segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

UMA JORNADA NO TEMPO.



- Não mais vivemos no século 21 Richard. Essa sua obsessão pelo passado está se tornando doentia.
- O que tem gostar do passado? Aprendo mais a cada dia estudando o que as pessoas faziam no século 21.
- Você e suas loucuras.
- Me deixa Alfred, terminou o seu relatório, Aliás?
- Ainda faltam dados, tivemos problemas nessa semana com uma das unidades robóticas, a produção inteira parou por alguns minutos, graças ao sistema secundário não tivemos tantos danos, ainda sim, eles me pediram um relatório da unidade inteira.
- Boa sorte então.
 Alfred saiu do escritório, Richard continuava analisando documento antigos, todos do século 21, conseguidos no museu nacional. Tomou o elevador e subiu ao nível 5, robôs trabalhavam no novo protótipo, um veículo que anula a gravidade, podendo levitar, ir para todas as direções, comandado apenas pela voz do usuário. Verificou os protocolos na unidade central, tudo corria normalmente, não havia motivos para preocupações. Alfred resolveu que era hora de ir embora, ele estava na fábrica há quase dez horas, cinco a mais do permitido pela lei.
 Richard também havia deixado o escritório, foi direto para o estacionamento, sua unidade inteligente de transporte o aguardava. Estava um começo de uma noite fria, chovia naquele momento. A noite avançava com uma fúria silenciosa, as luzes da cidade acesa, prédios monumentais, no dia seguinte seria o lançamento dos novos veículos de gravidade zero, um milhão de unidades prontas para o uso. Era o futuro no próprio futuro.

Manhã seguinte.
No salão nobre da empresa,  um monumental evento foi preparado, convidados importantes, tudo pronto. O evento prestes a começar, transmitido ao mundo inteiro.  O sorriso largo no rosto do Cláudio, diretor da unidade, era a evidência do sucesso. Tudo corria bem… Em uma das mesas, mais afastadas da elite, estavam Richard e Alfred, conversando sobre diversos assuntos. Richard era o que mais falava, as suas recentes descobertas e suas possibilidades o deixou eufórico.
- Esse assunto novamente Richard, você não desiste mesmo do século 21.
- As possibilidades meu amigo, se minhas teorias estiverem corretas, será um marco na história humana, sempre se falou sobre isso, nunca se tentou, veja, se eu conseguir provar a possibilidade de viagem no espaço tempo, meu nome ficará na história.
- Ou, na plataforma eletrônica de algum sanatório.
- Essa noite… Essa noite Alfred, vou provar minhas descobertas…
- Tudo bem viajante do tempo… Agora preste atenção no evento e se concentre nos convidados. Teremos que gerar um relatório dessa apresentação.
- Relatórios…. Relatórios… 
Enquanto a apresentação seguia o seu curso, com a demonstração de toda nova tecnologia do veículo, Richard perdia-se em pensamentos. A possibilidade de voltar no tempo, revisitar momentos da história, o próprio século 21, o ano de 2020, ano da grande terceira guerra, ou quem sabe até antes disso. Tudo o encantava, mas, ele concordava que ainda faltava cálculos a serem feitos. Quais os efeitos no corpo e na mente? Uma desconstrução molecular e uma reconstrução segundos depois? A criação de uma ponte de Einstein house? O uso da energia escura?
Um pequeno buraco negro criado em um laboratório experimental? Perguntas e mais perguntas, eram possibilidades com muitas variáveis, mas, ele estava disposto a tudo para atingir seu objetivo. A noite do dia seguinte seria decisiva para Richard, foram anos de estudos, anos juntando recursos e materiais para construção de seu primeiro protótipo de máquina do tempo, inúmeros testes foram feitos com cobaias, ao que analisou, todas com sucesso. Agora a cobaia do último teste seria ele.

Richard acordou cedo, estava bem disposto, seria um dia importante para ele, onde finalmente, se provaria que é possível a viagem no tempo. Faltava apenas os últimos preparativos, a máquina estava pronta, o último elemento que seria adicionado a ela era uma cápsula contendo energía escura e partículas que ele chamava de elementares. Esses dois, 'ingredientes', permitiria dobrar para trás o espaço tempo, como uma folha permitindo a viagem no espaço tempo. Sua máquina deformaria o espaço tempo de modo a fazer uma espécie de portal nessa dobra. O ano pretendido era 2020. Mas antes, ele teria que passar na empresa, fazer uma pequena visita, para que ninguém desconfiasse. A única pessoa que sabia parcialmente da ideia, porém, não da máquina, era o amigo Alfred. Tudo estava planejado, cada detalhe.
Foi direto para empresa, a inauguração aconteceria em poucos minutos. Havia muitos convidados importantes de várias nacionalidades, todos ansiosos para apresentação. Richard foi direto para o centro de transmissão onde o amigo estava. Encontrou-o impaciente.
- Richard, você está atrasado, daqui a dez minutos abriremos a unidade, por onde você andou?
- Eu… É que não estou me sentindo muito bem, acho que foi alguma coisa que comi.
- Já sei… São aquelas porcarias do século passado, o modo primitivo deles se alimentarem foi proibido a anos Richar, você sabe disso.
- Lá vem você com seus sermões. Tudo pronto aí.
- Sim claro, acha que sou o quê?
Assim que a transmissão começou, Richard aproveitando da grande movimentação que estava no salão, e do fato do amigo estar muitíssimo atarefado, disse não estar bem, retirou-se alegando tonturas. Era o que precisava, no meio do alvoroço, pegou a última peça que faltava, um transmissor criado por ele, que iria funcionar como um GPS para direcioná-lo através do espaço tempo assim como para trazê-lo de volta. Foi diretamente para sua casa, chegando,  direto para a garagem, acoplou o GPS multidimensional no peito, acionou a máquina, definiu o local tempo e espaço, por fim, ligou…
Richard estava eufórico, tudo àquilo representava o trabalho de sua vida, e, poderia acabar em nada, como em dar muito certo. Ligou o último botão, posicionamento na rampa, uma bola de luz azulada formou-se na na frente da máquina, de repente, de um estalo, a bola azulada engoliu a máquina que desapareceu, e o portal fechou-se. Tanto a luz como Richar. A máquina havia funcionado como previsto.

                                    *****

A luz azulada diminuiu a intensidade até se apagar por completo. Sua máquina havia funcionado, Richard estava em uma rua de paralelepípedo, em um beco estreito entre dois grandes prédios. Sua máquina estava programada para levá-lo ao futuro novamente depois de 48 horas. Richard levantou-se, não sabia exatamente onde estava, mais a frente estava uma avenida, sem muito movimento. De fato, aquele era o século passado, o impossível acabará de acontecer, ele voltou um século atrás. Em um lugar completamente desconhecido para ele. Seu olhar atento, observava tudo, pessoas, vestimentas, carros, o modo de vida. Tudo exatamente como ele havia estudado em sua longa pesquisa. 
Richard resolveu caminhar por aquela avenida desconhecida. As pessoas que passavam por ele olhavam-no com certa estranheza, suas vestes nada comum chamava a atenção, um pouco mais a frente, próximo ao que seria um ponto de ônibus segundo suas pesquisas, encontrou o que naquele século as pessoas chamavam de jornais. A data o espantou, 20 de junho de 2020. Era a prova definitiva do seu sucesso. Guardou o jornal. Era preciso caminhar um pouco mais, fazer análises, explorar a cidade, que na visão de seu povo no século futuro, era primitiva, impossível de se viver.
Richard estava eufórico, suas pesquisas finalmente deram resultado, dez anos de estudos. O local onde ele caminhava era completamente desconhecido, segundo sua máquina, era para ele estar na mesma cidade, ASTANA, porém, no século passado. Aquele lugar em nada parecia com a moderníssima e futurística cidade do século 22, ou, talvez realmente fosse, mas, do século passado. Richard voltou no ponto de ônibus onde deixará o jornal, analisou-o novamente. O jornal dizia: ' O diário de Sorocaba, 20 de junho de 2020'. Na primeira página estava a seguinte reportagem. ' Tensão no Oriente médio'. Richard estava no lugar certo, àquela cidade, um século a frente se transformaria na futurista Astana. Ele se viu privilegiado, o homem do futuro, que, agora no passado, sabia exatamente o que aconteceria nos próximos anos. Entretanto, quem acreditaria em suas palavras? Ele tinha exatas 40 horas restantes. Não havia muito o que fazer. Richard resolveu caminhar, talvez pegar algumas provas para levar consigo, mas, algo incomodava suas ideias. Quem no futuro acreditaria? Certamente que ele seria taxado de mentiroso, que furtou artefatos de museus para dizer que foi ao passado, seria até preso. Revelar sua máquina também não era uma ideia boa. 
Richard caminhou por muito tempo, chegou no que naquele século chamavam de zoológico. Haviam muitas pessoas, que, adentravam naquele local por uma, 'catraca eletrônica', como chamavam. Era preciso o dinheiro da época, ele não havia trago nada, de modo que seria impossível entrar. Richard sentou-se próximo ao local, ficou apenas observando a multidão enfileirada, foi quando percebeu, que ninguém pagava para entrar. 'A entrada deve ser gratuita', pensou. Não custava arriscar. Entrou na fila, na entrada havia dois guardas monitores, que nada disseram, apenas olhavam aquele homem de vestes estranhas entrando no local, porém, não deram mais atenção. Richard estava livre para fazer pesquisas e análises, pois, muitos daqueles animais estavam extintos no seu tempo. Restava-lhe apenas 35 horas de exploração. Embora não compreendesse muitas coisas daquele tempo, e, percebendo que era inútil tentar provar para alguém que era do futuro, assim como seria improvável que, uma vez de retorno ao futuro, ninguém acreditaria em suas palavras. Restava-lhe apenas explorar e desfrutar do momento único da sua vida.

Faltavam algumas horas para o seu retorno ao futuro, Richard deixou o local, foi quase que correndo para onde sua máquina estava. Por sorte ninguém a notou naquele beco estreito e escuro. Richard sentou-se na máquina, ligou-a, acionou o campo de força, direcionou o local para o retorno. A mesma luz azulada, em poucos segundos viu-se de retorno a garagem de sua casa, tudo parecia bem. Desligou a máquina, fechou a garagem. Ao entrar na sua casa havia uma chamada de seu amigo no dispositivo de comunicação. Acionou-o, o holograma de Alfred apareceu.
- O que você quer? Perguntou Richard.
- Quero saber como você está? Já chegou em sua casa?
- Sim, faz horas que estou aqui.
- Como assim, faz cinco minutos que você saiu daqui.
- Claro que não, faz quase cinquenta horas que estou em casa.
- Meu Deus Richard… Vai descansar, você não está bem, nos vemos amanhã.
O amigo desligou.
Curioso Richard olhou no relógio, Alfred estava certo, no seu tempo presente havia se passado alguns minutos, mas, no tempo do passado, havia se passado quarenta horas. Richard arquivou todas aquelas informações, seu experimento funcionou, ele estava agora pronto para novas incursões no passado, e descobrir um modo de mostrar ao mundo moderno o mundo passado, e ao passado, o mundo moderno.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

NOVELA 6° CAPÍTULO.

A morte do prefeito Leônidas trouxe grande comoção aos moradores de Mor, era o nosso quinto caso seguido, o assassinato do novo prefeito extrapolou todos os limites colocando os moradores em total desespero. O corpo de Leônidas estava diante de mim, os olhos arregalados e a marca de dedos no pescoço, com a mesma inscrição enigmática na testa, Hércules, e o número cinco em algarismos romanos. Naquele momento estavam presentes mais dois investigadores, e dois secretários da prefeitura, todo o quarteirão foi cercado e isolado, a prefeitura também foi cercada, os policiais fizeram uma busca em cada cômodo em cada canto do prédio e nada foi encontrado - veja você - nenhum sinal de arrombamento, tudo estava no seu devido lugar.
    As marcas dos dedos no pescoço da vítima eram bem visíveis, fotos foram tiradas e todo o ambiente vasculhado, e mais uma vez nada foi encontrado, não havia sinais de digitais desconhecidas no gabinete, eu estava nervoso, acendi outro cigarro enquanto observava a terrível cena, pedi para um dos rapazes que estava acompanhando as investigações que pegasse os depoimentos de todos os funcionários, para ver se alguém tinha notado qualquer coisa estranha ou alguém desconhecido. Como nós dois tínhamos em mente um suspeito, tivemos uma ideia para tentar sanar a dúvida é capturar o assassino.
"Por favor, policial - eu disse a um dos policiais que ali estavam - emitam um chamado, quero que todos os policiais estejam aqui em meia hora, nos reuniremos na sala de reuniões da prefeitura. Isso é urgentíssimo". "Tudo bem delegado". Respondeu-me o policial.


    Meia hora depois estavam todos os policiais reunidos na sala, cerca de cem policiais ou mais, a prefeitura ficou congestionada com o número enorme de viaturas e motos, em poucas horas uma multidão de pessoas se aglomeraram na frente da prefeitura, todos curiosos por saberem o que tinha acontecido. Eu e você entramos primeiro na sala, havia um silêncio absoluto, meus olhos atentos percorreu toda a sala, os meus anos à frente da delegacia me fez conhecer cada policial que estava sob meu comando, e até os das cidades vizinhas eu os conhecia, logo percebi que faltava um, não disse nada, apenas pisquei discretamente para você, que entendeu o recado. "Senhores… Obrigado pela rapidez, chamei-os aqui para ressaltar a necessidade de um maior esforço da nossa parte para capturar o assassino, sem uma ajuda mútua dos senhores jamais conseguiremos, de hoje em diante apenas lhes peço que reforcem as rondas, que trabalhem em número de três em cada viatura, e também quero um relatório na minha mesa no final de cada turno, obrigado mais uma vez, os senhores estão dispensados, podem voltar aos seus postos, e boa sorte". "Muito bom delegado - Você disse - dessa vez ele não nos escapa".
    O corpo do prefeito foi levado para o necrotério, enquanto eu e você retornamos para a sala central. Apenas alguns dos investigadores estavam na sala conosco, e havia novidades importantes que ajudaria no caso. "Alguma coisa"? Você perguntou.  "Sim… Temos - Respondeu-nós Roberto - Os cortes feitos na testa das vítimas com o nome de Hércules e a numeração, pela precisão e profundidade, indicam serem feitos por alguma ferramenta extremamente afiada, o mais provável é que seja um bisturi cirúrgico, ou uma gilete. "Muito bem, obrigado Roberto, eu tenho um palpite e também um plano, vou precisar da ajuda dos senhores, dessa vez ele não nos escapa". "Roberto… Você já descobriu qual a ordem certa dos trabalhos de Hércules que o assassino está usando". Perguntei. "Descobri sim Apolo, e veja só, o sexto trabalho é a tomada do cinturão de Hipólita, neste trabalho o destemido herói toma da Rainha das amazonas e o seu cinturão, mas ele acaba matando-a, e também o sexto signo é o de virgem. Outra coisa, esses dias percebi que um dos seus policiais estava com a parte inferior da farda com um pequeno rasgo, sem que ele percebesse eu o fotografei, depois comparei a foto que tirei com o pedaço que encontramos no estábulo, e não é que bateu, portanto eu já sei que esse indivíduo é a suspeita mais provável dos senhores, estou certo".
"Brilhante Roberto, simplesmente brilhante, você está corretíssimo, agora é só arquitetar o plano que se dará da seguinte maneira"... 
Você começou a explicar o seu plano. Era costume na cidade de Mor ter um concurso de beleza todos os anos, todas as moças da cidade e das cidades circunvizinhas participaram, e o concurso seria nas próximas semanas, embora o clima da cidade fosse de medo, as autoridades políticas - às minhas ordens - resolveram que não iam impedir o concurso de acontecer, as rondas policiais seriam reforçadas, o povo tentava assimilar tudo o que estava acontecendo, os anúncios do concurso foi espalhada, mesmo temerosa, a população de Mor ainda buscava ânimo para participar da tradicional festa. 

                                 *****

    Na praça principal da cidade foi montado um grande palco - era o dia do concurso - estava cheio de luzes e enfeites, arquibancadas foram montadas, pessoas importantes foram convidadas, tudo estava pronto, policiais estavam posicionados em diversos locais estratégicos, deixei alguns fora do esquema propositalmente, principalmente o policial da qual desconfiávamos.
    O evento começou às cinco da tarde, muitos camarins foram montado, um em especial seria a da ganhadora do concurso, eu e você estávamos disfarçados no meio da multidão, um dos detetives estava próximo aos camarins, o concurso começou. Tudo corria na sua normalidade, quase ao final do concurso recebi um telefonema de meu informante dizendo que o suspeito tinha acabado de sair da delegacia, dizendo que teria que atender um chamado policial, a delegacia era próxima do evento, em menos de dez minutos o suspeito estaria ali, era necessário agir com rapidez.
    Enquanto isso, a garota que era a favorita é provável a ganhar do prêmio, estava no camarim se preparando para desfilar pela última vez, tudo indicava que ela seria a campeã das outras três selecionadas, do lado de fora, nos preparamos.
"Abderis é agora". Eu disse usando um pequeno rádio portátil. Em poucos minutos depois de se desvencilhar da multidão,  chegamos ao camarim principal onde a garota estava, chamamos pela moça por várias vezes, mas ela não respondia, você estranhou o silêncio no camarim, então usou da força para arrombar a porta, qual não foi a nossa surpresa, bem diante dos nossos olhos, com uma faca nas mãos toda ensanguentada, estava o policial suspeito, mas era tarde demais, a moça que era a cotada a ganhar o concurso já estava morta. Ela tinha apenas dezesseis anos, era filha de um dos vereadores da cidade, seu nome era   ngela. "Mãos para o alto seu desgraçado, maldito". Você gritou pronto a disparar. "Tarde demais senhores, tarde demais… Tudo está feito". Disse o assassino sorrindo sarcasticamente enquanto jogava a arma do crime no chão. "Cale a boca e coloque as mãos onde eu possa ver". Você prosseguiu.     Naquele momento outros policiais chegaram, entraram no camarim, assustados eles não acreditavam no que os seus olhos viam, o plano não tinha funcionado como eles esperavam, o que nós não imaginávamos é que o assassino fosse rápido demais. O assassino era mesmo um dos meus polícias, era o mais velho deles, ele foi algemado e levado para a viatura, à multidão estava assustada com a morte da filha do vereador, mesmo assim, aplaudiram a polícia por ter finalmente capturado o assassino. "Fim da linha para você Ariel, que decepção, logo você, meu melhor policial, foi difícil, mas conseguimos parar essa sua loucura". Eu disse o encarando com fúria. "Não se preocupe delegado… Estou apenas começando, não se esqueça de que são doze os memoráveis trabalhos, não se esqueça… São doze os gloriosos signos, não se esqueça… Aquilo que não terminei meus discípulos… Terminará, isso eu lhe garanto" - Disse o policial assassino no momento em que foi colocado na viatura da polícia.
    Assim fomos todos para a delegacia, regozijantes por termos capturado o assassino. A cidade agora poderia desfrutar da sua paz e tranquilidade cotidiana, embora as mortes das vítimas, tudo ficaria bem.
Mas… Havia algo que não se encaixava, o assassino praticamente se deixou prender, aquilo incomodou…

    



segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

CONTO.



( CONTO EM POESIA.  A HISTÓRIA DA CRIAÇÃO E DA QUEDA DO HOMEM. )


PASSOS NO PARAÍSO.

1.

No princípio fez céus e terra,
A terra figurava sem forma, inóspita,
O Espírito divino pairava sobre as águas,
Falou o verbo - E houve a luz,
Separou-as das trevas,
Falou o verbo - E houve firmamento,
Chamou-os de céus,
Falou o verbo - E juntou-se às águas,
Surge a terra, surge os oceanos,
Viu Deus que tudo era bom.

Falou o verbo - E resplandece a natureza,
Floresce toda beleza, perfumes, cores,
Falou o verbo - E brilhou as estrelas,
Constelações bailarinas no céu negro,
Ao dia designou o sol,
Para a noite fez a lua,
Era o começo da criação,
Da mente divina tudo bem feito,
De tudo fez distinção,
Viu Deus que tudo era bom.

Criou a diversidade marinha,
Aves grandiosas e pequenas,
Falou o verbo - E houve grande fauna,
Encheu-se a terra de toda sorte de animais,
Falou o verbo - E brilhou a jóia da criação,
O fez a sua imagem e semelhança,
Deu a ele todo o domínio,
Um mundo inteiro para governar,
Alegrou-se Deus em seu coração,
Viu que tudo era muito bom.

2.

Assim terminado céu e terra,
Ao dia sétimo descansou,
Abençoou-o dando-lhe por sagrado,
Essa é a história da criação,
Céu e terra formados,
Não havia na terra chuvas,
Nem homens para à cultivar,
Solo virgem, imaculado,
Entretanto,
Do manancial terrestre tudo regava,
Terra e água misturados, o barro,
Da argila moldou o homem,
Insuflou-lhe hálito vivente.

No Éden foi colocado,
Do jardim o homem iria cuidar,
Plantou Deus frutíferas árvores,
Também a do bem e do mal,
O rio de quatro braços regava-o,
Pison, Havilá, onde ouro há,
Reluzente metal,
Perfumes e pedras sem igual,
Pison, terceiro braço envolto a cuch,
Tigre, Eufrates, a leste da Assíria,
Presenteado foi o homem estando lá,
Foi lhe dada certa ordem, 
"De 'quase' tudo comerás".

"Porém" - disse o criador,
"Da árvore do conhecimento não tomarás",
Disse-lhe também,
"Não é bom que estejas só",
"Far-lhe-ei a sua outra metade",
Criou aves, animais e toda espécie,
Ao homem levou-os para nomear,
De bom grado Adão os classificou,
Entre os tais igual não achou,
Deu-lhe Deus profundo sono,
Tirou-lhe a costela do meio,
E dela fez bela mulher,
Alegre disse Adão,
"Ossos dos meus ossos",
"É carne da minha carne",
E a mulher chamou-a de Eva,
É mistério da criação,
De um fez dois,
Dois que trona-se-a em um,
Nu estavam,
De nada se envergonhavam.


3.

Astuta serpente ao desagrado humano,
Dialogando ao gênero feminino,
Questionando-a das árvores comestíveis no jardim
A feminilidade inocente respondendo,
Quase tudo lhe era lícito, entretanto, uma não,
A morte seria certeza se de tal árvore tomar,
A astuta serpente destilou o seu veneno,
Enganou-a distorcendo o entender divino,
" Certamente não morrerás", disse mais:
" Como Deus altíssimo serás", continuou.

A mulher tomou a apetitosa fruta,
Que a mentirosa serpente ofereceu,
De tão saborosa que era ao lábios,
Ao seu apaixonado marido ofereceu,
Degustou o prazer que tem no pecado,
Percebeu na mesma hora a nudez que lhe vestia,
Vendo o seu erro, envergonhado ficou,
Soprava a brisa no final daquela tarde,
Ouviram passos no paraíso,
Era o altíssimo que se aproximava.

Disse o Deus com voz potente,
Ele, que todas as coisas conhece,
Repreendeu a astuta serpente,
Pela eternidade arrastava-se pelo ventre,
Proferiu antiquíssima sentença,
Entre a mulher e a sua descendência,
Sua voz dirigiu-se à mulher,
Multiplicou-lhe as dores da gravidez, era sentença,
E disse ainda mais, 
Que dominada seria pelo homem.

Continuou Deus com voz de trovão,
Pois dele não se esconde nem se escapa,
Repreendeu fortemente a Adão,
Pois que a mulher foi dar ouvidos,
Desprezando preciso conselho divino,
Selou o homem o seu terrível destino,
Comeria sempre do muito suor do seu rosto,
A mulher, chamou-a de Eva, mãe de todos viventes,
E assim expulsou-os do Éden o altíssimo,
E guardou-o a espadas de querubins.




terça-feira, 26 de novembro de 2019

NOVELA. 5° CAPÍTULO.



    A cidade de Mor estava assustada pelo que aconteceu com o vereador Ageu, o novo prefeito, Leônidas, decretou luto oficial de três dias. Os moradores evitavam ao máximo saírem de suas casas a noite, alguns até mudaram de cidade. Enquanto isso, tentávamos assimilar o novo acontecimento, as minhas suspeitas e as suas, indicavam de que o assassino poderia ser um dos meus policiais, isso ficava cada vez mais evidente. Embora nenhum dos policiais tivesse demonstrado atitudes que levantasse essas suspeitas.
    A rotina da cidade foi mudada de forma drástica, tudo no intuito de ajudar a capturar o misterioso assassino que se auto intitulava pelo nome de Hércules, as lojas fechavam mais cedo do que o costumeiro, os bares não ficavam abertos durante a madrugada, e depois das dez horas tinha toque de recolher pelos próprio moradores - veja só - se alguém fosse pego na rua seria denunciado à polícia e levado para à delegacia e liberado somente no dia seguinte, as rondas policiais ficaram mais intensas, um número maior de viaturas circulava pela cidade, eu tentava na medida do possível fechar o cerco do misterioso assassino, os senhores estavam bem dispostos a capturá-lo. Na sala de investigações você recebia as primeiras informações da causa da morte de algumas das vítimas. "Chegaram os resultados da morte do Dr. Busiris". Disse Roberto. "E ao que parece ele morreu envenenado, na maçã havia um tipo de toxina muito raro, uma mistura de vários venenos de diferentes espécies de serpentes, e com outras substâncias desconhecidas que provavelmente foram feitas artesanalmente, talvez algum coquetel outras toxinas combinadas, estamos analisando o veneno na ponta da flecha para ver se confere com os da maçã".
"Isso nos leva a crer que o assassino tem um conhecimento refinado de química e biologia, nós não estamos lidando com qualquer". Respondeu Abderis. "Outro fato importante que descobrimos, é que encontramos na ponta do chifre do crânio do touro, o provável mesmo tipo de veneno, que, por sua vez foi o verdadeiro responsável pela morte do vice-prefeito". "Se as nossas suspeitas estiverem corretas com relação ao método utilizado pelo assassino, a sua futura vítima terá que ter do signo de Leão, correto detetive Roberto". "Correto delegado, mas, imagino que os que tenham o signo de Leão sejam muitos, isso daria ao assassino a possibilidade de escolher suas vítimas, com mais calma e baseada em algum outro princípio". "Corruptos, ladrões, propinas, mensalão, essas são as característica das vítimas até aqui". "É bem isso delegado, eles tinham muitas acusações por vários crimes, eram para estarem presos não é mesmo delegado, mas como todo o político nesse país, roubam e ficam impunes". "Meu caro colega, neste país de corruptos se compra tudo, inclusive juízes, de certa forma o povo está certo quando dizem que este assassino possa ser um tipo de justiceiro. Muitos nesta cidade estão cansados de tanta injustiça e canalhice desses políticos corruptos, que roubam o dinheiro público. O que eu posso fazer? Digam-me, se o sistema em suas altas instâncias é igualmente corrupto". "Meu Deus… A coisa é bem mais complexa do que pensamos, se a esfera política desta cidade está toda contaminada, ele tentara matar a todos, ou quase todos". "Pessoal… Venham aqui, vejam o que eu descobri aqui nestas fotos, as do segundo assassinato, no labirinto". "O que tem o labirinto?" Perguntei curioso. "Se observarem bem a foto, o caminho que os senhores fizeram até o corpo tinha exatos doze circuitos até chegar ao centro, onde o corpo estava isso reforça a minha hipótese de que esse cara está se baseando nos doze trabalhos de Hércules para matar as vítimas, bem como nos doze signos do zodíaco, só tenho que descobrir a sequência certa dos trabalhos para tentar antecipar seus passos". "Canalha… Que tipo de maluco teria todo esse trabalho, qual o intuito disso tudo"? "De uma forma mais sutil, eu diria que ele usa a essência dos símbolos, a partir daí ele executa os seus crimes, cada trabalho tem um significado específico ligado aos signos, por esse motivo ele escolhe pessoas com os signos correspondentes aos trabalhos, acredito que este cara está muito próximo de nós, quem sabe disfarçado, não sei, acho que pode ser qualquer um nessa cidade, basta que ele se utilize, como eu disse, dos símbolos dos trabalhos. Outra coisa, ele quer público, quer que todas saibam o que ele está fazendo". "É… Tudo bem, eu concordo… Mas qual ordem seguir? Qual é o próximo trabalho"? -Perguntou Paulo, um dos seus investigadores. "Tenho um palpite, se me permitirem é claro". "Pode dizer Roberto, por favor". "Eu tenho três ordens aqui para os trabalhos, mas eu acredito que ele está seguindo a terceira das que eu separei, e na terceira a próxima vítima terá que ser do signo de leão, nesse trabalho que é o quinto trabalho de Hércules ele mata o leão de nemeia, usando a força de suas próprias mãos". "Delegado, na sua lista tem alguém que se encaixa, que seja do signo de leão, algum político envolvido com corrupção ou tráfico, qualquer coisa assim"? - Você perguntou. "Tem sim, uma pessoa muito conhecida aqui, que por sinal também está de certa forma envolvida com corrupção e tráfico de animais, tentei pegá-lo, mas o antigo prefeito o protegia, eu fiquei de mãos amarradas, tenho minha família eu não quis arriscar, vocês entendem né". "Tudo bem delegado, nós entendemos, você foi muito corajoso investigando todos esses caras, numa cidade tão pequena e com poucos policiais". "Então… Essa pessoa, que por sinal é o novo prefeito, era o presidente da câmara de vereadores e agora, atual prefeito, seu nome é Leônidas, ele tem uma loja de armas de caça quase na saída da cidade, será que ele é a próxima vítima"?
"Não sei, mas acho melhor irmos até a prefeitura e conversar com ele numa boa, vamos ver como ele está, e, mesmo sabendo que ele é um corrupto temos que protegê-lo, quero vê-lo preso e não morto". "Tudo bem Abderis, vamos lá". "Pessoal, esperem um minuto" - disse Paulo - "olha só o que eu acabei de descobrir, o arco de caça que matou a quarta vítima tem um selo com o preço, e é justamente da loja do novo prefeito, o desgraçado esqueceu-se de tirar a etiqueta". "Vamos então, uma equipe vai para a prefeitura, enquanto eu e Abderis vamos para a loja do prefeito ver se descobrimos quem comprou o arco nesses últimos dias". 
    Quase todos saímos, ficou somente um detetive na sala de investigações, o Paulo. A prefeitura ficava na mesma direção da loja, em poucos minutos a primeira equipe, a que estava sob a liderança de Roberto chegou à prefeitura. A loja ficava mais à frente, poucos metros dali, eu havia estacionado em frente a loja, que por sinal estava fechada, não havia ninguém dentro dela. Naquele momento o telefone do detetive que estava comigo tocou, era o Roberto. "Alô, Roberto; o que foi, achou algo, como… Repete… Não pode ser… não é possível, mais que merda, desgraçado, já  estou indo, espere aí não faça nada".
"O que foi"? -Perguntei, já imaginando o que seria.
 "O prefeito, eles o encontraram morto dentro do seu gabinete, com sinais de estrangulamento".
    Como a prefeitura era perto não demorou nada e já estávamos lá, entramos no gabinete e vimos a terrível cena, o prefeito ainda com olhos abertos e sinais de dedos no seu pescoço, como visível sinal de estrangulamento, algumas coisas da sua mesa estavam caídas no chão, sinal que houve uma resistência da parte do prefeito, os funcionários da prefeitura nada perceberam ninguém havia marcado nada com o prefeito, sem dizer que toda a prefeitura estava cercada por policiais, isso deixou a todos ainda mais intrigados e desconfiados, o assassino mais uma vez agiu bem debaixo dos olhos de todos sem ser visto. Na testa do prefeito a mesma marca, Hércules, e o número cinco.



segunda-feira, 28 de outubro de 2019

MINICONTO.

METEORO.





- Não sou nada, nunca…
- Quê isso Roberval! Para quê falar tão alto. Enlouqueceu.
- Não sou nada, nunca serei nada.
- Ê lá, já vai começar.
- Quieto Nivaldo, não perturbe o universo, ele está em ascensão planetária à quinta dimensão.
- Pronto…
- Nós temos que acessar a quinta dimensão.
- É hoje meu Deus.
- Como assim? O que aconteceu?
- Ue, você cara, com esses seus papos doidos.
- Você tem certeza disso? Posso perguntar para os universitários?
- Você tá ficando pior a cada dia.
- Eu estou muitíssimo decepcionado com a NASA.
- Com a NASA? Aqueles caras lá das naves e tudo mais?
- Sim.
- E o que a NASA fez para o senhor?
- Ela me enganou.
- Como assim? Te enganou.
- Eles disseram que essa noite iria passar um mega meteoro próximo a terra, com grande possibilidade dele se chocar conosco. E olha ai, ta todo mundo vivo, o meteoro passou e nada.
- Ai meu Deus! É sério que parei aqui só para ouvir isso.
- É decepcionante né.
- Um meteoro vai cair é lá agora, naquela senha, na frente do balcão, lotado de gente chata, exigem sem ter razão, menospreza que está do outro lado. Lá está nosso meteoro.
- Tá vendo… Até você está revoltado. É por isso que eu queria o meteoro caísse…
- Está revoltado com a situação é uma coisa, agora, desejar que um meteoro caia… Por favor, né Roberval.
- Você não compreende a beleza da coisa.
- Vamos abestado, você falou besteiras demais, e o mercado já vai abrir, aquele açougue vai ferver.
- Maldito meteoro que…
- Que você disse?
- Nada não… Vamos logo para não se atrasa.

domingo, 20 de outubro de 2019

NOVELA. 4° CAPÍTULO.

A cidade de Mor vivia tempos difíceis, um assassino estava à solta, e os moradores estavam aterrorizados. Muitos evitavam sair de suas casas à noite, e não era para menos caríssimo, considerando que as últimas três mortes aconteceram em um curto período de tempo. As circunstâncias dessas mortes eram muito bizarras, no mínimo mirabolantes. A cidade estava repleta de policiais, a notícia das mortes correu rápido, as cidades circunvizinhas sabendo da gravidade do caso mobilizaram-se e enviaram reforços policiais no intuito de nos ajudar a capturar o misterioso assassino.
 O corpo do advogado Dr.Busiris já havia sido removido para o necrotério, o resultado da autópsia demoraria alguns dias, as autópsias das outras três mortes foram enviadas para a nossa equipe de investigações. Nós reunimos na sala de investigações tentando desvendar aquele difícil mistério. "Senhores - Eu disse chamando a atenção de todos - agora não nos resta dúvidas de que estamos diante de um serial killer, extremamente perigoso, inteligente, e preparado". "O que faremos se não foi encontrada nenhuma pista desse cara, ele parece um fantasma, não deixa rastros, nenhuma digital, nada, vai dar trabalho capturá-lo". Questionou um dos senhores.
"O melhor a fazermos agora é nos atermos às informações que levantamos até o momento, e, tentar decifrar os enigmas desse sujeito, ele deixou sim rastros, que são esses enigmas, cabe a nós decifrá-los". "Isso mesmo Abderis, é o melhor a fazermos". Tentei incoraja-lo."Mesmo porque delegado Apolo, estamos nos deixando levar pela crueldade das mortes, se observarmos melhor tá muito evidente, pelo menos para mim, o método desse cara". Disse Roberto, o investigadores mais novo da equipe, e extremamente inteligente. "Como assim Roberto - lembro-me de você questiona-lo - explique-nos melhor, que método é esse?". "Vejam bem. A primeira vítima era o prefeito, Diomedes, foi morto no estábulo por éguas que possivelmente tenham sido drogas para ficarem extremamente agressivas. A segunda morte foi a do vice-prefeito, Dr. Minos, um crânio de touro cravado no seu peito com um diamante cravado no crânio, e um labirinto em volta dele. A terceira vítima o advogado, Dr. Busiris, foi asfixiado com duas maças introduzidas em sua boca, pintadas a ouro, e havia duas serpentes no recinto. E nas suas frontes o nome Hércules e um numero em sequencia, sem dizer dos signos do zodíaco, Áries, Touro, e Gêmeos. Isso me leva a crer que ele está se utilizando de símbolos ligados aos doze lendários trabalhos de Hércules e do zodíaco, eu fiz um trabalho sobre isso na faculdade, mitologia grega". Rapaz inteligente… "Interessante Roberto… Interessante… Como eu não percebi isso antes, só pegarmos os doze trabalhos de Hércules e tentarmos antecipar o seu próximo passo". "Olha… Não quero desanimar ninguém, mas… Existem várias sequências diferentes desses trabalhos descritas por autores diferentes, cada um narra os doze trabalhos em uma sequência diferente uns dos outros, se realmente ele utiliza essa ordem ligada aos signos, teremos outra vítima, do signo de câncer". "Roberto, por favor, fique encarregado de descobrir qual a ordem certa dos trabalhos de Hércules que ele está se utilizando, enquanto isso retornaremos a cena dos crimes. Se quiser, utilize a biblioteca municipal para alguma pesquisa". "Tudo bem delegado, qualquer novidade eu entrarei em contato".
 Quase todos saímos, ficou apenas o Roberto e um policial para lhe dar proteção. Enquanto isso a cidade de mor se preparava para a grande corrida de avestruzes, um evento típico que tinha virado tradição em nossa cidade. Um dos vereadores, o mais conhecido da cidade, o responsável pelo evento, era o próprio dono das aves, ele quem iniciou a corrida anos atrás, a corrida acabou virando uma tradição, o enriqueceu também, um modo diferente de lavar dinheiro, com apostadores e tudo, Ageu era o nome desse vereador, ganhou muito dinheiro com a comercialização ilegal dessas aves, e era o único dos políticos que rejeitou a proteção da polícia, contratou segurança particular.
 O evento estava marcado para as sete horas da noite, em um local aberto próximo a prefeitura, uma arena havia sido montada em torno da pista de corrida, as arquibancadas estavam lotadas, um pouco mais acima das arquibancadas estava o camarote dos convidados da alta sociedade da cidade de Mor, políticos, empresários, pessoas desse nível. Montei um forte esquema policial para garantir a segurança do evento.

   
Enquanto na fazenda do prefeito.

 A equipe já estava na casa, vasculharam em todos os cômodos e nada encontraram, eu tinha tomado depoimento dos antigos funcionários da fazenda, ninguém tinha visto nada de anormal, pelo menos nada disseram a mim, nenhum estranho tinha entrado na fazenda no último mês, somente os policiais. Ao vasculharem o local das mortes com aparelhos, que somente a equipe científica possuía para descobrir possíveis marcas de sangue, nada encontraram, no entanto, outra evidência foi descoberta, quase imperceptível, mas que trouxe ao caso um possível suspeito, era um pedaço bem pequeno de tecido, estava no estábulo, entre as tábuas, enrascado em uma pequena ponta de prego, quando o detetive mostrou-me o tecido, tentei ignorá-lo, mas os detetives guardou-o como evidência, era a primeira evidência certeira na verdade. "O que foi delegado, reconhece esse pedaço de tecido". Perguntou-me Abderis.
"Deve ser de algum trabalhador, eu imagino". Você… Sempre atento. "Talvez de algum policial, que ao ajudar retirar o corpo tenha rasgado a sua roupa sem perceber"."Não detetive, nada disso, nenhum policial desta cidade entrou nas cena do crime, esteve aqui só o pessoal da perícia, alguns policiais fazendo a ronda,  na cena dos crimes não entraram policiais, eu lhe garanto detetive, eu estava presente no momento em que os corpos foram retirados. Só existe uma conclusão lógica para isso". "Qual?". "Ou o assassino está usando uma farda policial, que enganaria a todos nós, ou, o assassino é um dos seus policiais". Seu brilhantismo é… Nem sei como dizer… "Meu Deus… Isso é loucura, conheço todos eles, não acredito que seriam capazes de tal coisa, mas também a essa altura… Bom, não podemos confiar em mais ninguém". "Nunca se sabe delegado, principalmente quando se trata de um psicopata com dupla personalidade, se realmente for um dos seus policiais, ou se o assassino estiver disfarçado, se fazendo passar por policial, isso o coloca sempre a um passo à nossa frente". "Vou verificar isso Abderis, deixe comigo". "Tome cuidado, se ele estiver no nosso meio e perceber que descobrimos o seu disfarce, já era a única oportunidade de capturá-lo, vamos manter isso só entre nós dois tudo bem".     

( Naquele momento o meu telefone tocou, era o  policial Ariel, que estava no evento da corrida de avestruzes, o vereador Ageu havia sido ferido na perna por uma flechada no momento em que estava sendo fotografado ao lado da ave vencedora da corrida. A ambulância que estava no local o levou ao hospital da cidade. )

( Delegado - Disse Ariel do outro lado da linha - tem um problema aqui delegado, o vereador Ageu foi ferido com uma flecha na perna, agora a pouco durante o evento, estão levando ele para o hospital, estamos fazendo uma busca no local, é melhor o senhor vir aqui, talvez seja o assassino, tenho certeza que isso é obra dele.)

"Vamos logo delegado, estava cheio de policiais, isso só reforça a nossa tese. Disse Abderis".

 Ao chegarmos ao hospital tempos depois, a trágica notícia, a flecha que feriu o vereador estava infectada por um veneno desconhecido. Quando eu  peguei a ficha levei um tremendo susto, a data de aniversário batia com o signo de câncer, a data de nascimento do vereador era vinte e oito do seis, exatamente como o investigador Roberto havia predito na sala de investigações. Uma equipe foi enviada ao local da morte, e dessa vez o misterioso assassino deixou para trás o arco que utilizou para o arco utilizado para atirar a flecha no vereador, estava bem debaixo das arquibancadas, posicionado exatamente de frente com a vítima, mais uma vez o misterioso assassino atacou sem que ninguém percebesse. O vereador era a quarta vítima de Hércules.


HORAS DEPOIS.

 Reunimos-nos na sala de investigações, mal entramos e recebi um chamado do necrotério, era urgente. Saímos todos na mesma hora rumo ao necrotério. Ao chegarmos lá, o médico legista estava muito assustado. No momento em que ia preparar os seus materiais para a necropsia do corpo, em um minuto que saiu da sala, ao retornar encontrou uma descrição na testa do corpo dizendo, Hércules e o número quatro, feita com bisturi cirúrgico, mas não era nenhum dos bisturis que havia ali com o médico.
"Não me resta dúvidas meus senhores - Disse o detetive Roberto - o assassino usa os símbolos dos doze trabalhos de Hércules, em um dos trabalhos, a captura da corça, Hércules usa uma flecha para atingir a perna do animal que tinha chifre de ouro, e corria assombrosamente. Tínhamos uma corrida de avestruzes aqui, que é extremamente veloz, o chifre de ouro era o próprio vereador com toda sua riqueza, atingido na perna por uma flecha. O signo dele é de câncer, o quarto signo dos zodíacos, ele é a quarta vítima. Agora sabemos a ordem que ele usa, é só descobrir qual o próximo trabalho de Hércules que ele fará uso, ver o signo correspondente para tentarmos parar esse cara e evitar a morte da quinta pessoa".
"Roberto, você é brilhante, vamos para a sala de investigações novamente, não podemos perder tempo, dessa vez ele não nos escapa".
Saímos no mesmo instante, não havia mais tempo a perder.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

CONTOS INSPIRADOS NA BÍBLIA. #1#


O MENINO E A FUNDA.



 Nas campinas de Belém, cidade da Palestina, na parte central da Cisjordânia, quase na saída, vivia certo efrateu do Clã de Perez. Sua casa era enorme, e não era para menos, pai de números filhos, e de duas belas donzelas, Jessé trazia na face às marcas do tempo e do trabalho duro. Conhecido na comunidade, homem de respeito, possuía uma modesta criação de ovelhas, da qual tirava o sustento da família. O viúvo Jessé, era também conhecido por comercializar os queijos mais saborosos de toda Belém. Alguns de seus fregueses vinham de cidades próximas, de Beit-Jala e outros de Beit-Sahour.
 Acontece que, aqueles tempos eram conturbados, o povo, que recentemente era governado pelos Juízes, queria agora uma nova e inovadora política, rejeitaram a teocracia divina e clamavam pela monarquia dos homens, a exemplo de outros povos. A princípio Jessé foi contra, por ser de posição política teocrática conservadora, porém, foi aos poucos convencido pelos filhos a mudar a posição 'radicalista', afinal, a comunidade inteira desejava um rei, e a monarquia realizava os desejos do povo.
 Pouco depois desses acontecimentos conturbados,  o rei foi escolhido, surgiu entre o povo, e pelo povo. O escolhido tinha as características do povo, o cheiro do povo, era sem dúvidas, na visão de todos, o perfeito primeiro rei daquelas pessoas simples. 
 Eliab, era o filho mais velho de Jessé, moço forte, habilidoso no manejo da espada, cortejado pelas mulheres, estava ansioso para começar a servir no recém-criado exército de Saul, o novo rei tinha idéias inovadoras. Os irmãos Abinadab e Simaa, seguiram o exemplo do irmão mais velho, seriam guerreiros do exército do Deus vivo.
 Na casa ficaram os demais filhos, responsáveis pela produção e venda dos queijos. As duas filhas, Závia e Abigail, eram as responsáveis por cuidar da casa. Restava ainda o filho mais novo de Jessé, Davi, rapaz muito magro, cabelos ruivos, tocador de lira e poeta nas horas vagas. O jovem e sonhador Davi nutria uma profunda admiração pelo irmão mais velho, desejava ser guerreiro como ele, e um dia lutar com escudo e espada ao lado do rei Saul. Davi era pastor de ovelhas, responsável por cuidar do rebanho da família, passava a maior parte dos dias no campo, cheirava a ovelhas, cuidava e protegia às ovelhas.
 Os dias e as semanas se passavam.
 Muitas coisas aconteceram ao monarca.
 O novo rei com o seu exército conseguiram excelentes vitórias sobre vários inimigos. Saul era ovacionado, querido, e com o ego inflado, acabou esquecendo que a primazia da Glória era para Deus, esqueceu também, que a obediência a Deus era primordial. Assim sendo, Saul desagradou ao altíssimo, que logo rejeitou o seu reinado, pedindo a Samuel, o seu profeta, que fosse a casa de Jessé, e entre os dele, ungisse o rei da qual Deus escolheu.  Já o homem Saul estava cego demais para ver que sua vaidade era o veneno de sua morte. 
 No decurso daquelas semanas, surgiram as primeiras notícias, alarmantes, que deixou a comunidade em pavor.
 Antes no entanto, aconteceu que Samuel fez uma visita a Jessé, e conforme Deus ordenou-lhe, ungiu a Davi como novo rei. Tanto Jessé quanto os irmãos não deram importância aos fatos, logo Davi, o pequeno Davi, pastor de ovelhas, pensavam, imaginaram se tratar apenas de uma cerimônia figurativa, em que o profeta desejava enfatizar a importância que eles deveriam dar a Davi. Assim passou os dias, e todos esqueceram daqueles fatos.
 Não demorou, e um dos inimigos do rei, os Filisteus, reuniram suas tropas para guerra e concentraram-se em Socó de Judá, e acamparam entre Socó e Azeca, em Efes-Domim. Saul e seu exército reuniram-se em acampamento no vale do Teberino, e se puseram em ordem de Batalha diante dos Filisteus. Os Filisteus ocuparam um lado da montanha, e Saul com sua tropas ocupou um lado da outra montanha, e havia um vale entre eles. Do lado dos Filisteus, saiu do acampamento, um grande guerreiro, como nunca antes visto. Chamava-se Golias de Gat, de quase três metros de altura. A sua armadura era descomunal, seu capacete era de bronze, vestia uma couraça de escamas, suas pernas eram protegidas por perneiras de Bronze, e escudo de bronze entre os ombros. A haste de sua lança era como uma travessa de tecelão, a ponta de sua lança era assustadora.
 De um lado estava Saul e seu exército, assustados com Golias, de tudo o que já haviam enfrentado nada se comparava ao gigante. Eliab, irmão do Jovem Davi, era um dos capitães que compunham o corpo dos soldados, estava igualmente apavorado, lembrou-se da sua família, de como estaria o pai Jessé e seus irmãos...
 A situação permaneceu dessa forma por quase quarenta dias, tanto pela manhã como pela tarde, o gigante Filisteus ia perante suas linhas e dizia: “Por que saístes para travar batalha? Não sou eu Filisteu e vós servos de Saul? Escolhei entre vós um homem, e venha ele competir comigo. Se me dominar e me ferir seremos vossos escravos; se, porém, eu vencer e ferir, vós sereis nossos escravos e nos servireis”. Dizia o gigante, sua poderosa voz ecoava pelo vale todo, e disse mais. “Hoje lanço um desafio às fileiras de Israel. Dai-me um para que combatamos juntos”. Saul teve medo, todos no seu exército tiveram grande medo, do menor ao maior soldado, entretanto,  nenhum deles ousou comentar uns com os outros a respeito. Em silêncio estavam, em silêncio permaneceram. Nenhum soldado se apresentava para lutar com o gigante...
 Na casa de Jessé havia apenas rumores da suposta batalha, informações desencontradas aqui e ali, preocupado com os filhos, e os soldados que lá estavam, teve a ideia de enviar o filho mais novo para levar suprimentos para os comandantes, que entre eles estava justamente Eliab, Abinadab e Samaa. Jessé pediu para que Abigail chamasse Davi no campo. Algumas horas depois, surgiu o jovem, todo sujo, com a funda na mão.
 ─ Desejas falar comigo meu pai?   Perguntou o Jovem.
 ─ Sim, aproxime-se. Disse Jessé.
 ─ O que desejas meu pai?
 ─ O que fazes com esta funda nas mãos?
 ─ É minha arma de guerra meu pai, com ela matei urso e leão defendendo nossos rebanhos essa semana.
 ─ Tu e tuas histórias Davi.
 ─ Não são histórias papai...
 ─ Cala-te, agora escute com atenção. Peço-te que leves aos teus irmãos esta vasilha de grãos tostado estes dez pães: vai rápido ao acampamento levá-los aos teus irmãos. Estes dez queijos oferece-os ao chefe de mil. Pergunte ao rei sobre a saúde dos teus irmãos.

 Davi saiu de madrugada, deixou o rebanho aos cuidados de um vigia, apanhou as suas coisas, colocou a funda de lado do corpo e foi.
Chegou ao acampamento exatamente no momento em que os exércitos colocavam-se em fileira, deixou rapidamente as coisas nas mãos do bagageiro, responsável por entregar as coisas trazidas aos soldados, e foi para linha de frente saber dos irmãos. Viu toda a cena, que se repetia já há quarenta dias. Vendo que ninguém se manifestava, indignado, perguntou aos soldados o que se faria para aquele que matasse o gigante, e eles o disseram, 'assim e assim'. O seu irmão, Eliab, vendo aquilo se indignou contra Davi, expulsando-o. Davi perguntava a outros, que repetiam as mesmas coisas. Logo os soldados relataram os fatos ao rei, que imediatamente mandou chamá-lo.
 ─ Que desejas meu jovem?
 ─ Que ninguém perca a coragem por causa daquele gigante meu rei. O teu servo irá lutar com ele.
 Saul riu na mesma hora, então respondeu:
 ─ Tu não poderás ir contra esse gigante para lutar com ele, porque não passas de uma criança e ele é um guerreiro desde a juventude.
Davi não se deu por vencido, e continuou:
 ─ Meus rei, teu servo quando apascentava ovelhas de seu pai e aparecia um leão ou um urso que as arrebatará do rebanho, eu os perseguia e o atacava e arrancava a ovelha de sua goela; e, se vinha contra mim eu o agarrava pela juba, o feira e o matava. O teu servo venceu o leão e o urso, e assim será com este gigante. Quem ele pensa ser para desafiar o exército do Deus vivo.
 Saul olhou-o de alto a baixo, depois de alguns segundos pediu-lhe para ir e vestir sua armadura para lutar contra o gigante. O garoto assim fez, mas a armadura era grande demais para ele, o garoto então disse que iria sem armadura, o rei concordou, imaginando que ele, ao ver o gigante desistisse de seu intento.
 Davi desceu ao riacho, pegou sua funda, o seu cajado, escolheu cinco pedras, colocou no embornal, e foi contra o filisteu, que naquele momento estava de frente ao seu exército, escarnecendo de todos. Do alto da montanha Eliab viu aquela pequena figura aproximar-se de Golias, aquele soldado desconhecido que Eliab viu, havia aceitado o desafio do gigante.
 ─ Quem é aquele? Ainda sem armadura. É loucura.
 ─ Aquele é Davi, respondeu Abinadab irmão de Eliab, olha, é ele mesmo, vai morrer lá, que pensa nosso irmão que está fazendo com aquela funda girando.
 O impossível desenhou-se diante dos olhares da multidão, espanto e medo por parte dos Filisteus, o pequeno jovem, com apenas uma funda matou o gigante, que caiu diante do pequeno valente, Davi ainda arrancou-lhe a cabeça usando a própria espada de Golias. Do outro lado, espanto e admiração por parte do exército de Saul, ao ver o jovem vencer um gigante com apenas uma pedra, gritos e festejos se fez ouvir. Todos os soldados perguntavam quem era aquele, Eliab tentava dizer que era o seu irmão menor, Davi. Mas a multidão de soldados gritavam: “É o menino da funda”.  O menino da funda foi chamado na presença do rei, Saul ainda não sabia que aquele menino, sujo, ainda com a funda nas mãos, era na verdade o novo rei escolhido por Deus.






MOSAICO DE SENTIMENTOS NUS.

           As janelas do castelo estavam abertas, escancaradas ao público de modo que era possível ver dentro do reino.      Nos recônditos ...