quinta-feira, 27 de junho de 2019

CONTO 3.


           O VENDEDOR DE ROSAS.

 Era a primavera de oitenta e cinco, e naquele ano as flores estavam ainda mais bonitas do que no ano anterior, com cores mais vivas e de perfumes ainda mais intensos - eu, em particular sou apaixonado por flores - de todos os tipos e de todas as espécies, inclusive cultivo alguns tipos em minha casa, de todas as flores que tenho as minhas preferidas e que dominam o meu jardim são as orquídeas e as rosas, principalmente as rosas.
 Permita-me uma apresentação, peço perdão pela minha indelicadeza de não fazê-lo antes. 
 O meu nome é Giovanni Lombardi, sou um simples vendedor de rosas, e exerço esse maravilhoso ofício já faz alguns anos, amo cultivar flores. As flores mudaram a minha vida, permita-me contar-lhes alguns pormenores desta história e como isso aconteceu, em como, as flores entraram na minha vida, literalmente flores e flores, vocês entenderam o que estou a dizer, prometo-lhes ser breve, e não vou lhes causar enfado. 

 Tudo teve início quando eu fiquei desempregado, naquela ocasião nebulosa, eu trabalhava em uma metalúrgica na cidade de Rio das Pedras, isso ocorreu bem antes da primavera de oitenta e cinco, as dificuldades saltaram pela minha janela, na época eu morava com a minha mãe, uma simpática professora que amava cultivar rosas e outras flores em seu jardim. 
 O nome da minha mãe era  ngela, as suas flores preferidas eram as rosas, e, preferencialmente as vermelhas, aquele ano foi muito difícil, eu não conseguia outro emprego, foi então que comecei ajudar a minha mãe no cultivo das rosas, era uma forma de passar meu tempo e ajudá-la nas despesas, as rosas vendiam bem, havia bastante clientes, fiéis clientes que gostavam das rosas que minha mãe cultivava… Repentinamente veio a tempestade, minha querida mãe adoeceu, eu só tinha ela, sou filho único e meu pai já havia falecido, foram dias difíceis, terríveis aqueles. Em menos de duas semanas, a minha heroína faleceu, vítima de um agressivo câncer no pulmão, quanta dor e quantas lágrimas, quanto desespero em meu ferido coração, a parte mais difícil foi escolher as rosas que enfeitam o seu caixão, escolhi as suas preferidas rosas vermelhas que ela tanto amou até o fim da vida. Foi ali naquele cenário de dor morte e lágrimas, que jurei a mim mesmo que não deixaria as rosas de minha mãe morrerem, passei então a cultivá-las e a vendê-las, fiz delas o meu ofício e o meu ganha pão, foi desse modo que as rosas me encontraram e que eu encontrei uma outra flor, de beleza ainda maior. 
 Permitam que eu lhes fale dessa outra flor, de beleza indescritível eu diria, a primeira vez que meus olhos pousaram sobre sua face encantadora, foi exatamente no enterro da minha mãe, em meio a uma multidão de conhecidos da minha mãe, lá estava ela, irradiando sua majestade, que mulher belíssima, em seu busto ela trazia uma pequena rosa negra, era a primeira vez que eu via uma rosa daquela espécie, é muito rara por sinal, parecem com as rosas turcas Halfeti, elas são extremamente raras, mas lá estava ela, estendida de forma primorosa no seio de outra flor ainda mais primorosa. Imagino que os senhores estejam se questionando sobre qual rosa estou a lhes falar, na verdade das duas eu diria, duas rosas negras que conquistaram meu sofrido coração.
 Dias depois eu procurei informações daquela moça e a sua rosa negra, perguntei a todos os moradores da pequena cidade de Rio das Pedras, perguntei a todos se alguém porventura não havia visto uma bela moça com um rosa negra grudada no vestido, assim e assim… Explicando-lhes tudo. Depois de muito perguntar, quando eu já estava para desistir, por fim um senhor de uma banca de jornal que ficava na praça central da cidade me informou que a conhecia, era nova na cidade, trabalhava em uma escola que ficava próximo dali; como eu conhecia bem a escola não hesitei e fui até lá. 
 Nos primeiros passos pátio adentro me surpreendi, havia algo diferente ali, e era justamente o belo jardim de rosas e orquídeas azaleias e outras flores, elas estavam próximas a secretaria. Eram de uma beleza que com palavras não consigo descrever, e lá estava ela, uma tímida rosa negra em meio as rosas vermelhas, que fascinante visão, digna de um artista da grandiosidade de Da Vinci, somente as talentosas mãos do mestre Italiano poderia pintar com exatidão as vivas cores que vestiam aquelas rosas de belezas indescritíveis. A moça da secretaria percebendo o meu deslumbramento  pelo jardim chamou-me naquele momento de pura hipnose.
 - Olá tudo bem! Posso ajudá-lo, vejo que o senhor gostou das rosas, são lindas não é mesmo, foi a nossa nova diretora quem as plantou, ela tem fascínio por rosas, as trouxe da sua cidade.
 - Olá moça ─ Respondi um pouco tímido - Perdoe a distração, o meu nome é Giovani, eu morro no bairro dos Cadetes, sou vendedor de rosas na praça da matriz, por isso a minha admiração por elas.
 - Que bom Giovani, meu nome é Alice, trabalho a pouco tempo nessa escola, confesso que conheço pouco da cidade. Estou auxiliando a diretora, o senhor gostaria de falar com ela, acredito que vocês se darão bem, afinal, os dois amam flores, especialmente as rosas.
 - Eu gostaria sim Alice, se não for incomodar é claro.
 - Só um minuto, já vou chama-la.
 Não demorou muito e lá veio ela, a passos curtos e precisos, com a mesma rosa negra em seu busto, os seus olhos eram de um verde fascinante e os cabelos encaracolados e negros derramando-se como cascatas por toda sua costa até a altura da cintura, fazendo contraste com sua pele igualmente negra, que mulher maravilhosa, que perfume intenso, que corpo divino, no momento em que ela me cumprimentou, com um discreto abraço, me senti com uma abelha a sugar o néctar daquele doce perfume, meu corpo estremeceu, senti-me inebriado por aquele perfume.
 - Bom dia, tudo bem Giovanni, é esse o seu nome né?
 - É isso mesmo, bom dia diretora.
 - Em que posso ajudá-lo Giovanni, meu nome é Isabela.
 - Me perdoe por incomodá-la senhorita Isabela, é que sou vendedor e cultivador de rosas, e eu vi a senhorita no velório da minha mãe, ela trabalhou aqui nesta escola, no velório eu não pude deixar de observar essa belíssima rosa negra que você traz no vestido, eu pensei que... Bom… talvez você me arranje uma pequena muda dessa belíssima espécie, eu sei que ela é muito rara e é pedir demais, nem a conheço ainda, perdoe minha ousadia, mas a admiração foi maior que a timidez.
 - Que coincidência Giovanni, eu também as aprecio e às cultivo. Não há problemas nenhum Giovanni, eu te dou uma muda.
 - Eu lhe agradeço de todo o coração, e mais uma vez, perdoe-me te incomodar.
 - Não incomodou em nada Giovanni, agora, Quem é sua mãe a propósito? Me fale um pouco dela, você disse que ela trabalhou nessa escola, é isso mesmo?
 - É sim, trabalhou a vida toda, o nome dela era  ngela Bonnatti, minha mãe cultivava rosas nas horas vagas, todos na cidade e até nas cidades vizinhas a conheciam. Digamos que herdei dela o gosto por rosas.
 - Na verdade Giovanni, é a minha mãe que cultiva rosas, assim como a sua mãe, minha mãe também faleceu não faz muito tempo, a sua mãe, pelo nome, eram uma das colegas da minha mãe, elas faziam parte de uma espécie de sociedade das rosas, qualquer coisa assim, e a sua mãe possuía uma espécie de rosa vermelha que minha mãe queria muito, mas acabou falecendo sem consegui-la, aproveitei a oportunidade do emprego para buscar essa rosa, mas dai fiquei sabendo do falecimento da dona   ngela, olha, estou surpresa, eu nunca que imaginava que ela era a sua mãe.
 - Que história interessante, mas me diga uma coisa; como sua mãe cultivou essas rosas? Na verdade eu não sei muito sobre elas, sei apenas que são de uma espécie turca, ou algo assim.
 - Pois bem, procurar por informações sobre a dona  ngela, onde morava, se tinha filhos, para pedir a tal rosa vermelha, e faria isso hoje mesmo depois do trabalho, e veja só, você veio a mim, justamente atrás de uma rosa. Você quer mesmo saber um pouco da história dessa rosa? 
 - Se não for incomodar, quero sim.
 - Vou te contar então, se não estiver com pressa.
 - Imagine, tenho todo o tempo do mundo.
 - Que bom, como eu estava dizendo, as rosas turcas Halfeti são extremamente raras Giovanni. Elas são cuidadas e manuseadas como rosas normais, mas têm o enorme diferencial da cor. Estas rosas são tão negras que a gente acha que foram pintadas com tinta spray. Mas isso é, na verdade, sua cor natural. Estas rosas negras deslumbrantes seriam excelentes adereços em filmes góticos. Sem sombra de dúvidas, há algo extremamente atraente nelas. Embora pareçam perfeitamente negras, elas têm na realidade uma coloração carmesim muito profunda. Ademais, são sazonais: só florescem durante o verão em pequeno número, e só na pequena aldeia turca de Halfeti. Graças às condições de solo únicas da região e os níveis de pH da água subterrânea (que se infiltra desde o rio Eufrates), as rosas assumem um tom único. Florescem na cor vermelha escura durante a primavera e praticamente negras durante os meses de verão. Os turcos parecem desfrutar de uma relação de amor e ódio com estas flores raras. Eles consideram estas flores como um símbolos de mistério, esperança e paixão, mas também de morte e de má notícia. Infelizmente, as rosas negras de Halfeti são uma espécie sob ameaça de extinção desde que os moradores da vila se mudaram do "velho Halfeti", na década de 1990, quando a barragem Birecik Dam foi construída. O antigo vilarejo de Halfeti e vários outros povoados foram submersos sob as águas do Eufrates, quando a barragem foi feita. A nova aldeia de Halfeti foi reconstruída com base na aldeia Karaotlak, apenas 10 quilômetros da sua antiga localização. Esta curta distância provou ser fatal para as belas rosas negras. Os aldeões replantaram as belas flores em seus novos jardins, mas elas não se ambientaram muito bem e houve um declínio considerável no número de rosas negras cultivadas na região. Os funcionários da Secretaria de Cultura do distrito fizeram esforços na busca de salvar as rosas, coletando mudas das casas da aldeia e replantando-as mais perto de seu entorno originais, com o auxílio de estufas. A produção se recuperou desde então. Ver uma rosa negra em plena floração é uma dessas coisas que poucas pessoas terão a chance e a sorte de ver na vida. 
 - Estou impressionado, maravilhado na verdade.
 - Minha mãe é descendente de turcos, daquela região, é uma tradição que vem sendo passada de família, cultivar essas rosas é uma arte.
 - Se não for inconveniente, você aceitaria jantar com esse simples vendedor de rosas esta noite, podemos trocar algumas palavras entre uma rosa e outra, entre uma pétala e outra. Se não for incomodar é claro.
 - Claro, aceito sim.
 - Combinado então, hoje a noite, às oito, pode ser?
 - Pode sim, vou te esperar aqui em frente, na praça, estarei ao lado do jardim.
 - Combinado, então, o local será surpresa.
 Nos despedimos com um abraço apertado, senti pela primeira vez o calor daquele corpo no meu, os seios fartos me comprimindo, beijei-lhe a face, a pele perfumada, o meu desejo era de descer ao pescoço e descansar nele meu lábios famintos, mas me contive, eu nunca havia me sentido daquela forma diante de uma mulher, eu sempre fui controlado, mas diante dela, tudo saiu do controle. Fui para casa, ansioso para que chegasse a hora do jantar, a noite prometia, assim como eu, percebi que a Isabella também sentia-se atraída por mim.


 Veio noite abraçar o dia, a lua cheia desfilava no céu, final de primavera, e as noites se fazem mais quentes, mais vivas, e aquela em questão estava igualmente quente. O luar iluminava a imensidão celeste, algumas poucas e dispersas nuvens figuravam no céu ocultando algumas estrelas - deixei tudo preparado em minha casa - fui ao encontro de Isabella no local marcado. Tudo correspondia para uma agradável noite, de um belo jantar.  O cupido me flechou, não só com a flecha do amor, flechou-me também, por engano, ou por pura vontade quem sabe, com a flecha de desejos proibidos. 
 Quando finalmente Isabella apareceu no local marcado, o céu iluminou-se com o brilho daqueles olhos, trocamos algumas palavras, caminhamos um pouco, depois a convidei para vir à minha casa, pois havia lhe preparado uma surpresa. Isabella aceitou. A minha casa ficava próxima, caminhamos um pouco mais, conversamos, rimos, trocamos olhares de desejo, olhares que falam sem ter palavras.
 O jantar, bom… O jantar foi magnífico, preparei-o com muito requinte, pétalas de rosas, jantar a luz de velas, Isabella encantou-se, enamorou-se por cada detalhe, música suave ao fundo. Quando nos demos conta, antes mesmo de terminar o jantar, os nossos lábios dançavam amorosamente, os nossos corpos eram como brasas avermelhadas na fogueira. Delicadamente, desatar-lhe as finas peças que prendiam o vestido, uma a uma deitei ao chão as vestes mais íntimas, o seu corpo nu, os seios fartos, a pele com aroma de rosas, a sua intimidade, tão delicada, refletindo todo o meu desejo, aos poucos ela rendeu-se ao sabor dos meus beijos, suguei-lhe a seiva do amor, entre gemidos e urros, Isabella pedia mais, agarrou-me pelos cabelos pressionando-me entre as suas pernas. Até que senti a doçura do seu néctar entre meus lábios. Ela proporcionou-me igual prazer, devorando-me com seus carnudos lábios, sedentos lábios que buscavam a firmeza do meu amor. No balé da paixão, em movimentos suaves, rápidos, suaves, rápidos, repetidos. No balé de sensualidades, em múltiplas posições, sentindo em mim a sua seiva lubrificante. Ela pedia mais, com mais força, mais fundo, dançando por cima. Nossos corpos estavam suados, querendo mais, até que o meu líquido derramou-se, e o dela também se derramou em mim. Embebidos do amor, enlouquecidos de paixão, assim como ela também desejava muito mais do que uma única noite. Repetimos tudo novamente, duas, três, vários momentos. O amor não tem limites, tão pouco conhece fronteiras.

 No dia seguinte, lá estava aquele simples vendedor de rosas… Na porta da escola deixei minhas rosas, sem bilhetes, porém, quando as recebeu soube do que se tratava, nada disse, apenas sorriu.



quarta-feira, 26 de junho de 2019

CONTO 2.


DESEJOS OCULTOS.

Amanheceu,
Aos poucos a tênue luz do sol ganhou o céu, e os seus primeiros raios despontaram no alto da montanha, era final de novembro, as poucas nuvens que guardavam a colina dissiparam-se repentinamente e o azul celeste apontava o início de um novo dia.
Beatriz acordara cedo, sentiu o aroma do café invadir o seu quarto, os raios do sol o iluminava timidamente pelas frestas da janela, enquanto na cozinha, a prima Lúcia terminava de ajeitar a mesa do café. Cozinheira habilidosa, ela havia preparado um delicioso bolo, o preferido de Beatriz, bem como frutas, sucos entre outras delícias.
Era a primeira férias das duas primas no chalé da família. Beatriz era médica, trabalhava na capital, depois de anos de intermináveis plantões conseguiu finalmente as férias de seus sonhos, 'isolar-se do mundo moderno'. Para não ficar totalmente solitária, Beatriz convidou a prima Lúcia, que depois de certa insistência de Beatriz aceitou passar alguns dias no chalé.
As duas cresceram juntas, e desde a infância sempre confidenciaram segredos uma a outra.
Lúcia tinha a mesma idade da prima, de olhos verdes, cabelos longos e negros, corpo perfeito, estatura mediana, praticava esportes com frequência, o que lhe proporcionou um corpo de curvas invejáveis.
Beatriz, aos trinta anos conseguiu o sucesso profissional tão desejado, porém, a vida amorosa era um desastre, fugia de qualquer compromisso sério. Beatriz também desfilava beleza, olhos negros, cabelos curtos, seios fartos, corpo perfeito. Havia no entanto, certos desejos que Beatriz escondia até mesmo da prima. A admiração dela por Lúcia cresceu nos últimos anos, ao ponto de perceber que aquele sentimento ia muito além da amizade, que aos poucos transformava-se em um desejo puramente sexual. Beatriz nunca teve relações sexuais com outras mulheres, entretanto, a ideia de experimentar novos campos a dominava, em especial quando na presença de Lúcia. A prima trazia-lhe excitação, desejos, sonhos, que aos poucos ficavam cada vez mais descontrolados.
A ideia do chalé, a propósito, foi a forma que Beatriz encontrou de pôr em prática o seu ousado plano de conquistar Lúcia, que por sua vez, acabava de sair de um complicado relacionamento, a moça havia sido traída pelo namorado com a melhor amiga, a dor, a decepção amorosa, tudo contribuiu para que Lúcia aceitasse o convite de Beatriz, que, naquele momento percebeu na angústia da prima a oportunidade de conquistá-la.
Beatriz foi direto para a cozinha, Lúcia terminava de arrumar a mesa.
- Bom dia bela adormecida. Dormiu bem?
Disse Lúcia muitíssimo animada.
- Bom dia Lu, e como… Fazia tanto tempo que eu não tinha uma noite decente de sono, me sinto renovada.
- Agora entendo o motivo que a fez escolher esse lugar.
- Esse é o melhor lugar para estarmos, só nós duas e mais ninguém.
- Outra companhia não seria ruim, mas, devido às circunstâncias…
- Esqueça isso Lu, vamos aproveitar.
Assim como Beatriz, Lúcia estava de pijama, o de Lúcia era vermelho claro, curto, tecido fino, quase transparente, ela não usava as peças íntimas, de modo que era possível vislumbrar parte de seus seios. Os olhos de Beatriz prenderam-se no corpo escondido no prima, na mesma hora sentiu um fogo lhe queimar por dentro, os olhos brilhavam, o desejo insano de possuí-la à atormentava, o tesão era tamanho que no mesmo instante sentiu a sua intimidade latejar. As maçãs do seu rosto estavam avermelhadas, ela não conseguiu prestar atenção no que Lúcia dizia, o olhar perdia-se no corpo da prima, que, Lúcia por sua vez, não demorou muito para perceber qualquer coisa de diferente em Beatriz.
- Tudo bem contigo Bete? Você está… Estranha… Tem certeza que dormiu bem?
- Sim!- respondeu Beatriz tentando disfarçar - claro, está… Está tudo bem.
- Parece distante.
- Não é nada amiga, talvez seja resquícios do cansaço e daqueles plantões intermináveis.
- Não parece amiga, mas… Tudo bem, agora acorda e vamos tomar nosso café, depois vamos para a piscina, o dia está propício para um banho de piscina, bronzear o corpo, e principalmente, descansar a alma, mente, e o coração, o que você acha da ideia?.
- Com certeza ótima - respondeu Beatriz animada com as possibilidades daquele momento - quero muito bronzear meu corpo.
- Eu também.
Embora o desejo de Lúcia realmente fosse a piscina, o de Beatriz foi muito além de um simples banho, tudo parecia contribuir para que ela conseguisse realizar os seus desejos mais insanos e devassos. Beatriz colocou um biquíni minúsculo que não tampava quase nada, Lúcia já estava à beira da piscina quando a prima apareceu, Lúcia ficou surpresa ao vê-la quase nua.
- Mulher! Que isso?
- Quero aproveitar 'meu bem', estamos isoladas nesse paraíso, quero ter liberdade, total, livre como um passarinho.
- Passarinho estranho esse.
Beatriz então arrancou minúsculo biquíni ficando completamente nua, o corpo desfilava curvas majestosas, sua parte intima devidamente depilada, o sol iluminando aquele corpo escultural. Lúcia arregalou os olhos assustada com a atitude de Beatriz.
-  Mulher! Você bebeu é? Que isso…
- Não sou de ingerir bebidas meu bem, e o que tem demais mostrar esse corpinho delicioso… Se eu fosse você tiraria tudo também.
- Ah, sei não… sei não se eu tenho…
- Para de besteira Lu, sempre tomamos banho juntas, não tem nada aí que eu já não tenha visto, vamos, tirar tudo, mostra esse seu corpão maravilhoso… Vai logo mulher.
- Éramos crianças né Bete, é diferente…
- Pare com isso Lu, tira logo tudo, vamos sua medrosa, não vai aparecer ninguém aqui, e depois poderemos bronzear o corpo inteiro.
Relutante, Lúcia despiu-se lentamente, o seu corpo revelava curvas perfeitas, Beatriz não conseguia tirar os olhos da prima, seios simétricos, perfeitos, intimidade também raspada, o que só fez aumentar o tesão de Beatriz, que, aquela altura, já estava toda úmida, a vontade era agarrar a prima, de beijá-la inteira, mas era preciso paciência, cautela. Beatriz percebeu que o ambiente começava a ficar propício aos seus desejos.
À beira da piscina, ao sol escaldante, debruçada de costas, Beatriz pediu para que Lúcia passe protetor solar em suas costas, 'em toda ela', dizia, incluindo o bumbum, Lúcia achou desnecessário tudo aquilo, fez a vontade de Beatriz.
Suas delicadas e pequenas mãos lentamente deslizaram pelo corpo de Beatriz, com suavidade em movimentos circulares e com delicadeza, começando no pescoço, descendo lentamente, massageando cada parte, Lúcia começou a perceber o quão belo e perfeito era o corpo da prima, que por sua vez, aos toques de Lúcia, sentia a sua intimidade pulsar, principalmente quando Lúcia tocava na perfeita simetria do seu bumbum e na parte interna das coxas. Lúcia também começou a sentir algo estranho, percebeu que a prima estava extremamente excitada, a princípio não disse nada, logo Lúcia notou todo o tesão de Beatriz, que, naquele momento, gemia baixinho aos toques delicados e precisos da prima, Lúcia pensou em parar, mas alguma coisa a fez continuar, ela também parecia estar gostando.
- Pronto - disse Beatriz levantando-se bruscamente, Lúcia assustou-se - deite-se agora menina, - disse Beatriz - minha vez de passar protetor em você, ou vai querer ficar vermelha como pimentão?
Dessa vez Lúcia não protestou, sem nenhuma relutância deitou-se na mesma posição em que Beatriz estava, enquanto a prima começava a massageá-la com o protetor. Às mãos macias da doutora indo de alto abaixo de seu corpo, Lúcia aos poucos, por mais que tentasse relutar aos seus desejos, ia se entregando aos toques precisos daquelas delicadas e habilidosas mãos. Não demorou para sentir sua intimidade úmida, que àquela altura também latejava. Lúcia nunca havia sentido nada parecido, era um estranho sentimento misturado à um prazer intenso nunca sentido, mas era bom, extremamente bom, lentamente Lúcia entregava-se aos desejos que a envolvia. De repente, em um gesto ousado e sem pensar, as mãos de Beatriz tocou-lhe na intimidade suavemente, massageando lentamente o clitóris, tão logo Beatriz esperou uma repreensão de Lúcia quanto ao gesto, porém, veio a surpresa, a prima estava gostando, e, abrindo um pouco mais as pernas inclinando levemente o bumbum, a intimidade de Lúcia latejava, estava ainda mais úmida, vermelho intenso, ela também gemia de prazer, mordia os lábios, enquanto Beatriz, percebendo o desejo recíproco que as envolvia continuou o procedimento com mais intensidade. Lúcia virou-se, olhou Beatriz fixamente - a prima esperou a repreensão - e sem nada dizer, agarrou-a beijando-lhe os lábios de modo agressivo, selvagem, seios com seios, língua com língua, ora nos mamilos e pescoço, eram beijos cheios de desejos reprimidos, molhados, e na dança dos lábios, na língua com língua, não houve palavras de nenhuma parte, apenas a entrega de uma a outra, gemidos, prazer intenso.
Lúcia deitou-se novamente, dessa vez de frente para Beatriz, abriu as pernas, a intimidade vermelha incandescente, a indecência da paixão queimava-lhe nos olhos, Beatriz tocava-lhe novamente, ora com os dedos massageando-a, ora com dois dedos sendo introduzida, ora com os lábios sugando as coxas, os seios, tudo latejando de um prazer ensandecido. Ela pedindo mais, enquanto Lúcia gemia alto, contorcendo-se de prazer. Até que chegou ao seu ápice, uma, duas, várias vezes.
O mesmo procedimento foi repetido por Lúcia em Beatriz, massageando-lhe o corpo interior com seus lábios, era a primeira vez que a prima fazia àquilo, Lúcia copiou tudo quando Beatriz fez, que por sua vez, também gemia de prazer. Quando os lábios de Lúcia tocou-lhe mais embaixo, sentiu o seu corpo estremecer igualmente ao da prima, Lúcia introduziu-lhe os dedos, às vezes a manobra fazia-se com a língua, com uma ferocidade animal, como uma fera enlouquecida sobre a  presa. Beatriz também atingiu o ápice do prazer várias vezes, gemeu. Não houve palavras, apenas os gestos tomando lugar das palavras, beijos descontrolados, gemidos, urros, era somente a entrega de uma para outra.
Somente depois que Beatriz veio a perceber que a prima também nutria iguais desejos aos dela, contudo, por anos tentou esconder e reprimir seus desejos de si mesma, mas agora, a fera estava à solta, e Beatriz, de caçadora se tornou a caça, sendo devorada por lábios tão selvagens quanto os seus.







segunda-feira, 24 de junho de 2019

CONTO.

A FLOR DO PECADO.
Era o fim de tarde de uma primavera qualquer, o ano… Não… Eu não vou falar em datas - esses detalhes pouco interessam no momento. A única coisa de valor e necessária agora é a história que será revelada. Afinal, eis a minha dúvida; como contá-la? Deveria de ser algo fácil, porém, não é; eis o meu principal problema.
O meu nome também não é importante, não sou quem valha a pena ser lembrado, me resumo a alguém com uma necessidade extremada de colocar as palavras no papel, uma ao lado da outra, sempre buscando um ponto final sem nunca encontrá-lo - dom que acho ter herdado do meu pai.
E nas minhas histórias contadas, algumas lidas, outras não, me invento e reinvento todos os dias. Acho que nunca me importei de fato com os meus sentimentos e quem sou de verdade, uma vez que, os sentimentos dos outros riscados no papel sempre foi o meu objeto de estudo. Particularmente gosto de analisar a alma humana, analisar o que o outro está pensando, fazendo, querendo, planejando, enfim, o que o outro tem dentro de si.
A história que vou lhes contar desrespeito a um personagem 'sem nome'; não que ele seja indigente, pelo contrário... Reservo-me ao direito de não querer revela-lo, entretanto, vou dar a esse 'personagem' um nome fictício. Sendo assim, devo chamá-lo a partir desse momento de Arnaldo. Acertada essa etapa, passemos adiante.

Seguia o ano qualquer, de um dia qualquer, os dias em si não importa, os fatos sim. Naquele ano em questão, o nosso personagem, senhor Arnaldo, resolveu passar as férias em uma fazenda afastada a cidade, livre de qualquer traço de civilização, livre de telefones, livre de internet, livre de buzinas, carros, pessoas apressadas, crianças barulhentas, compromissos, reuniões, escola, igreja, enfim, livre de tudo. Era apenas ele e a sua velha máquina de escrever, folhas em branco, e um desejo incontrolável de ficar sozinho por um tempo. Recluso em seu pequeno universo, buscando dentro de si o seu próprio universo perdido. Arnaldo queria se reencontrar, se reinventar (assim como eu às vezes) fugir por um período, para assim encontrar-se consigo mesmo.
A escolha daquela fazendo no interiorana foi aleatória, ele apenas achou que aquele era o lugar ideal para pôr em ordem os seus muitos pensamentos. Aquele havia sido um ano de grandes desafios, de muitas dificuldades financeiras, a carreira de escritor era amarga, inglória, solitária e não reconhecida, pelo menos no Brasil, Arnaldo experimentava o calvário dos escritores. Ele buscava inspiração para o seu novo livro de poemas, e achou que o isolamento seria bom.
Os dias se passaram rapidamente, na primeira semana não houve muitas novidades, mas na segunda semana, na casa ao lado, outrora abandonada, recebia a visita de algumas pessoas, três na verdade, um casal de meia idade, e uma jovem. A princípio, Arnaldo não se importou, não procurou saber quem era e não procurou fazer amizades, quase não saiu de casa, se não raras vezes durante o dia. Ele continuou recluso, incomunicável. Da fresta na janela da sua cozinha era possível ver o quintal do vizinho recém-chegado.  O casal em questão daquela estranha casa, também eram reclusos, tanto quanto ele próprio. Havia ali a presença de uma jovem, diferente de todos, essa quase não ficava dentro da casa.
A jovem era uma moça baixa, corpo magro, cabelos negros e longos, olhos castanhos escuros, pele morena clara. Os olhos quando expostos ao sol tomavam tons de castanho claro, quase na cor do mel, assim como seus lábios, fartos, vermelhos e intensos, os dentes perfeitos. O olhar penetrante da bela moça buscava curiosa a casa vizinha, buscava visualizar alguém. A moça estava sempre com vestes curtas, delineando as pernas bem torneadas, camisetas apertadas comprimindo os seus seios tão bem desenhados, de uma simetria perfeitamente arredondada. Arnaldo ficou a observá-la de dentro da casa, a moça curiosa olhava a casa vizinha tentando descobrir algo. Vez ou outra, para refrescar-se do calor a moça molhava-se com uma mangueira no quintal. A água percorria o seu corpo escultural, grudando as roupas ainda mais ao corpo juvenil, os seios com os mamilos endurecidos delineiam na camiseta, os pelos das pernas reluziam à luz do sol, a forma delicada da sua intimidade desenhada no tecido molhado.
A moça estava intencionada a provocar a figura estranha e desconhecida da casa ao lado, Arnaldo, essa figura estranha em questão, pareceu gostar da provocação. Assim a coisa procedeu-se por uma semana inteira; na segunda semana, Arnaldo abriu levemente a janela, permitindo que a moça visualiza-se parte de seu rosto. Ela continuava provocando-o, às vezes molhando-se, às vezes dançando, uma coisa despretensiosa e intencional. Em certo momento, Arnaldo ouvia uma voz rouca de dentro da casa a chamá-la pelo nome, foi então que ele descobriu que o nome da moça era Anita.
Na terceira semana, tomando coragem, Arnaldo saiu de dentro da casa pela primeira vez, revelando-se para a moça, foi ao quintal, Anita também estava no quintal naquele momento, ela molhava as flores de um jardim quase morto. Arnaldo fingiu estar ocupado com qualquer coisa, mas era perceptível que ele a observava com muito desejo, ela que também o observava com igual sentimento. Naquele primeiro momento não houve troca de palavras, apenas a troca de olhares, um discreto sorriso aqui, outro acolá, vendo-a mais de perto, Arnaldo percebeu o quanto a moça era bonita. Por um estranho motivo que Arnaldo desconhecia, o casal que também estava na casa nunca saia, em nenhum momento do dia, era apenas Anita, ou quando estava se divertindo, ou quando estava fazendo tarefas domésticas.
Embora fosse isolado, o sítio não era tão distante da cidade, acontecia que às vezes, mesmo contra sua vontade, Arnaldo via-se na necessidade sair com seu carro até a cidade para comprar algumas coisas, naqueles dias ele ausentou-se por pouco tempo. Porém, naquela semana em que os novos vizinhos chegaram, ele não quis sair. Arnaldo encantou-se tanto com a beleza de Anita que até esqueceu o motivo que o fez isolar-se naquele sítio. Contudo, motivado pelos sentimentos fervilhando dentro de si, Arnaldo escrevia longos poemas falando dos seus novos sentimentos, e de seu encanto com a jovem chamada Anita.
Certa manhã, quando Arnaldo estava no quintal, trabalhando em um canteiro de hortaliças, distraído no que fazia, não percebeu quando a moça aproximou-se dele. De repente, o silêncio foi rompido ao som suave de uma doce voz.
─  Bom dia senhor.
Arnaldo assustou-se, virou rapidamente para ver quem falava. Quando percebeu que se tratava de Anita, por alguns minutos ele emudeceu.
─  Tudo bem com o senhor?
Arnaldo finalmente saiu do estado de mudez e respondeu.
─  Bom dia senhorita, perdoa minha distração.
A cerca que dividia os dois quintais eram apenas três arames esticados em velhos troncos, de forma que, era possível a Arnaldo visualizar todo o corpo da jovem. Que naquele momento, ainda estava com o pijama, de um rosa bem claro, tão curto que parecia querer rasgar-se no corpo. Arnaldo sentiu uma chama ardendo por dentro, algo que ele ainda não havia sentido. Anita rompeu o silêncio novamente.
─  Posso fazer uma pergunta senhor?
─   Sim claro, sinta-se a vontade. Respondeu Arnaldo em tom quase inaudível.
─  O senhor comprou essa casa? É que sempre passamos uma temporada aqui, eu e meus tios, há muito tempo que não vemos moradores aí.
─  Na verdade - respondeu sem se levantar - essa casa pertence a um amigo, ele me cedeu a casa por o tempo que eu precisasse.
─  Muito prazer em conhecê-lo senhor, o meu nome é Anita.
─  O prazer é todo meu, me chamo Arnaldo.
─  Senhor Arnaldo… Responda-me uma coisa; outro dia eu ouvi barulhos como se fosse de máquina de escrever, é do senhor?
─  Sim, eu sou escritor, poeta, eu estou trabalhando em um novo livro, motivo que me fez escolher a clausura deste lugar, e, por favor, senhorita, não me chame de senhor, eu me sinto muito velho quando me chamam assim, pode me chamar de Arnaldo.
─ Tudo bem, como você quiser Arnaldo, mas saiba que você não é velho, eu não o acho velho, te chamei de senhor por educação, mas você não é velho.
─  Muito obrigado, se me permite a ousadia de um elogio, você é muito linda, gentil, parece um anjo, ledo anjo.
─ Você já viu um anjo antes?
─  Na verdade não, mas acredite, eles existem.
A conversa prosseguiu por mais alguns minutos, Arnaldo teceu vários elogios, recitou poemas, Anita ficou encantada, os seios da face avermelhados de vergonha, em determinados momentos, ela agachou-se bem de frente dele, ora virava-se, ora cruzando as pernas exibindo toda a beleza de suas coxas, foi então que Arnaldo notou que Anita não usava roupas íntimas por baixo, ela parecia não se importar com aquilo, parecia obstinada a provocá-lo cada vez mais, mostrando os contornos da sua intimidade, lisa, levemente rosada. Mas era aquele um jogo arriscado, ele, um quarentão, deixando-se envolver com uma moça talvez menor de idade, era um risco, Arnaldo estava agora disposto a ceder às provocações tentadoras de Anita, que, naquela altura, havia ficado clara quais eram as suas intenções. Arnaldo quase ao final da conversa a convidou para vir a sua casa qualquer dia, para que ele mostrasse os poemas que havia escrito recentemente. A moça aceitou o convite, disse-lhe que a qualquer momento bateria em sua porta, ela teria apenas que encontrar o momento certo, para não despertar nos tios desconfiança.


                                          * * * *


Na noite seguinte, quando Arnaldo preparava-se para dormir, ouviu alguém bater levemente na porta, quem poderia ser àquela hora, pensou ele, mas o seu coração logo percebeu de quem poderia se tratar. Arnaldo foi até a porta, e para sua surpresa era ela.
─  Posso entrar? Ou a hora é inapropriada.
─  Anita! Que surpresa boa; hora nenhuma é inapropriada. Por favor, entre, não reparem em mim, nem na bagunça, eu estava preparando-me para dormir.
─  Se você quiser posso voltar outro dia.
─  Não… Não… De jeito nenhum; por favor, entre.
Eram onze horas da noite, os tios de Anita tomavam remédios para dormir, de modo que seria praticamente impossível para eles acordarem. Arnaldo estava sem camisa, e apesar de quarentão, Arnaldo exibia um corpo saudável, forte, sua rotina diária de exercícios proporciona-lhe um corpo perfeito, de dar inveja a muitos atletas. Anita, também se vestiu de modo provocativo, roupas curtas, coladas ao corpo. Ela sentou-se no sofá da sala, enquanto Arnaldo foi buscar alguns de seus poemas para que ela os lê-se. Minutos depois ele retornou com os papéis, sentou-se ao lado da moça, que não parecia muito interessada nos poemas, o olhar sedutor mostravam outras intenções, Arnaldo sentiu uma chama queimar-lhe a alma, era o fogo do pecado que o consumia.
─  Você não parece muito interessada nos poemas.
─  Não seu bobo, claro que não, você sabe que o meu interesse é outro.
Anita jogou os papéis de lado, aproximou-se ainda mais de Arnaldo, quase ao ponto de seus lábios se tocarem. O poeta sentiu como se um vulcão estivesse em erupção dentro de si, o brilho daqueles olhos, o vermelho intenso daqueles lábios, o perfume daquele corpo juvenil, era um convite ardente e irrecusável.
─  O quê você deseja de mim afinal? - Perguntou ele - já a ponto de beijá-la.
─  Esta noite eu sou o teu poema, meu corpo são teus versos, eu quero que você os leia, não só com os olhos, mas com os teus lábios também, me leia por inteira, pois meu desejo é ardente por ti.
Arnaldo sucumbiu aos seus desejos, não suportando, concedeu a Anita o que ela mais desejava, que era uma intensa noite de amor, uma noite como Arnaldo nunca teve em toda sua vida. Noite como aquela, de amor intenso e proibido. Arnaldo sentiu o calor daqueles lábios juvenis, sentiu os mamilos endurecidos roçar em seu corpo. Lentamente os lábios de Arnaldo encontrou o pescoço da jovem, em um movimentos sutis, Anita despiu-se da parte de cima da sua roupa, os fartos seios ficaram à mostra. Arnaldo deles embebedou-se, passando a língua em movimentos circulares nas auréolas dos mamilos endurecidos. A jovem gemia de prazer, logo sentiu o volume do pecado e da danação em Arnaldo, o que só fez sua excitação aumentar, a sua intimidade estava úmida, latejando, querendo ser possuída. Por fim ela despiu-se completamente, Arnaldo abaixou-se, abrindo suas pernas, tirando-lhe a calcinha, e começou sorver-se de seu libido, começando pelas coxas, até atingir sua intimidade, úmida, vermelha. Anita então fez o mesmo processo em Arnaldo, que sentiu aquele enorme vulcão em si, ela gemia, e o devorava com ferocidade, prazer e loucura. Arnaldo colocou-a deitada no sofá, tomando-a, ela, apertada, com movimentos leves, Anita estava enlouquecida, dançava em cima dele, pedia mais, Arnaldo aumentava o ritmo, até que em determinado momento, não aguentando, Anita chegou ao ápice, Arnaldo também. Anita sentiu o liquido quente dentro de si, e tudo repetiu-se por várias vezes, naquela noite e nas que se seguiram, até ao dia em que o poeta teve que ir embora, Anita jurou segredo, prometeu que não revelaria a ninguém sobre o que aconteceu.


             * * *


Muito bem amigos, passaram-se alguns meses, Arnaldo voltou a sua rotina diária, voltou para sua família, esposa, filhos, sim, ele era comprometido, o nosso personagem era conhecido em sua cidade, tudo parecia bem, no recôndito dos seus pensamentos ficou a lembrança de Anita, de seus beijos, seus toques, o sexo, prazer. Arnaldo ainda sentia o seu corpo queimar por dentro ao lembrar-se dela, ele manteve-se no mais completo silêncio, e não deixava transparecer nada.
Em determinado dia, a sua esposa ao chegar em casa depois do trabalho, notou que havia alguns envelopes na caixa de correios, não dizia de quem eram. As únicas palavras que tinham eram o destinatário, e o nome de Arnaldo. A princípio ela nem deu importância, imaginou ser de alguma editora ou qualquer coisa do tipo. Arnaldo estava em casa, continuou com seus afazeres, não deu importância para os envelopes, por volta das cinco horas da tarde, em seu quarto, quando estava em sua escrivaninha, resolveu abri-los. Aos poucos, lendo o que havia no interior daqueles bilhetes, cartas, o semblante de calmaria e tranquilidade do poeta mudou para o mais completo desespero, suor corria pela sua face. Os bilhetes eram de Anita, e haviam fotos também, e nas fotos, ela estava com a barriga de fora, que já estava relativamente arredondada, evidenciando à gravidez. Em um dos bilhetes a jovem dizia que o filho que ela esperava era dele, ela também enviou uma cópia do exame de sangue que constatou a gravidez e de quantas semanas estava, pela data no bilhete, pela foto, Arnaldo concluiu sem dúvidas que o filho poderia ser realmente dele, mas o que mais lhe preocupou, foi o restante da mensagem em outro dos bilhetes. Anita era a filha do delegado mais truculento da cidade, conhecido por torturar e bater em quem ele prendia, o delegado, segundo a jovem nas cartas, estava determinado a conhecer quem era o pai da criança, Anita havia conseguido o endereço do poeta, mas não sabia nada a respeito da vida pessoal dele, ela disse no bilhete que estaria indo na casa do poeta na noite seguinte, e que o pai estaria junto.





        O desespero de Arnaldo o fez tomar uma atitude drástica…

  
Quando foi no dia seguinte e no devido horário, quando Anita e o delegado chegaram à casa do poeta, quando a esposa do poeta abriu a porta, sem entender o motivo daquela visita, todos ouviram o som de um estampido vindo da parte de cima da casa, imediatamente, tanto a esposa do poeta como Anita e seu pai subiram apressadamente as escadas para ver o que havia acontecido, ao adentrarem no quarto a terrível cena. O corpo estendido no chão, à poça de sangue espalhava-se pelo piso frio, em uma das mãos um trinta e oito enferrujado. Arnaldo atentou contra a própria vida, disparou contra si mesmo.
Mas… As coisas não aconteceram como Arnaldo planejou em seu desespero, hoje, pouco mais de vinte anos depois desses acontecimentos, estou eu aqui, ao lado dessa cama de hospital rodeada de aparelhos, esperando pacientemente o momento em que o meu pai vai abrir os olhos e sair do coma, e finalmente conhecer o seu filho, que hoje, exatamente hoje, completa vinte anos.






MOSAICO DE SENTIMENTOS NUS.

           As janelas do castelo estavam abertas, escancaradas ao público de modo que era possível ver dentro do reino.      Nos recônditos ...