a flecha que feriu o vereador estava infectada por um veneno desconhecido. Quando eu  peguei a ficha levei um tremendo susto, a data de aniversário batia com o signo de câncer, a data de nascimento do vereador era vinte e oito do seis, exatamente como o investigador Roberto havia predito na sala de investigações. Uma equipe foi enviada ao local da morte, e dessa vez o misterioso assassino deixou para trás o arco que utilizou para o arco utilizado para atirar a flecha no vereador, estava bem debaixo das arquibancadas, posicionado exatamente de frente com a vítima, mais uma vez o misterioso assassino atacou sem que ninguém percebesse. O vereador era a quarta vítima de Hércules.


HORAS DEPOIS.

 Reunimos-nos na sala de investigações, mal entramos e recebi um chamado do necrotério, era urgente. Saímos todos na mesma hora rumo ao necrotério. Ao chegarmos lá, o médico legista estava muito assustado. No momento em que ia preparar os seus materiais para a necropsia do corpo, em um minuto que saiu da sala, ao retornar encontrou uma descrição na testa do corpo dizendo, Hércules e o número quatro, feita com bisturi cirúrgico, mas não era nenhum dos bisturis que havia ali com o médico.
"Não me resta dúvidas meus senhores - Disse o detetive Roberto - o assassino usa os símbolos dos doze trabalhos de Hércules, em um dos trabalhos, a captura da corça, Hércules usa uma flecha para atingir a perna do animal que tinha chifre de ouro, e corria assombrosamente. Tínhamos uma corrida de avestruzes aqui, que é extremamente veloz, o chifre de ouro era o próprio vereador com toda sua riqueza, atingido na perna por uma flecha. O signo dele é de câncer, o quarto signo dos zodíacos, ele é a quarta vítima. Agora sabemos a ordem que ele usa, é só descobrir qual o próximo trabalho de Hércules que ele fará uso, ver o signo correspondente para tentarmos parar esse cara e evitar a morte da quinta pessoa".
"Roberto, você é brilhante, vamos para a sala de investigações novamente, não podemos perder tempo, dessa vez ele não nos escapa".
Saímos no mesmo instante, não havia mais tempo a perder.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

CONTOS INSPIRADOS NA BÍBLIA. #1#


O MENINO E A FUNDA.



 Nas campinas de Belém, cidade da Palestina, na parte central da Cisjordânia, quase na saída, vivia certo efrateu do Clã de Perez. Sua casa era enorme, e não era para menos, pai de números filhos, e de duas belas donzelas, Jessé trazia na face às marcas do tempo e do trabalho duro. Conhecido na comunidade, homem de respeito, possuía uma modesta criação de ovelhas, da qual tirava o sustento da família. O viúvo Jessé, era também conhecido por comercializar os queijos mais saborosos de toda Belém. Alguns de seus fregueses vinham de cidades próximas, de Beit-Jala e outros de Beit-Sahour.
 Acontece que, aqueles tempos eram conturbados, o povo, que recentemente era governado pelos Juízes, queria agora uma nova e inovadora política, rejeitaram a teocracia divina e clamavam pela monarquia dos homens, a exemplo de outros povos. A princípio Jessé foi contra, por ser de posição política teocrática conservadora, porém, foi aos poucos convencido pelos filhos a mudar a posição 'radicalista', afinal, a comunidade inteira desejava um rei, e a monarquia realizava os desejos do povo.
 Pouco depois desses acontecimentos conturbados,  o rei foi escolhido, surgiu entre o povo, e pelo povo. O escolhido tinha as características do povo, o cheiro do povo, era sem dúvidas, na visão de todos, o perfeito primeiro rei daquelas pessoas simples. 
 Eliab, era o filho mais velho de Jessé, moço forte, habilidoso no manejo da espada, cortejado pelas mulheres, estava ansioso para começar a servir no recém-criado exército de Saul, o novo rei tinha idéias inovadoras. Os irmãos Abinadab e Simaa, seguiram o exemplo do irmão mais velho, seriam guerreiros do exército do Deus vivo.
 Na casa ficaram os demais filhos, responsáveis pela produção e venda dos queijos. As duas filhas, Závia e Abigail, eram as responsáveis por cuidar da casa. Restava ainda o filho mais novo de Jessé, Davi, rapaz muito magro, cabelos ruivos, tocador de lira e poeta nas horas vagas. O jovem e sonhador Davi nutria uma profunda admiração pelo irmão mais velho, desejava ser guerreiro como ele, e um dia lutar com escudo e espada ao lado do rei Saul. Davi era pastor de ovelhas, responsável por cuidar do rebanho da família, passava a maior parte dos dias no campo, cheirava a ovelhas, cuidava e protegia às ovelhas.
 Os dias e as semanas se passavam.
 Muitas coisas aconteceram ao monarca.
 O novo rei com o seu exército conseguiram excelentes vitórias sobre vários inimigos. Saul era ovacionado, querido, e com o ego inflado, acabou esquecendo que a primazia da Glória era para Deus, esqueceu também, que a obediência a Deus era primordial. Assim sendo, Saul desagradou ao altíssimo, que logo rejeitou o seu reinado, pedindo a Samuel, o seu profeta, que fosse a casa de Jessé, e entre os dele, ungisse o rei da qual Deus escolheu.  Já o homem Saul estava cego demais para ver que sua vaidade era o veneno de sua morte. 
 No decurso daquelas semanas, surgiram as primeiras notícias, alarmantes, que deixou a comunidade em pavor.
 Antes no entanto, aconteceu que Samuel fez uma visita a Jessé, e conforme Deus ordenou-lhe, ungiu a Davi como novo rei. Tanto Jessé quanto os irmãos não deram importância aos fatos, logo Davi, o pequeno Davi, pastor de ovelhas, pensavam, imaginaram se tratar apenas de uma cerimônia figurativa, em que o profeta desejava enfatizar a importância que eles deveriam dar a Davi. Assim passou os dias, e todos esqueceram daqueles fatos.
 Não demorou, e um dos inimigos do rei, os Filisteus, reuniram suas tropas para guerra e concentraram-se em Socó de Judá, e acamparam entre Socó e Azeca, em Efes-Domim. Saul e seu exército reuniram-se em acampamento no vale do Teberino, e se puseram em ordem de Batalha diante dos Filisteus. Os Filisteus ocuparam um lado da montanha, e Saul com sua tropas ocupou um lado da outra montanha, e havia um vale entre eles. Do lado dos Filisteus, saiu do acampamento, um grande guerreiro, como nunca antes visto. Chamava-se Golias de Gat, de quase três metros de altura. A sua armadura era descomunal, seu capacete era de bronze, vestia uma couraça de escamas, suas pernas eram protegidas por perneiras de Bronze, e escudo de bronze entre os ombros. A haste de sua lança era como uma travessa de tecelão, a ponta de sua lança era assustadora.
 De um lado estava Saul e seu exército, assustados com Golias, de tudo o que já haviam enfrentado nada se comparava ao gigante. Eliab, irmão do Jovem Davi, era um dos capitães que compunham o corpo dos soldados, estava igualmente apavorado, lembrou-se da sua família, de como estaria o pai Jessé e seus irmãos...
 A situação permaneceu dessa forma por quase quarenta dias, tanto pela manhã como pela tarde, o gigante Filisteus ia perante suas linhas e dizia: “Por que saístes para travar batalha? Não sou eu Filisteu e vós servos de Saul? Escolhei entre vós um homem, e venha ele competir comigo. Se me dominar e me ferir seremos vossos escravos; se, porém, eu vencer e ferir, vós sereis nossos escravos e nos servireis”. Dizia o gigante, sua poderosa voz ecoava pelo vale todo, e disse mais. “Hoje lanço um desafio às fileiras de Israel. Dai-me um para que combatamos juntos”. Saul teve medo, todos no seu exército tiveram grande medo, do menor ao maior soldado, entretanto,  nenhum deles ousou comentar uns com os outros a respeito. Em silêncio estavam, em silêncio permaneceram. Nenhum soldado se apresentava para lutar com o gigante...
 Na casa de Jessé havia apenas rumores da suposta batalha, informações desencontradas aqui e ali, preocupado com os filhos, e os soldados que lá estavam, teve a ideia de enviar o filho mais novo para levar suprimentos para os comandantes, que entre eles estava justamente Eliab, Abinadab e Samaa. Jessé pediu para que Abigail chamasse Davi no campo. Algumas horas depois, surgiu o jovem, todo sujo, com a funda na mão.
 ─ Desejas falar comigo meu pai?   Perguntou o Jovem.
 ─ Sim, aproxime-se. Disse Jessé.
 ─ O que desejas meu pai?
 ─ O que fazes com esta funda nas mãos?
 ─ É minha arma de guerra meu pai, com ela matei urso e leão defendendo nossos rebanhos essa semana.
 ─ Tu e tuas histórias Davi.
 ─ Não são histórias papai...
 ─ Cala-te, agora escute com atenção. Peço-te que leves aos teus irmãos esta vasilha de grãos tostado estes dez pães: vai rápido ao acampamento levá-los aos teus irmãos. Estes dez queijos oferece-os ao chefe de mil. Pergunte ao rei sobre a saúde dos teus irmãos.

 Davi saiu de madrugada, deixou o rebanho aos cuidados de um vigia, apanhou as suas coisas, colocou a funda de lado do corpo e foi.
Chegou ao acampamento exatamente no momento em que os exércitos colocavam-se em fileira, deixou rapidamente as coisas nas mãos do bagageiro, responsável por entregar as coisas trazidas aos soldados, e foi para linha de frente saber dos irmãos. Viu toda a cena, que se repetia já há quarenta dias. Vendo que ninguém se manifestava, indignado, perguntou aos soldados o que se faria para aquele que matasse o gigante, e eles o disseram, 'assim e assim'. O seu irmão, Eliab, vendo aquilo se indignou contra Davi, expulsando-o. Davi perguntava a outros, que repetiam as mesmas coisas. Logo os soldados relataram os fatos ao rei, que imediatamente mandou chamá-lo.
 ─ Que desejas meu jovem?
 ─ Que ninguém perca a coragem por causa daquele gigante meu rei. O teu servo irá lutar com ele.
 Saul riu na mesma hora, então respondeu:
 ─ Tu não poderás ir contra esse gigante para lutar com ele, porque não passas de uma criança e ele é um guerreiro desde a juventude.
Davi não se deu por vencido, e continuou:
 ─ Meus rei, teu servo quando apascentava ovelhas de seu pai e aparecia um leão ou um urso que as arrebatará do rebanho, eu os perseguia e o atacava e arrancava a ovelha de sua goela; e, se vinha contra mim eu o agarrava pela juba, o feira e o matava. O teu servo venceu o leão e o urso, e assim será com este gigante. Quem ele pensa ser para desafiar o exército do Deus vivo.
 Saul olhou-o de alto a baixo, depois de alguns segundos pediu-lhe para ir e vestir sua armadura para lutar contra o gigante. O garoto assim fez, mas a armadura era grande demais para ele, o garoto então disse que iria sem armadura, o rei concordou, imaginando que ele, ao ver o gigante desistisse de seu intento.
 Davi desceu ao riacho, pegou sua funda, o seu cajado, escolheu cinco pedras, colocou no embornal, e foi contra o filisteu, que naquele momento estava de frente ao seu exército, escarnecendo de todos. Do alto da montanha Eliab viu aquela pequena figura aproximar-se de Golias, aquele soldado desconhecido que Eliab viu, havia aceitado o desafio do gigante.
 ─ Quem é aquele? Ainda sem armadura. É loucura.
 ─ Aquele é Davi, respondeu Abinadab irmão de Eliab, olha, é ele mesmo, vai morrer lá, que pensa nosso irmão que está fazendo com aquela funda girando.
 O impossível desenhou-se diante dos olhares da multidão, espanto e medo por parte dos Filisteus, o pequeno jovem, com apenas uma funda matou o gigante, que caiu diante do pequeno valente, Davi ainda arrancou-lhe a cabeça usando a própria espada de Golias. Do outro lado, espanto e admiração por parte do exército de Saul, ao ver o jovem vencer um gigante com apenas uma pedra, gritos e festejos se fez ouvir. Todos os soldados perguntavam quem era aquele, Eliab tentava dizer que era o seu irmão menor, Davi. Mas a multidão de soldados gritavam: “É o menino da funda”.  O menino da funda foi chamado na presença do rei, Saul ainda não sabia que aquele menino, sujo, ainda com a funda nas mãos, era na verdade o novo rei escolhido por Deus.






MOSAICO DE SENTIMENTOS NUS.

           As janelas do castelo estavam abertas, escancaradas ao público de modo que era possível ver dentro do reino.      Nos recônditos ...