OS CRIMES DE HÉRCULES.
2° CAPÍTULO.
A cidade de Mor ficou aterrorizada pelo o que havia acontecido ao prefeito Diomedes, os vereadores junto ao vice, Dr. Minos Garrett, decretou três dias de luto oficial. Mas ninguém parecia importar-se com a morte do prefeito. Poucas pessoas foram ao enterro no dia seguinte, somente alguns familiares e a esposa.
Os moradores de Mor, de certa forma, sentiam-se aliviados pela morte do tirano, mas os políticos, ah meu amigo, esses temiam que o assassino fosse algum inimigo do prefeito, eles bem sabiam que o vice-prefeito conhecia e participava dos roubos, propinas, sujeiras da pesada, bem como também muitos dos vereadores - diga-se de passagem, uma Corja de corruptos que odeio mais que tudo - Na minha delegacia - me reservava ao direito de assim nomeá-los
Eu receberia você e sua equipe na manhã seguinte, solicitei a ajuda dos senhores para me auxiliaram nas investigações.
A princípio eu dependia de uma autorização para poder entrar na casa da vítima - a casa localizava-se fazenda da vítima - era necessário adentrar na fazenda e prosseguir com as investigações, a esposa não quis ficar na fazenda, mudou-se sei lá para onde, de forma que, eu não poderia fazer muitas coisas sem essa autorização, uma vez que o advogado da família, a pedido da viúva, impediu-me de entrar na fazenda, mulher miserável.
Uma análise preliminar na cena do crime era de suma importância para o caso, entretanto, era preciso a bendita autorização - Até depois de morto Diomedes atrapalhava. Procurei fazer o interrogatório de alguns funcionários da prefeitura. Fiquei muito preocupado na época, eu tinha mania de coçar a cabeça e fumar vários cigarros quando estava nervoso - vejo agora a consequência do meu vício, 'câncer'. A tensão pelo que haveria de acontecer era grande. Confesso que não compreendo em como os cavalos agiram daquela forma, algo que nunca vi na vida, aquilo me deixou de certa forma assustado, procurei, na medida do possível não demonstrar que estava ansioso. Diante do histórico do prefeito, achei o ocorrido merecido.
No dia seguinte levantei às cinco horas da manhã, acordei mais cedo do que de costume. Despertei com uma tremenda dor de cabeça. Fui até a cozinha, tomei uma xícara de café com leite, comi algumas bolachas, depois fui direto para a pequena rodoviária de Mor para esperar você e sua equipe, que chegariam naquela manhã. A rodoviária de Mor era o ponto de encontro que eu havia marcado por telefone com você. Às sete horas em ponto um carro preto estacionou bem de frente da minha viatura, eu estava do lado de fora, cigarro na boca, olhando para o nada. Os vidros escuros do seu carro abaixou-se lentamente, um rapaz moreno e careca colocou a cabeça do lado de fora, de pronto você nem soube que eu era o delegado, pensou que eu fosse um policial fazendo sua ronda.
"Olá tudo bem" Você disse ele em tom muito cordial - "bom dia policial, estamos procurando o delegado Apolo, marcamos com ele aqui".
"Bom dia senhores", eu sou o delegado Apolo".
Confesso que te imaginei de outra maneira, para minha surpresa, você era alto, moreno, muito magro, usando um horrível óculos escuros.
"Óoo Delegado!Perdoe-me… Meu nome é Abderis, o senhor solicitou a nossa ajuda para solucionar um caso, é isso mesmo? Desculpe-nos por confundi-lo, imaginamos que fosse um policial fazendo sua ronda, na capital os delegados não costumam sair uniformizados, geralmente eles saem de terno e gravata". "Tudo bem detetive, eu disse, cidade pequena é assim mesmo, sem dizer que não suporto gravata e nem nada dessas frescuras, tenho a sensação de estar me enforcando. Me diga uma coisa, veio só vocês três? Pensei que fossem mandar mais pessoas". "Por enquanto é só nós três, você respondeu, dependendo de como for o andamento do caso pedirei ajuda, imagino que não será necessário, resolvemos rápido nossos casos". Gostei da sua confiança.
"Tudo bem, sejam bem vindos à cidade de Mor detetive Abderis, vamos então, nós iremos direto para delegacia, tudo bem para os senhores? É só me seguirem, aluguei uma pequena casa próxima à delegacia para vocês ficarem, depois lhes mostro".
Seguimos para a delegacia, que ficava a poucos quarteirões da rodoviária onde estávamos, embora bem pequena, a minha delegacia era muito organizada e bem cuidada. Eu sempre tive mania de perfeccionismo, gosto, até ao dia de hoje, de tudo no seu devido lugar. Ao chegarmos a delegacia ficamos na sala de espera, os detetives sentaram-se no pequeno sofá que havia ali, cumprimentei aos outros que te acompanhava, trocamos algumas palavras, tomamos café, então lhes contei todo o ocorrido. Mostrei como o prefeito havia sido morto, contei-lhes também da sua má índole e da elite política da cidade e da antipatia do povo para com eles, de forma que, a lista de suspeitos, a meu ver, poderia ser gigantesca.
"Vamos aos fatos - Comecei o assunto - o prefeito era o fazendeiro mais rico de toda a região, ele criava e comercializava cavalos selvagens, a maioria importados, na verdade, os cavalos eram uma fachada para lavar dinheiro. Inúmeras pessoas trabalhavam com ele, imagino que poderíamos restringir à lista de suspeitos as pessoas que trabalhavam diretamente na fazenda, pessoas ligadas às compras dos cavalos e etc". "Concordo com o senhor, você disse, mas primeiro teremos que ir a cena do crime e colher possíveis provas, digitais, evidências… Trouxemos alguns equipamentos, coisas simples, eu também gostaria de uma amostra de sangue desses cavalos, para uma melhor análise, é muito estranho à maneira como eles agiram, é estranho essa agitação toda". "Só temos um probleminha, respondi já desanimado, temos que esperar a ordem judicial para podermos adentrar na fazenda, imagino que daqui a algumas horas ela já esteja em minhas mãos". "Como assim? Ordem judicial, eu não entendi". "Não ligue detetive, vá se acostumando, coisas do advogado dele com o juiz, aos poucos você vai entender o motivo das coisas não fluir por aqui, essa corja de corruptos chega dar nojo".
Vocês riram e fizeram piadas.
"Muito bem delegado, fazer o que, vou precisar da lista de funcionários que trabalhavam na fazenda, especificamente os que trabalhavam naquele estábulo alimentando os cavalos". "Tudo bem, sem problemas, vou providenciar o quanto antes".
Eu que pensei que demoraria… Não demorou nem meia hora e um dos policiais chegou com a ordem liberando a entrada na fazenda e na casa do prefeito. Eu você e seus meninos saímos na mesma hora, fomos direto para a fazenda do maldito, que ficava a poucos quilômetros da delegacia, eu fui em seu bonito carro preto. Quando chegamos à fazenda não encontramos ninguém na entrada - era de se esperar - a porteira estava aberta, você logo estranhou aquilo,entramos mesmo assim.
Na casa do prefeito não havia ninguém, apenas alguns funcionários que moravam e trabalhavam ali, eu conduzi o senhor até o estábulo, o local onde o prefeito foi encontrado, que por sinal ainda estava sujo de sangue, enquanto você tentava colher possíveis digitais na cena do crime, pedi a um dos empregados que me levasse ao local onde os cavalos foram enterrados. O empregado, um senhor já de idade, conduziu-me um pouco mais abaixo do estábulo, os cavalos foram enterrados no começo de uma mata fechada, com uma pá e uma enxada, começamos a cavar, a cova estava rasa, horrível na verdade, uma merda, rapidamente parte do corpo dos animais estavam expostos. Naquele momento os seus colegas se aproximaram, conversavam entre eles.
"Conseguiu alguma coisa dentro do estábulo? Perguntou um deles para o outro. "Nada, nem uma digital, o nosso assassino sabe o que faz, não é nenhum amador". Você prontificou a responder.
"Novidades aí delegado"? "Caramba, a coisa está se complicando, bom… Aqui está os tais cavalos que lhes falei é só colher uma amostra do sangue". Mostrei-lhe o defunto. No momento em que um dos investigadores se abaixou e começou a retirar amostras do animal morto, de longe, no meio da mata, você percebeu algo diferente, que olhar de águia o seu. Você apontou para mata chamando a atenção de todos nós, ficamos parados por uns minutos, silêncio e apreensão, olhar fixo na mata tentando enxergar algo". "Delegado, você disse quase a me puxar pela camisa, acho que tem alguém na mata, melhor irmos lá vermos, vejam como os galhos naquela parte ali estão quebrados. E bem lá adiante parece ter uma clareira, e se estou enxergando bem, parece haver alguma coisa lá". "Na mata? Como? Você só pode está de gozação". Eu disse. "Não estou, olhe só, veja você mesmo". "É sério isso, eu não vejo nada, deve ser impressão sua Abderis".
Eu não tinha visto nada mesmo.
"É… Pode até ser, mas parece-me que tem alguém deitado lá, ou qualquer coisa assim. Melhor conferirmos".
Caminhamos lentamente mata adentro, um local extremamente sujo, entretanto, havia muitos galhos amassados e quebrados, como se houvesse arrastado alguém por ali, caminhamos um pouco até que chegamos a parte da mata que estava limpa, seguimos o caminho amassado no mato. Qual não foi à surpresa, bem diante dos nossos olhos, estava riscado no chão - muito limpo por sinal - um tipo de labirinto feito aparentemente por alguma coisa pontuda, considerando o chão de terra duro, deve ser algo de metal. Bem no centro do mesmo havia um corpo deitado com uma caveira do crânio de um boi com o chifre cravado no peito de uma possível vítima. O labirinto era quadrado, mais ou menos de uns vinte por vinte. Adiantei-me, e quis passar por cima do desenho do labirinto, você me impediu, lembra-se? "Não.. Espere um pouco Apolo, você disse colocando as mãos no meu peito, o assassino desenhou um labirinto, não o fez de propósito, melhor seguirmos pelo labirinto até chegar ao corpo, percebe-se que não estamos lidando com qualquer um, aqui pode ter provas valiosas aqui, quero preservá-las ao máximo se possível.
"Sou péssimo com labirintos, cruzadinhas, sudoko e essas coisas, e a propósito, só para registro, quem é que perde tempo fazendo uma merda dessas? Vai você na frente que eu te sigo Abderis".
"Tudo bem Apolo, tudo bem, venham, e não pise nas linhas".
Lentamente você eu e outro investigador seguimos, lentos, decifrando o caminho do desenho até conseguirmos chegar no corpo, que ficou posicionado no meio do círculo no labirinto. Confesso que demoramos um pouco, era um desenho enorme, mas conseguimos, ao ver a vítima, ainda de terno, levei um tremendo susto que me fez bambear as pernas.
"Você o conhece delegado? "Meu Deus do céu… Não pode ser, filho da… É o vice-prefeito da cidade, Dr. Minos".
"O que é isso no crânio do animal? E quem teria o trabalho de desenhar algo assim tão grande, complexo e exato"?
"Não tenho a mínima idéia, mas para fazer isso, teve tempo disponível, não se faz uma coisas dessas do dia para noite", respondi, mas eis um grande mistério a frente". " Parece um diamante cravado no crânio, ou qualquer coisa assim, espere um pouco… Vou tirar algumas fotos de todo o local primeiro". "Qual o motivo de alguém cravar o crânio de um boi no peito da sua vítima com um diamante nele, isso é muito estranho, sem dizer no labirinto… Caramba, agora que não estou entendendo mais nada, tenho vinte e cinco anos de profissão e nunca vi nada parecido". "Tão pouco eu delegado… Tão pouco eu, você respondeu, isso não faz nenhum sentido, de uma coisa eu sei, temos um assassino em série a solto, muito inteligente por sinal, e, que parece conhecer muito bem o que faz". "Vou ligar para a funerária vir buscar o corpo para o necrotério". "Espera um pouco delegado, espere… Tem mais coisas aqui, veja só, na testa dele, riscado bem de leve, é o mesmo nome que tínhamos na primeira vítima, do mesmo jeito que você nos falou… Lembra-se". "Claro que lembro. Agora é, Hércules e o número dois em algarismo romano". "O filho da mãe além de pôr o seu nome na vítima está enumerando-as em algarismos romanos". "Você havia dito que pareceu ver alguém aqui, será o assassino? Será que ele ainda está por perto"? Eu duvido, mas é melhor pedir aos teus policiais que dêem uma varredura no local". "Vou fazer isso".
Pedi aos policiais que estavam no local para fazerem isso, o policial Ariel liderou tudo, ficaram horas na mata, e nada encontraram. Por fim, pedi para que deixassem de lado a procura, dei ordem a Ariel que reforçasse as rondas na cidade.
A nova morte repercutiu ainda mais forte na cidade, os moradores estavam muito assustados, quase já não saia de suas casas, o medo se instalou na câmara de vereadores da cidade, visto que as duas vítimas eram políticos corruptos. E de certa forma, todos tinham uma ligação com o prefeito e o seu vice. Agora eram duas mortes, e nada ainda havia sido descoberto daquele misterioso assassino que se intitulava 'Hércules'. Aquele caso começava a ficar interessante.

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