A cidade de Mor vivia tempos difíceis, um assassino estava à solta, e os moradores estavam aterrorizados. Muitos evitavam sair de suas casas à noite, e não era para menos caríssimo, considerando que as últimas três mortes aconteceram em um curto período de tempo. As circunstâncias dessas mortes eram muito bizarras, no mínimo mirabolantes. A cidade estava repleta de policiais, a notícia das mortes correu rápido, as cidades circunvizinhas sabendo da gravidade do caso mobilizaram-se e enviaram reforços policiais no intuito de nos ajudar a capturar o misterioso assassino.
O corpo do advogado Dr.Busiris já havia sido removido para o necrotério, o resultado da autópsia demoraria alguns dias, as autópsias das outras três mortes foram enviadas para a nossa equipe de investigações. Nós reunimos na sala de investigações tentando desvendar aquele difícil mistério. "Senhores - Eu disse chamando a atenção de todos - agora não nos resta dúvidas de que estamos diante de um serial killer, extremamente perigoso, inteligente, e preparado". "O que faremos se não foi encontrada nenhuma pista desse cara, ele parece um fantasma, não deixa rastros, nenhuma digital, nada, vai dar trabalho capturá-lo". Questionou um dos senhores.
"O melhor a fazermos agora é nos atermos às informações que levantamos até o momento, e, tentar decifrar os enigmas desse sujeito, ele deixou sim rastros, que são esses enigmas, cabe a nós decifrá-los". "Isso mesmo Abderis, é o melhor a fazermos". Tentei incoraja-lo."Mesmo porque delegado Apolo, estamos nos deixando levar pela crueldade das mortes, se observarmos melhor tá muito evidente, pelo menos para mim, o método desse cara". Disse Roberto, o investigadores mais novo da equipe, e extremamente inteligente. "Como assim Roberto - lembro-me de você questiona-lo - explique-nos melhor, que método é esse?". "Vejam bem. A primeira vítima era o prefeito, Diomedes, foi morto no estábulo por éguas que possivelmente tenham sido drogas para ficarem extremamente agressivas. A segunda morte foi a do vice-prefeito, Dr. Minos, um crânio de touro cravado no seu peito com um diamante cravado no crânio, e um labirinto em volta dele. A terceira vítima o advogado, Dr. Busiris, foi asfixiado com duas maças introduzidas em sua boca, pintadas a ouro, e havia duas serpentes no recinto. E nas suas frontes o nome Hércules e um numero em sequencia, sem dizer dos signos do zodíaco, Áries, Touro, e Gêmeos. Isso me leva a crer que ele está se utilizando de símbolos ligados aos doze lendários trabalhos de Hércules e do zodíaco, eu fiz um trabalho sobre isso na faculdade, mitologia grega". Rapaz inteligente… "Interessante Roberto… Interessante… Como eu não percebi isso antes, só pegarmos os doze trabalhos de Hércules e tentarmos antecipar o seu próximo passo". "Olha… Não quero desanimar ninguém, mas… Existem várias sequências diferentes desses trabalhos descritas por autores diferentes, cada um narra os doze trabalhos em uma sequência diferente uns dos outros, se realmente ele utiliza essa ordem ligada aos signos, teremos outra vítima, do signo de câncer". "Roberto, por favor, fique encarregado de descobrir qual a ordem certa dos trabalhos de Hércules que ele está se utilizando, enquanto isso retornaremos a cena dos crimes. Se quiser, utilize a biblioteca municipal para alguma pesquisa". "Tudo bem delegado, qualquer novidade eu entrarei em contato".
Quase todos saímos, ficou apenas o Roberto e um policial para lhe dar proteção. Enquanto isso a cidade de mor se preparava para a grande corrida de avestruzes, um evento típico que tinha virado tradição em nossa cidade. Um dos vereadores, o mais conhecido da cidade, o responsável pelo evento, era o próprio dono das aves, ele quem iniciou a corrida anos atrás, a corrida acabou virando uma tradição, o enriqueceu também, um modo diferente de lavar dinheiro, com apostadores e tudo, Ageu era o nome desse vereador, ganhou muito dinheiro com a comercialização ilegal dessas aves, e era o único dos políticos que rejeitou a proteção da polícia, contratou segurança particular.
O evento estava marcado para as sete horas da noite, em um local aberto próximo a prefeitura, uma arena havia sido montada em torno da pista de corrida, as arquibancadas estavam lotadas, um pouco mais acima das arquibancadas estava o camarote dos convidados da alta sociedade da cidade de Mor, políticos, empresários, pessoas desse nível. Montei um forte esquema policial para garantir a segurança do evento.
Enquanto na fazenda do prefeito.
A equipe já estava na casa, vasculharam em todos os cômodos e nada encontraram, eu tinha tomado depoimento dos antigos funcionários da fazenda, ninguém tinha visto nada de anormal, pelo menos nada disseram a mim, nenhum estranho tinha entrado na fazenda no último mês, somente os policiais. Ao vasculharem o local das mortes com aparelhos, que somente a equipe científica possuía para descobrir possíveis marcas de sangue, nada encontraram, no entanto, outra evidência foi descoberta, quase imperceptível, mas que trouxe ao caso um possível suspeito, era um pedaço bem pequeno de tecido, estava no estábulo, entre as tábuas, enrascado em uma pequena ponta de prego, quando o detetive mostrou-me o tecido, tentei ignorá-lo, mas os detetives guardou-o como evidência, era a primeira evidência certeira na verdade. "O que foi delegado, reconhece esse pedaço de tecido". Perguntou-me Abderis.
"Deve ser de algum trabalhador, eu imagino". Você… Sempre atento. "Talvez de algum policial, que ao ajudar retirar o corpo tenha rasgado a sua roupa sem perceber"."Não detetive, nada disso, nenhum policial desta cidade entrou nas cena do crime, esteve aqui só o pessoal da perícia, alguns policiais fazendo a ronda, na cena dos crimes não entraram policiais, eu lhe garanto detetive, eu estava presente no momento em que os corpos foram retirados. Só existe uma conclusão lógica para isso". "Qual?". "Ou o assassino está usando uma farda policial, que enganaria a todos nós, ou, o assassino é um dos seus policiais". Seu brilhantismo é… Nem sei como dizer… "Meu Deus… Isso é loucura, conheço todos eles, não acredito que seriam capazes de tal coisa, mas também a essa altura… Bom, não podemos confiar em mais ninguém". "Nunca se sabe delegado, principalmente quando se trata de um psicopata com dupla personalidade, se realmente for um dos seus policiais, ou se o assassino estiver disfarçado, se fazendo passar por policial, isso o coloca sempre a um passo à nossa frente". "Vou verificar isso Abderis, deixe comigo". "Tome cuidado, se ele estiver no nosso meio e perceber que descobrimos o seu disfarce, já era a única oportunidade de capturá-lo, vamos manter isso só entre nós dois tudo bem".
( Naquele momento o meu telefone tocou, era o policial Ariel, que estava no evento da corrida de avestruzes, o vereador Ageu havia sido ferido na perna por uma flechada no momento em que estava sendo fotografado ao lado da ave vencedora da corrida. A ambulância que estava no local o levou ao hospital da cidade. )
( Delegado - Disse Ariel do outro lado da linha - tem um problema aqui delegado, o vereador Ageu foi ferido com uma flecha na perna, agora a pouco durante o evento, estão levando ele para o hospital, estamos fazendo uma busca no local, é melhor o senhor vir aqui, talvez seja o assassino, tenho certeza que isso é obra dele.)
"Vamos logo delegado, estava cheio de policiais, isso só reforça a nossa tese. Disse Abderis".
Ao chegarmos ao hospital tempos depois, a trágica notícia, a flecha que feriu o vereador estava infectada por um veneno desconhecido. Quando eu peguei a ficha levei um tremendo susto, a data de aniversário batia com o signo de câncer, a data de nascimento do vereador era vinte e oito do seis, exatamente como o investigador Roberto havia predito na sala de investigações. Uma equipe foi enviada ao local da morte, e dessa vez o misterioso assassino deixou para trás o arco que utilizou para o arco utilizado para atirar a flecha no vereador, estava bem debaixo das arquibancadas, posicionado exatamente de frente com a vítima, mais uma vez o misterioso assassino atacou sem que ninguém percebesse. O vereador era a quarta vítima de Hércules.
HORAS DEPOIS.
Reunimos-nos na sala de investigações, mal entramos e recebi um chamado do necrotério, era urgente. Saímos todos na mesma hora rumo ao necrotério. Ao chegarmos lá, o médico legista estava muito assustado. No momento em que ia preparar os seus materiais para a necropsia do corpo, em um minuto que saiu da sala, ao retornar encontrou uma descrição na testa do corpo dizendo, Hércules e o número quatro, feita com bisturi cirúrgico, mas não era nenhum dos bisturis que havia ali com o médico.
"Não me resta dúvidas meus senhores - Disse o detetive Roberto - o assassino usa os símbolos dos doze trabalhos de Hércules, em um dos trabalhos, a captura da corça, Hércules usa uma flecha para atingir a perna do animal que tinha chifre de ouro, e corria assombrosamente. Tínhamos uma corrida de avestruzes aqui, que é extremamente veloz, o chifre de ouro era o próprio vereador com toda sua riqueza, atingido na perna por uma flecha. O signo dele é de câncer, o quarto signo dos zodíacos, ele é a quarta vítima. Agora sabemos a ordem que ele usa, é só descobrir qual o próximo trabalho de Hércules que ele fará uso, ver o signo correspondente para tentarmos parar esse cara e evitar a morte da quinta pessoa".
"Roberto, você é brilhante, vamos para a sala de investigações novamente, não podemos perder tempo, dessa vez ele não nos escapa".
Saímos no mesmo instante, não havia mais tempo a perder.
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