segunda-feira, 29 de julho de 2019

NOVELA 3° CAPÍTULO.



            3.



 Aqueles malditos jornais fizeram com que o moradores de Mor ficassem aterrorizados pelas recentes mortes. Já os vereadores da cidade de Mor ficaram em desespero total; marcaram com urgência outra sessão extraordinária para poderem empossar o presidente da câmara como o novo prefeito. O medo generalizou, não havia quem não comentasse as recentes mortes. Teorias das mais absurdas surgiam entre os moradores, dando ao misterioso assassino inúmeras identidades e motivos dos mais absurdos e bizarros.
 Lembra-se do quarto do mistério? Eu e sua equipe tivemos que alugar uma sala provisória no centro da cidade, era uma sala bem espaçosa de forma que cuidaríamos melhor do complicado caso que tínhamos em mãos - Você deu a ela esse nome. Fizemos um painel enorme, na ponta superior deste painel fixamos a fotografia do prefeito, um pouco mais abaixo a de seu vice, em ambas uma descrição com detalhes sobre a morte como data e outras descrições referente às vítimas. Naquele dia você ligou para a capital solicitando reforços para a equipe de investigações, e também policiais especializados, de pronto eles o atenderam dentro do possível. Eu estava com as fotos das cenas dos crimes em mãos, e tentava descobrir algo de novo que talvez tivesse passado despercebido. Fiquei tenso, fumei outro cigarro, Hollywood, xícara de café na mesa, era o velho costume de fumar quando se está muito nervoso - até os dias atuais é assim. "Abderis, veja só o que eu encontrei nessas fotos". Eu disse. "Esses desenhos junto às vítimas parecem..."."Desenhos de signos - você respondeu - iguais aos que vemos nos jornais, dê só uma olhada se não são idênticos a de seção de horóscopos do jornal". "Ò se é! Você tem razão, são mesmo desenhos de signos do zodíaco, como não percebemos isso, o da primeira vítima é o símbolo de Áries, já o da segunda vítima é o de Touro, muito estranho… Não me recordo de tê-los visto lá, mas é uma pista interessante e de relevante importância". "Será essa a ordem usada pelo assassino?" Perguntei.
"Possivelmente Apolo, quais eram as datas de nascimento das vítimas?"
"Se não me falha a memória detetive… A data de aniversário do prefeito é doze de Abril, eu acho, não tenho certeza, a do seu vice em vinte e dois de março, essa eu tenho certeza, meu falecido pai fazia aniversário nesta data". "Faz sentido Apolo… Faz sentido, o signo do prefeito é de Áries, conforme a foto, a do seu vice de Touro, o assassino usou um padrão aqui bem específico, sem dizer que ambos eram políticos corruptos, se ele segue essa ordem, os políticos desta cidade correm risco, como você mesmo disse, são todos corruptos, agora o que não entendo, é que teremos que descobrir, é a real motivação dele para fazer isso, não acredito que seja somente pela roubalheira".
"Olha meu amigo, o povo anda dizendo por aí que o assassino é um justiceiro, então, temos um possível justiceiro à solta por aí. Nos últimos anos a nossa cidade se envolveu em diversos escândalos políticos, propinas, compra de votos para aprovação de leis e emendas, e, tantas outras coisas que se eu fosse falar ficaríamos o dia todo. A coisa estava a tal ponto que ficamos a mercê dessa corja. Ao que me parece, alguém está muito determinado aqui".
"É só o que me faltava Apolo, temos que colocar todas essas informações em nosso painel e tentar desvendar esse mistério, se o assassino for mesmo um serial Killer justiceiro, ele seguirá o mesmo padrão para todas as suas vítimas, seria bom se tivéssemos reforço policial, e o mais rápido possível".
"Vou ver o que posso fazer quanto a isso, vou conversar com o Ariel, mas não vá se animando, as coisas por aqui são difíceis, como eu te disse, esses políticos manipulam até os juízes, e tudo quanto você puder imaginar, se eles perceberem que estão ameaçados, fariam de tudo para impedir, mas... Se eles se sentirem ameaçados pelo assassino, certamente que nos procuraram". "Se a nossa teoria estiver correta, a próxima vítima terá o signo de Gêmeos, a data de aniversário de sua próxima vítima deverá ser entre vinte e dois do cinco e vinte e um do seis, correto Apolo". "Corretíssimo, não entendo muito de signos, mas se você está dizendo, então é isso mesmo. Vou providenciar as datas de aniversário de todos os políticos e de algumas pessoas influentes na cidade, quem sabe antecipamos os passos dele".
Aqueles foram nossos primeiros passos significativos no caso.





               ****





    Passaram-se alguns dias desde a última vítima, e, nada de novo havia acontecido. A cidade começava a se acalmar, já não se comentava tanto sobre as mortes - é incrível como as pessoas esquecem das coisas - a equipe de criminalística solicitada por você havia chegado fazia dois dias e já trabalhávamos nos casos. Eu fiz  uma reunião com todos os que haviam chegado da capital colocando-os a par dos fatos ocorridos. A equipe de criminalística era composta de quatro pessoas, e ficariam na cidade de Mor até solucionarem todo o caso. O suposto assassino em nenhuma das duas cenas do crime deixa evidências que revelassem sua verdadeira identidade, como digitais ou outras pistas, os enigmas eram as únicas coisas em evidência que tínhamos, como se o assassino quisesse brincar com o departamento de política. ( Se naquele tempo vocês tivessem as tecnologias disponíveis hoje, sua conclusão e progresso seria óbvia )
 A câmara dos vereadores e a prefeitura foram reforçadas com um novo efetivo policial, como eu havia previsto, o novo prefeito da cidade solicitou guarda pessoal para ele e toda a sua família, tudo parecia bem, os cidadãos de Mor sentiam-se mais seguros com os novos policiais nas ruas. Na sala dos mistérios a equipe trabalhava no intuito de descobrir quem era o misterioso assassino, eu havia feito um pedido junto ao juiz, na verdade, uma autorização para entrarmos novamente na casa da primeira vítima. Enquanto isso, os detetives tentavam descobrir algo de novo. "Já temos em mãos as datas de aniversários de todos os políticos e de algumas pessoas influentes de toda a cidade, isso nos possibilita focar melhor o caso, alguns já estão sobre proteção policial, duvido que esse maluco tente alguma coisa". Disse um dos seus investigadores. "Só não entendo o motivo do assassino se denominar pelo nome de Hércules, Apolo disse que não conhece ninguém aqui com esse nome". Argumentava outro rapaz da equipe. "Não sei te responder, mas é o que descobriremos, eu pedi a autorização para que pudéssemos entrar na casa do antigo prefeito, nossa primeira vítima, a casa fica na sua fazenda, vamos ver se descobrimos alguma coisa por lá". Você disse a equipe de criminalística. 
 Naquele momento em que conversávamos um dos meus policiais entrou na sala quase sem fôlego, a voz rouca quase não saiu, o seu semblante assustado deixou todos apreensivos e logo veio a pergunta.
"O que foi que aconteceu policial? Que cara é essa, pelo amor de Deus, diga logo o que aconteceu?" Você perguntou. "Fui à casa do advogado do prefeito, Dr. Busiris, conforme vocês pediram pegar a autorização para adentrar na fazenda, teríamos que negociar isso com ele. Quando lá cheguei, a porta estava aberta, não havia ninguém, os vizinhos disseram que há dois dias não o se vê ninguém entrar ou sair da casa. Entrei para dar uma olhada, e realmente não tem ninguém, está tudo arrumado, sem nenhum sinal de arrombamento ou roubo, não há ninguém lá, ele sumiu". "Não é possível… Onde esse cara foi se meter? Será que viajou? Sendo ele o advogado do prefeito, conhecia todas as falcatruas do seu cliente, acho melhor procurarmos o cara". "Ele tanto pode ser vítima, mas também o suspeito". Você disse.
 Embora a sua experiência com investigações e casos assim fosse grande, esse em questão o desafiava, logo percebi todo seu empenho. Eu você e mais dois policiais fomos tentar achar o advogado, o restante da equipe ficou na sala dos mistérios. Tentamos encontrá-lo em diversos lugares, fomos à câmara dos vereadores, à prefeitura, e até em algumas casas, a movimentação dos policiais deixou toda a população apreensiva, passamos o dia todo procurando pelo advogado sem obter resultados, quando estávamos para desistir, um senhor que foi um dos funcionários do prefeito na sua fazenda, aproximou-se de mim com uma estranha informação. "Delegado... Delegado - Dizia o senhor um pouco assustado - Um minuto, por favor, delegado". "O que foi homem? Em que posso ajudá-lo". Respondi um pouco ríspido, eu estava cansado e estressado. "Lembra-se de mim, eu trabalhava na fazenda do prefeito Diomedes". Dizia ele apontando o dedo para si mesmo. "Sim claro, eu me lembro de você agora, desenterramos partes dos cavalos".
"Isso mesmo, hoje era o meu último dia de trabalho na fazenda, o advogado do prefeito tinha acertado tudo com agente, isso já faz uns dias, hoje, antes de sair fui dar uma conferida para ver se eu não tinha esquecido nada, ferramentas jogadas, essas coisas sabe, quando me aproximei da casa do prefeito percebi que a porta estava aberta, se bem me lembro, os senhores tinham fechado tudo e lacrado, percebi um cheiro horrível vindo de lá de dentro, cheiro igual a de bicho morto, pensei em entrar, mas achei melhor chamar os senhores". "Fez muito, muito bem, iremos lá agora mesmo" Chamei alguns de vocês e fomos. "Vamos no meu carro - Você disse - eu você, o restante vai na viatura policial". Fomos à mesma hora para a fazenda do prefeito que ficava a alguns quilômetros, o sol já começava a declinar no horizonte, quando chegamos à fazenda já era noite, o ambiente escuro da fazenda tinha um ar sinistro, tudo estava escuro, nenhuma lâmpada havia ficado acesa, ao aproximarmos da casa e o mau cheiro que o empregado tinha relatado estava ainda mais forte, parecia cenário de filmes de terror. Com lanternas nas mãos entramos, passo a passo, a sala de estar estava aparentemente normal, não tinha sinal de bagunça e nem de arrombamentos, parte da equipe ficou do lado de fora ao redor da casa. Conforme eu me dirigia para a cozinha da casa o mau cheiro aumentava, minha velha lanterna falhava o tempo todo, quando de repente, eu fui tomado por um grande susto e quase derrubei a lanterna. Bem a minha frente, estavam duas enormes serpentes, chamei pelos outros, eu fiquei apavorado, pois tenho fobia de serpentes, desde criança. "O que foi Apolo? Achou alguma coisa. Você disse.
 Eu estava estático, sem dizer uma palavra, iluminei a terrível imagem a minha frente, a lanterna do detetive direcionou-se para o mesmo local da minha, o susto foi grande, bem à nossa frente, cercado por duas cascavéis enormes, estava o corpo do advogado, Busiris, todo amordaçado e com duas maçãs na sua boca, as maçãs estavam pintadas na cor de ouro. Imediatamente chamei o restante da equipe, fotos foram tiradas. Na testa da vítima o mesmo nome, Hércules e o número três, e o símbolo do signo de Gêmeos em um pedaço de papel, recorte de jornal, enquanto a equipe retirava o corpo para levá-lo ao necrotério, você sentou-se em uma cadeira com as mãos sobre o rosto, não acreditando no que via. Quem menos eles esperavam, o único que não tinha recebido proteção policial, foi justamente a vítima escolhida pelo assassino misterioso.
 O clima de terror voltou a assolar não só a cidade de Mor, mas todas as cidades circunvizinhas. Essa era a terceira vítima em um mês e nenhuma evidência foi deixada pelo assassino, nenhuma digital, nada, tudo estava perfeitamente em seu devido lugar, como se o corpo tivesse sido colocado ali cuidadosamente. Aquela altura, você começava a ter dúvidas, e medo, logo percebi. Mas era apenas o começo.

    



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