segunda-feira, 15 de julho de 2019

NOVELA. 2° CAPÍTULO.


                 OS CRIMES DE HÉRCULES.

                  2° CAPÍTULO.


 A cidade de Mor ficou aterrorizada pelo o que havia acontecido ao prefeito Diomedes, os vereadores junto ao vice, Dr. Minos Garrett, decretou três dias de luto oficial. Mas ninguém parecia importar-se com a morte do prefeito. Poucas pessoas foram ao enterro no dia seguinte, somente alguns familiares e a esposa. 
 Os moradores de Mor, de certa forma, sentiam-se aliviados pela morte do tirano, mas os políticos, ah meu amigo, esses temiam que o assassino fosse algum inimigo do prefeito, eles bem sabiam que o vice-prefeito conhecia e participava dos roubos, propinas, sujeiras da pesada, bem como também muitos dos vereadores - diga-se de passagem, uma Corja de corruptos que odeio mais que tudo - Na minha delegacia - me reservava ao direito de assim nomeá-los
 Eu receberia você e sua equipe na  manhã seguinte, solicitei a ajuda dos senhores para me auxiliaram nas investigações.
 A princípio eu dependia de uma autorização para poder entrar na casa da vítima - a casa localizava-se fazenda da vítima - era necessário adentrar na fazenda e prosseguir com as investigações, a esposa não quis ficar na fazenda, mudou-se sei lá para onde, de forma que, eu não poderia fazer muitas coisas sem essa autorização, uma vez que o advogado da família, a pedido da viúva, impediu-me de entrar na fazenda, mulher miserável. 
 Uma análise preliminar na cena do crime era de suma importância para o caso, entretanto, era preciso a bendita autorização - Até depois de morto Diomedes atrapalhava. Procurei fazer o interrogatório de alguns funcionários da prefeitura. Fiquei muito preocupado na época, eu tinha mania de coçar a cabeça e fumar vários cigarros quando estava nervoso - vejo agora a consequência do meu vício, 'câncer'. A tensão pelo que haveria de acontecer era grande. Confesso que não compreendo em como os cavalos agiram daquela forma, algo que nunca vi na vida, aquilo me deixou de certa forma assustado, procurei, na medida do possível não demonstrar que estava ansioso. Diante do histórico do prefeito, achei o ocorrido merecido.




 No dia seguinte levantei às cinco horas da manhã, acordei mais cedo do que de costume. Despertei com uma tremenda dor de cabeça. Fui até a cozinha, tomei uma xícara de café com leite, comi algumas bolachas, depois fui direto para a pequena rodoviária de Mor para esperar você e sua equipe, que chegariam naquela manhã. A rodoviária de Mor era o ponto de encontro que eu havia marcado por telefone com você. Às sete horas em ponto um carro preto estacionou bem de frente da minha viatura, eu estava do lado de fora, cigarro na boca, olhando para o nada. Os vidros escuros do seu carro abaixou-se lentamente, um rapaz moreno e careca colocou a cabeça do lado de fora, de pronto você nem soube que eu era o delegado, pensou que eu fosse um policial fazendo sua ronda. 
"Olá tudo bem" Você disse ele em tom muito cordial - "bom dia policial, estamos procurando o delegado Apolo, marcamos com ele aqui".
"Bom dia senhores", eu sou o delegado Apolo". 
Confesso que te imaginei de outra maneira, para minha surpresa, você era alto, moreno, muito magro, usando um horrível óculos escuros.
"Óoo Delegado!Perdoe-me… Meu nome é Abderis, o senhor solicitou a nossa ajuda para solucionar um caso, é isso mesmo? Desculpe-nos por confundi-lo, imaginamos que fosse um policial fazendo sua ronda, na capital os delegados não costumam sair uniformizados, geralmente eles saem de terno e gravata". "Tudo bem detetive, eu disse, cidade pequena é assim mesmo, sem dizer que não suporto gravata e nem nada dessas frescuras, tenho a sensação de estar me enforcando. Me diga uma coisa, veio só vocês três? Pensei que fossem mandar mais pessoas". "Por enquanto é só nós três, você respondeu, dependendo de como for o andamento do caso pedirei ajuda, imagino que não será necessário, resolvemos rápido nossos casos". Gostei da sua confiança. 
"Tudo bem, sejam bem vindos à cidade de Mor detetive Abderis, vamos então, nós iremos direto para delegacia, tudo bem para os senhores? É só me seguirem, aluguei uma pequena casa próxima à delegacia para vocês ficarem, depois lhes mostro". 
Seguimos para a delegacia, que ficava a poucos quarteirões da rodoviária onde estávamos, embora bem pequena, a minha delegacia era muito organizada e bem cuidada. Eu sempre tive mania de perfeccionismo, gosto, até ao dia de hoje, de tudo no seu devido lugar. Ao chegarmos a delegacia ficamos na sala de espera, os detetives sentaram-se no pequeno sofá que havia ali, cumprimentei aos outros que te acompanhava, trocamos algumas palavras, tomamos café, então lhes contei todo o ocorrido. Mostrei como o prefeito havia sido morto, contei-lhes também da sua má índole e da elite política da cidade e da antipatia do povo para com eles, de forma que, a lista de suspeitos, a meu ver, poderia ser gigantesca. 
"Vamos aos fatos - Comecei o assunto - o prefeito era o fazendeiro mais rico de toda a região, ele criava e comercializava cavalos selvagens, a maioria importados, na verdade, os cavalos eram uma fachada para lavar dinheiro. Inúmeras pessoas trabalhavam com ele, imagino que poderíamos restringir à lista de suspeitos as pessoas que trabalhavam diretamente na fazenda, pessoas ligadas às compras dos cavalos e etc". "Concordo com o senhor, você disse, mas primeiro teremos que ir a cena do crime e colher possíveis provas, digitais, evidências… Trouxemos alguns equipamentos, coisas simples, eu também gostaria de uma amostra de sangue desses cavalos, para uma melhor análise, é muito estranho à maneira como eles agiram, é estranho essa agitação toda". "Só temos um probleminha, respondi já desanimado, temos que esperar a ordem judicial para podermos adentrar na fazenda, imagino que daqui a algumas horas ela já esteja em minhas mãos". "Como assim? Ordem judicial, eu não entendi". "Não ligue detetive, vá se acostumando, coisas do advogado dele com o juiz, aos poucos você vai entender o motivo das coisas não fluir por aqui, essa corja de corruptos chega dar nojo". 
Vocês riram e fizeram piadas. 
"Muito bem delegado, fazer o que, vou precisar da lista de funcionários que trabalhavam na fazenda, especificamente os que trabalhavam naquele estábulo alimentando os cavalos". "Tudo bem, sem problemas, vou providenciar o quanto antes". 
Eu que pensei que demoraria… Não demorou nem meia hora e um dos policiais chegou com a ordem liberando a entrada na fazenda e na casa do prefeito. Eu você e seus meninos saímos na mesma hora, fomos direto para a fazenda do maldito, que ficava a poucos quilômetros da delegacia, eu fui em seu bonito carro preto. Quando chegamos à fazenda não encontramos ninguém na entrada - era de se esperar - a porteira estava aberta, você logo estranhou aquilo,entramos mesmo assim. 
 Na casa do prefeito não havia ninguém, apenas alguns funcionários que moravam e trabalhavam ali, eu conduzi o senhor até o estábulo, o local onde o prefeito foi encontrado, que por sinal ainda estava sujo de sangue, enquanto você tentava colher possíveis digitais na cena do crime, pedi a um dos empregados que me levasse ao local onde os cavalos foram enterrados. O empregado, um senhor já de idade, conduziu-me um pouco mais abaixo do estábulo, os cavalos foram enterrados no começo de uma mata fechada, com uma pá e uma enxada, começamos a cavar, a cova estava rasa, horrível na verdade, uma merda, rapidamente parte do corpo dos animais estavam expostos. Naquele momento os seus colegas se aproximaram, conversavam entre eles.
"Conseguiu alguma coisa dentro do estábulo? Perguntou um deles para o outro. "Nada, nem uma digital, o nosso assassino sabe o que faz, não é nenhum amador". Você prontificou a responder. 
"Novidades aí delegado"? "Caramba, a coisa está se complicando, bom… Aqui está os tais cavalos que lhes falei é só colher uma amostra do sangue". Mostrei-lhe o defunto. No momento em que um dos investigadores se abaixou e começou a retirar amostras do animal morto, de longe, no meio da mata, você percebeu algo diferente, que olhar de águia o seu. Você apontou para mata chamando a atenção de todos nós, ficamos parados por uns minutos, silêncio e apreensão, olhar  fixo na mata tentando enxergar algo". "Delegado, você disse quase a me puxar pela camisa, acho que tem alguém na mata, melhor irmos lá vermos, vejam como os galhos naquela parte ali estão quebrados. E bem lá adiante parece ter uma clareira, e se estou enxergando bem, parece haver alguma coisa lá". "Na mata? Como? Você só pode está de gozação". Eu disse. "Não estou, olhe só, veja você mesmo". "É sério isso, eu não vejo nada, deve ser impressão sua Abderis". 
Eu não tinha visto nada mesmo. 
"É… Pode até ser, mas parece-me que tem alguém deitado lá, ou qualquer coisa assim. Melhor conferirmos".
 Caminhamos lentamente mata adentro, um local extremamente sujo, entretanto, havia muitos galhos amassados e quebrados, como se houvesse arrastado alguém por ali, caminhamos um pouco até que chegamos a parte da mata que estava limpa, seguimos o caminho amassado no mato. Qual não foi à surpresa, bem diante dos nossos olhos, estava riscado no chão - muito limpo por sinal - um tipo de labirinto feito aparentemente por alguma coisa pontuda, considerando o chão de terra duro, deve ser algo de metal. Bem no centro do mesmo havia um corpo deitado com uma caveira do crânio de um boi com o chifre cravado no peito de uma possível vítima. O labirinto era quadrado, mais ou menos de uns vinte por vinte. Adiantei-me, e quis passar por cima do desenho do labirinto, você me impediu, lembra-se? "Não.. Espere um pouco Apolo, você disse colocando as mãos no meu peito, o assassino desenhou um labirinto, não o fez de propósito, melhor seguirmos pelo labirinto até chegar ao corpo, percebe-se que não estamos lidando com qualquer um, aqui pode ter provas valiosas aqui, quero preservá-las ao máximo se possível.
"Sou péssimo com labirintos, cruzadinhas, sudoko e essas coisas, e a propósito, só para registro, quem é que perde tempo fazendo uma merda dessas? Vai você na frente que eu te sigo Abderis".
"Tudo bem Apolo, tudo bem, venham, e não pise nas linhas".
 Lentamente você eu e outro investigador seguimos, lentos, decifrando o caminho do desenho até conseguirmos chegar no corpo, que ficou posicionado no meio do círculo no labirinto. Confesso que demoramos um pouco, era um desenho enorme, mas conseguimos, ao ver a vítima, ainda de terno, levei um tremendo susto que me fez bambear as pernas. 
"Você o conhece delegado? "Meu Deus do céu… Não pode ser, filho da… É o vice-prefeito da cidade, Dr. Minos".
"O que é isso no crânio do animal? E quem teria o trabalho de desenhar algo assim tão grande, complexo e exato"?
"Não tenho a mínima idéia, mas para fazer isso, teve tempo disponível, não se faz uma coisas dessas do dia para noite", respondi, mas eis um grande mistério a frente". " Parece um diamante cravado no crânio, ou qualquer coisa assim, espere um pouco… Vou tirar algumas fotos de todo o local primeiro". "Qual o motivo de alguém cravar o crânio de um boi no peito da sua vítima com um diamante nele, isso é muito estranho, sem dizer no labirinto… Caramba, agora que não estou entendendo mais nada, tenho vinte e cinco anos de profissão e nunca vi nada parecido". "Tão pouco eu delegado… Tão pouco eu, você respondeu, isso não faz nenhum sentido, de uma coisa eu sei, temos um assassino em série a solto, muito inteligente por sinal, e, que parece conhecer muito bem o que faz". "Vou ligar para a funerária vir buscar o corpo para o necrotério". "Espera um pouco delegado, espere… Tem mais coisas aqui, veja só, na testa dele, riscado bem de leve, é o mesmo nome que tínhamos na primeira vítima, do mesmo jeito que você nos falou… Lembra-se". "Claro que lembro. Agora é, Hércules e o número dois em algarismo romano". "O filho da mãe além de pôr o seu nome na vítima está enumerando-as em algarismos romanos". "Você havia dito que pareceu ver alguém aqui, será o assassino? Será que ele ainda está por perto"? Eu duvido, mas é melhor pedir aos teus policiais que dêem uma varredura no local". "Vou fazer isso".
 Pedi aos policiais que estavam no local para fazerem isso, o policial Ariel liderou tudo, ficaram horas na mata, e nada encontraram. Por fim, pedi para que deixassem de lado a procura, dei ordem a Ariel que reforçasse as rondas na cidade. 
 A nova morte repercutiu ainda mais forte na cidade, os moradores estavam muito assustados, quase já não saia de suas casas, o medo se instalou na câmara de vereadores da cidade, visto que as duas vítimas eram políticos corruptos. E de certa forma, todos tinham uma ligação com o prefeito e o seu vice. Agora eram duas mortes, e nada ainda havia sido descoberto daquele misterioso assassino que se intitulava 'Hércules'. Aquele caso começava a ficar interessante.

        

terça-feira, 2 de julho de 2019

NOVELA. 1° CAPÍTULO.



NOTA INICIAL.




    
 Dias antes de me mudar de Rio das Pedras, alguém desconhecido deixou um embrulho na porta da minha casa, não sei dizer em que horário foi, pela manhã que o notei. Estava ao lado do jardim, a princípio, desconfiei do embrulho, eu não havia comprado nada que fosse entregue pelos correios, peguei o misterioso pacote, relutei em não abri-lo, embora ele estivesse devidamente arrumado, não havia o endereço de origem, era apenas o meu endereço. Relutante ao abri-lo deparei-me com um calhamaço de papéis datilografados, neles, uma fotografia de um senhor, de idade já bem avançada, e uma história, o que estava escrito naquelas inúmeras folhas desrespeita ao meu passado, o meu último trabalho como investigador na então cidade interiorana de Mor - Lugar onde trabalhei há muitos anos atrás. 
 O autor desse calhamaço - Apolo Lombardi Lucano - era o então delegado da cidade naquela ocasião, trabalhamos juntos naquele ano.
 O caso aconteceu há quase vinte anos, se não falha a memória. Depois de ler e reler os papéis escritos por Apolo, eles revelaram ao final, fatos importantíssimos de certo caso, que, na época nunca foram desvendados. Por isso resolvi publicá-los.
          ( Abderis Franzoni. )












Apontamentos…
( Apolo Lombardi Lucano )





 Como tudo começou? Bem… Vamos por partes amigo, tenha calma, irei lhe contar tudo. Mas antes, permita-me algumas breves considerações desse que vos escreve.  
 Uma vida tranquila? 
 Talvez… 
 Uma vida pacata e sem problemas?
 Quem sabe. 
 Afinal, quem não deseja uma vida tranquila, à beira de um lago, vara de pescar, o silêncio da natureza. 
 Certo que todos desejam, eu também desejei, é isso que todos almejam, inclusive você. 
 Desde cedo, ainda na época da escola, menino, eu sempre evitei os conflitos e as brigas. Defino-me, portanto, como alguém reservado e de poucas palavras, porém, sempre fui muito atento e observador, dom esse que me seria extremamente útil no futuro, como de fato foi. Meus amigos sempre foram poucos, na verdade, era apenas um, o José. Eu o conheci quando tinha dez anos, em uma escola que ficava na pequena fazenda dos Alcântara, nas proximidades de Mor, assim como eu, José também era reservado e não gostava nem um pouco de conversar e de fazer amizades, quando estávamos juntos - era diferente - nos comunicávamos a nossa maneira, do nosso jeito, embora estranho, confesso, era uma comunicação quase unicamente gestual, assim   nos dávamos muito bem. 
 Bons tempos aqueles, se fosse possível voltar a um determinado momento no passado, certamente eu escolheria aquele momento da minha infância, aqueles foram os meus melhores dias - era feliz e não sabia. 
 A vida tem dessas coisas caro amigo, não sabemos aproveitar os bons momentos que ela nos oferece, somente depois que eles passam é que lamentamos e choramos o que foi desperdiçado. Assim como é a sombra em um dia de sol, assim é o tempo, foi o tempo, e sempre será o tempo, fugaz. Hoje, tantos anos depois, o que me resta são apenas as boas lembranças que ainda vagam solitárias pela minha falha memória.
 Quando jovem, eu queria ser artista plástico, logo percebi que não tinha o menor talento. Tentei de tudo um pouco, e também trabalhei em quase tudo. Quando eu completei vinte anos, consegui entrar para a polícia, rapaz forte, alto, boa aparência, inteligente, tudo parecia contribuir para que eu entrasse para a polícia, mesmo contrariando demais opiniões, segui em frente, havia um objetivo naquela carreira que se iniciava.  
 No último dia de novembro de… Não me lembro a data. Começava a minha carreira como delegado de polícia, a cidade que eu trabalharia, a primeira e única até ao dia em que saí, foi a cidade de Mor, ao extremo norte de Minas Gerais. Eu nunca imaginei que nesta cidade tão pequena, tão pacata, que construiria a minha carreira como delegado e alcançasse o meu principal objetivo, foi em Mor, que com esforço e muito suor, lágrimas e sangue, principalmente sangue, que construí a minha carreira policial.
 Hoje, já velho, faço apenas relembrar minhas memórias nesta última válvula de escape da minha vida, a literatura, vou terminando os meus dias lendo, e, entre uma leitura e outra, resolvi escrever minha própria história, aliás. Uma confissão final. Hoje, preso ao cárcere deste meu corpo moribundo e canceroso, passo o dia cheio de dores, as vezes grito de dor, quando passa a dor, escrevo minhas memórias. 
    Permita-me, caríssimo amigo, que eu lhe conte um pouco do que não lhe foi dito. Vou lhe confidenciar a verdade de como foi o nosso último caso em Mor, o pior e o maior de todos, foi com este caso que encerrei a minha carreira profissional, alcançando o meu objetivo, prendendo o criminoso mais perigoso de todos os tempos. Os crimes que ele cometeu - lembre-se - desafiou a todos nós, os seus métodos incomuns e a sua crueldade eram um desafio para as mentes mais inteligentes - Há de concordar. Tudo levou-nos ao extremo de nosso exercício profissional, em uma caçada angustiante contra alguém extremamente aplicado e perigoso, as baixas surgiram, mas, finalmente, conseguimos prender o assassino, ao olhar de muitos do povo, ele era um herói justiceiro, de outros, apenas um assassino, dos demais, um executor, para a lei, ele era apenas um criminoso e assassino. 
 Tentarei da melhor maneira possível contar-lhe toda a verdade não dita, e de tudo quanto aconteceu naquele fatídico ano, você, caríssimo amigo, talvez fique surpreso, você, estimado amigo, vai estar diante de um final que não consta nos autos policiais, a verdade por detrás dos fatos… Vai te deixar em grande desconforto.

Então… Vamos adiante…





    Os fatos se passaram na pacata cidade de Mor, um lugar que parou no tempo, as casas eram simples e pequenas, boa parte delas foram construídas em madeira, de uma arquitetura de singular beleza. Uma cidade com muito verde e de belas praças, cidade hospitaleira, de um povo alegre e acolhedor, assemelhando-se às casas de certas cidades do interior dos Estados Unidos. 
 Mas o tempo passou, tudo passou.
 Mor contudo, nunca mudou.
 Lembro-me bem do prefeito de Mor, chamava-se Diomedes, era conhecido pela grande criação de cavalos que possuía em sua fazenda, a maioria deles cavalos selvagens, e necessitam de adestramento para depois serem comercializados. Essa prática tornou o prefeito um fazendeiro rico e ambicioso que fazia tudo ao seu alcance para ter o que desejava seus olhos. Todos na cidade de Mor o temia, e, faziam praticamente todos os seus desejos. Contam os mais antigos, que Diomedes matou várias pessoas por dinheiro, abusou de inúmeras empregadas que trabalhou em sua fazenda. Para os moradores ele era um verdadeiro tirano, um déspota, que não respeitava nem a própria mãe, colocando-se sempre acima da lei, porém, ninguém se opunha a ele. 
 A cidade sempre foi governada com mãos de ferro pelo carrasco e corrupto prefeito, e quem ousava desafiá-lo ou ir contra as suas vontades rapidamente desaparecia sem deixar rastros, acreditava-se que ele havia construído um cemitério escondido em sua fazenda, lugar onde, segundo diziam as más línguas, ele enterrava as vítimas assassinados por seus capangas, aqueles que ele considerava os seus inimigos. Contava-se também que ele alimentava os seus cavalos selvagens com partes das suas vítimas misturadas na ração - algo que foge à compreensão humana. 
 Por várias vezes eu tentei conduzir investigações contra ele, buscava conseguir provas que o levasse a cadeia, mas nunca obtive sucesso, o seu poder financeiro e a sua influência política eram obstáculos difíceis de serem vencidos. 
 A sua família era formada de políticos importantes, pai, avô, tios, primos, enfim, todos com cargos na esfera política nacional, alguns inclusive em Brasília. ("Até aos dias de hoje") 
Nunca houve quem o contrariasse, ninguém na cidade tinha coragem de se colocar contra o prefeito, àquele demônio chamado Diomedes teria que prestar contas a Deus, meu avô dizia que nesta terra ninguém que é ruim passa sem punição. 
 A significativa mudança dessa situação teve iniciou em um domingo, no início da primavera - não vou me recordar as datas, perdoe-me - como é costumeiro nas pequenas cidades interioranas - ainda nos tempos atuais - a maioria dos moradores se encontravam na igreja nas manhãs de Domingo, e, não era diferente na pacata cidade de Mor. A maioria das pessoas mais influentes da cidade gostavam de se encontrarem na Matriz e de ouvirem os sermões do padre Jonas, um senhor não muito simpático que não gosta de conversas paralelas durante a sua missa.
  Naquele domingo em questão, o prefeito Diomedes não compareceu à missa, o fato chamou a atenção daqueles que estavam presentes, a minha nem tanto - nunca dei importância a isso -, era do costume do prefeito comparecer às missas de domingo, e pelo fato dele nunca ter faltado desde que assumiu a prefeitura - não que ele fosse o exemplo de religiosidade, sabíamos que era puramente estratégica política para agradar o eleitorado ─ A ausência do prefeito gerou muitos comentários durante a missa do padre Jonas. Audíveis comentários eu diria, e adivinhe caríssimo amigo, de quem foi o primeiro comentário…
"Você viu quem faltou à missa hoje Apolo, é a primeira vez que isso acontece".
( Nós sempre íamos as missas de domingo, eu e minha esposa, assim como a maioria das famílias de Mor, não gostávamos de faltar às missas.)
"E você acha que eu não percebi Armênia, todos estão comentando, aquele crápula deve estar aprontando só pode, mas isso não é da nossa conta Armênia, preste atenção a missa antes que o padre Jonas chame sua atenção". Atrás de onde estávamos sentados, dois moradores comentavam sobre o mesmo assunto.
"Abner, ô Abner… Onde está o prefeito que até agora não apareceu homem? Será que aconteceu alguma coisa, olha, ele nunca falta nas missas do padre Jonas, deve ter acontecido alguma coisa homem".
"Sê besta Roberto. Até parece, vaso ruim não quebra, é mais fácil o capeta mudar para o polo norte do que acontecer algo de ruim com aquele peste de merda, onde já se viu, agora… Você bem que o conhece, já trabalhou na fazenda daquela víbora, não é mesmo... Lembra".
"Verdade né, ô rapaz, e como trabalhei! Dois anos naquela fazenda, e só por eu ter me esquecido de dar ração a um de seus cavalos prediletos ele me mandou embora, vê se pode o miserável nem o tempo de serviço ele me pagou, e ainda me ameaçou quando fui reclamar, pode isso".
"E você ainda se preocupa com uma peste daquelas, faça-me o favor né Roberto".
 Esses comentários que ainda me vagam na memória, surgiam dentro da igreja de todos os cantos, aqui, ali e acolá, a igreja virou em um falatório só, até que, de repente, entrou na igreja à passos largos o policial Josivaldo, 'lembra dele'; que eu tinha designado para ficar de plantão na delegacia... Então, a sua voz ressoou estridente em toda a igreja, àquilo deixou o padre Jonas ainda mais irritado.
"Delegado Apolo… Delegado Apolo… Por favor, delegado Apolo, uma desgraça nos aconteceu". 
 O infeliz fez isso em plena missa, enquanto me procurava na igreja, eu até baixei a cabeça, estava morto de vergonha com toda aquela cena.
"Meu filho o que significa isso - Vociferava o padre de cima do altar     ─ tenha mais respeito com a casa de Deus, onde já se viu, que falta de respeito".
 Admoestava-lhe o padre Jonas com certa irritação no tom da voz, a face avermelhada feito pimentão, olhos quase fechados de raiva. E não era para menos.
"Desculpe seu padre - Insistia Josivaldo - me perdoe mesmo sabe, mais o caso é… De extrema importância, acabaram de encontrar o prefeito Diomedes mortinho em sua fazenda".
 Quando Josivaldo mencionou essas palavras, 'Mortinho em sua fazenda', Eu dei um salto do banco onde estava sentado, coloquei as mãos  na cabeça, não conseguindo acreditar no que estavam ouvindo, a igreja toda virou em um grande alvoroço de vozes e conversas paralelas misturadas a xingamentos e risadas, parecia mais um circo do que uma igreja.
"Quietos todos - Gritava ferozmente o padre Jonas pela segunda vez - isso é assunto para o delegado, silêncio… Por favor, respeitem os umbrais da casa de Deus".
 Na mesma hora levantei-me do lugar onde estava, pedi licença ao padre, sai da igreja, peguei o meu carro e fui direto para a fazenda do prefeito, nem passei na delegacia. Minutos depois, quando cheguei no local do crime, um dos empregados da fazenda conduziu-me ao lugar onde estava o corpo de Diomedes. O corpo do prefeito estava estendido no estábulo dos cavalos, há uns duzentos metros da casa principal, os animais estavam por demais agitados, quando eu vi o corpo do prefeito, ou, o que havia sobrado dele, quase desmaiei de tão terrível que foi a cena diante dos meus olhos, os dois cavalos ainda pisoteavam o corpo de Diomedes, os cavalos só pararam de pisa-lo depois de serem mortos por um dos policiais que estavam comigo, coisa estranha, e nunca antes vista.
"Meu Deus, o que aconteceu aqui? Liguem para o legista, rápido. Depois vamos tirá-lo daqui, e, por favor, mandem chamar um veterinário urgente, tem algo de errado com esses animais". Foi o que disse.
"Isso é coisa do satanás delegado".
"Deixa de ser besta rapaz, que conversa é essa, credo, vira essa boca pra lá".
 Tanto o policial como eu e o empregado da fazenda ficamos em silêncio, apenas gesticulamos negativamente com a cabeça, semblantes assustados. Um detalhe estranho nos chamou a atenção na cena do crime, na testa do prefeito, ou, melhor, no que havia sobrado dela, estava escrito, 'Hércules', e o número 1 em algarismo romano. Cocei a cabeça sem saber o que dizer sobre aquela inscrição, acendi um cigarro, comecei a caminhar de um lado para o outro, eu estava tenso, muito nervoso por sinal, pois há muitos anos que a cidade de Mor não presenciava um crime tão bárbaro como aquele. 
    A notícia havia se espalhado por toda a cidade, e apesar dos moradores estarem assustados com a morte do tirano prefeito, outros não esboçaram nenhum tipo de sentimento ou compaixão. Embora soubessem que havia um perigoso assassino a solta, a população não fazia muito caso. Hércules era o nome do assassino, e era só isso que eu sabia dele, solicitei detetives da capital para ajudar-me no mistério assassinato. No caso, um deles você.







quinta-feira, 27 de junho de 2019

CONTO 3.


           O VENDEDOR DE ROSAS.

 Era a primavera de oitenta e cinco, e naquele ano as flores estavam ainda mais bonitas do que no ano anterior, com cores mais vivas e de perfumes ainda mais intensos - eu, em particular sou apaixonado por flores - de todos os tipos e de todas as espécies, inclusive cultivo alguns tipos em minha casa, de todas as flores que tenho as minhas preferidas e que dominam o meu jardim são as orquídeas e as rosas, principalmente as rosas.
 Permita-me uma apresentação, peço perdão pela minha indelicadeza de não fazê-lo antes. 
 O meu nome é Giovanni Lombardi, sou um simples vendedor de rosas, e exerço esse maravilhoso ofício já faz alguns anos, amo cultivar flores. As flores mudaram a minha vida, permita-me contar-lhes alguns pormenores desta história e como isso aconteceu, em como, as flores entraram na minha vida, literalmente flores e flores, vocês entenderam o que estou a dizer, prometo-lhes ser breve, e não vou lhes causar enfado. 

 Tudo teve início quando eu fiquei desempregado, naquela ocasião nebulosa, eu trabalhava em uma metalúrgica na cidade de Rio das Pedras, isso ocorreu bem antes da primavera de oitenta e cinco, as dificuldades saltaram pela minha janela, na época eu morava com a minha mãe, uma simpática professora que amava cultivar rosas e outras flores em seu jardim. 
 O nome da minha mãe era  ngela, as suas flores preferidas eram as rosas, e, preferencialmente as vermelhas, aquele ano foi muito difícil, eu não conseguia outro emprego, foi então que comecei ajudar a minha mãe no cultivo das rosas, era uma forma de passar meu tempo e ajudá-la nas despesas, as rosas vendiam bem, havia bastante clientes, fiéis clientes que gostavam das rosas que minha mãe cultivava… Repentinamente veio a tempestade, minha querida mãe adoeceu, eu só tinha ela, sou filho único e meu pai já havia falecido, foram dias difíceis, terríveis aqueles. Em menos de duas semanas, a minha heroína faleceu, vítima de um agressivo câncer no pulmão, quanta dor e quantas lágrimas, quanto desespero em meu ferido coração, a parte mais difícil foi escolher as rosas que enfeitam o seu caixão, escolhi as suas preferidas rosas vermelhas que ela tanto amou até o fim da vida. Foi ali naquele cenário de dor morte e lágrimas, que jurei a mim mesmo que não deixaria as rosas de minha mãe morrerem, passei então a cultivá-las e a vendê-las, fiz delas o meu ofício e o meu ganha pão, foi desse modo que as rosas me encontraram e que eu encontrei uma outra flor, de beleza ainda maior. 
 Permitam que eu lhes fale dessa outra flor, de beleza indescritível eu diria, a primeira vez que meus olhos pousaram sobre sua face encantadora, foi exatamente no enterro da minha mãe, em meio a uma multidão de conhecidos da minha mãe, lá estava ela, irradiando sua majestade, que mulher belíssima, em seu busto ela trazia uma pequena rosa negra, era a primeira vez que eu via uma rosa daquela espécie, é muito rara por sinal, parecem com as rosas turcas Halfeti, elas são extremamente raras, mas lá estava ela, estendida de forma primorosa no seio de outra flor ainda mais primorosa. Imagino que os senhores estejam se questionando sobre qual rosa estou a lhes falar, na verdade das duas eu diria, duas rosas negras que conquistaram meu sofrido coração.
 Dias depois eu procurei informações daquela moça e a sua rosa negra, perguntei a todos os moradores da pequena cidade de Rio das Pedras, perguntei a todos se alguém porventura não havia visto uma bela moça com um rosa negra grudada no vestido, assim e assim… Explicando-lhes tudo. Depois de muito perguntar, quando eu já estava para desistir, por fim um senhor de uma banca de jornal que ficava na praça central da cidade me informou que a conhecia, era nova na cidade, trabalhava em uma escola que ficava próximo dali; como eu conhecia bem a escola não hesitei e fui até lá. 
 Nos primeiros passos pátio adentro me surpreendi, havia algo diferente ali, e era justamente o belo jardim de rosas e orquídeas azaleias e outras flores, elas estavam próximas a secretaria. Eram de uma beleza que com palavras não consigo descrever, e lá estava ela, uma tímida rosa negra em meio as rosas vermelhas, que fascinante visão, digna de um artista da grandiosidade de Da Vinci, somente as talentosas mãos do mestre Italiano poderia pintar com exatidão as vivas cores que vestiam aquelas rosas de belezas indescritíveis. A moça da secretaria percebendo o meu deslumbramento  pelo jardim chamou-me naquele momento de pura hipnose.
 - Olá tudo bem! Posso ajudá-lo, vejo que o senhor gostou das rosas, são lindas não é mesmo, foi a nossa nova diretora quem as plantou, ela tem fascínio por rosas, as trouxe da sua cidade.
 - Olá moça ─ Respondi um pouco tímido - Perdoe a distração, o meu nome é Giovani, eu morro no bairro dos Cadetes, sou vendedor de rosas na praça da matriz, por isso a minha admiração por elas.
 - Que bom Giovani, meu nome é Alice, trabalho a pouco tempo nessa escola, confesso que conheço pouco da cidade. Estou auxiliando a diretora, o senhor gostaria de falar com ela, acredito que vocês se darão bem, afinal, os dois amam flores, especialmente as rosas.
 - Eu gostaria sim Alice, se não for incomodar é claro.
 - Só um minuto, já vou chama-la.
 Não demorou muito e lá veio ela, a passos curtos e precisos, com a mesma rosa negra em seu busto, os seus olhos eram de um verde fascinante e os cabelos encaracolados e negros derramando-se como cascatas por toda sua costa até a altura da cintura, fazendo contraste com sua pele igualmente negra, que mulher maravilhosa, que perfume intenso, que corpo divino, no momento em que ela me cumprimentou, com um discreto abraço, me senti com uma abelha a sugar o néctar daquele doce perfume, meu corpo estremeceu, senti-me inebriado por aquele perfume.
 - Bom dia, tudo bem Giovanni, é esse o seu nome né?
 - É isso mesmo, bom dia diretora.
 - Em que posso ajudá-lo Giovanni, meu nome é Isabela.
 - Me perdoe por incomodá-la senhorita Isabela, é que sou vendedor e cultivador de rosas, e eu vi a senhorita no velório da minha mãe, ela trabalhou aqui nesta escola, no velório eu não pude deixar de observar essa belíssima rosa negra que você traz no vestido, eu pensei que... Bom… talvez você me arranje uma pequena muda dessa belíssima espécie, eu sei que ela é muito rara e é pedir demais, nem a conheço ainda, perdoe minha ousadia, mas a admiração foi maior que a timidez.
 - Que coincidência Giovanni, eu também as aprecio e às cultivo. Não há problemas nenhum Giovanni, eu te dou uma muda.
 - Eu lhe agradeço de todo o coração, e mais uma vez, perdoe-me te incomodar.
 - Não incomodou em nada Giovanni, agora, Quem é sua mãe a propósito? Me fale um pouco dela, você disse que ela trabalhou nessa escola, é isso mesmo?
 - É sim, trabalhou a vida toda, o nome dela era  ngela Bonnatti, minha mãe cultivava rosas nas horas vagas, todos na cidade e até nas cidades vizinhas a conheciam. Digamos que herdei dela o gosto por rosas.
 - Na verdade Giovanni, é a minha mãe que cultiva rosas, assim como a sua mãe, minha mãe também faleceu não faz muito tempo, a sua mãe, pelo nome, eram uma das colegas da minha mãe, elas faziam parte de uma espécie de sociedade das rosas, qualquer coisa assim, e a sua mãe possuía uma espécie de rosa vermelha que minha mãe queria muito, mas acabou falecendo sem consegui-la, aproveitei a oportunidade do emprego para buscar essa rosa, mas dai fiquei sabendo do falecimento da dona   ngela, olha, estou surpresa, eu nunca que imaginava que ela era a sua mãe.
 - Que história interessante, mas me diga uma coisa; como sua mãe cultivou essas rosas? Na verdade eu não sei muito sobre elas, sei apenas que são de uma espécie turca, ou algo assim.
 - Pois bem, procurar por informações sobre a dona  ngela, onde morava, se tinha filhos, para pedir a tal rosa vermelha, e faria isso hoje mesmo depois do trabalho, e veja só, você veio a mim, justamente atrás de uma rosa. Você quer mesmo saber um pouco da história dessa rosa? 
 - Se não for incomodar, quero sim.
 - Vou te contar então, se não estiver com pressa.
 - Imagine, tenho todo o tempo do mundo.
 - Que bom, como eu estava dizendo, as rosas turcas Halfeti são extremamente raras Giovanni. Elas são cuidadas e manuseadas como rosas normais, mas têm o enorme diferencial da cor. Estas rosas são tão negras que a gente acha que foram pintadas com tinta spray. Mas isso é, na verdade, sua cor natural. Estas rosas negras deslumbrantes seriam excelentes adereços em filmes góticos. Sem sombra de dúvidas, há algo extremamente atraente nelas. Embora pareçam perfeitamente negras, elas têm na realidade uma coloração carmesim muito profunda. Ademais, são sazonais: só florescem durante o verão em pequeno número, e só na pequena aldeia turca de Halfeti. Graças às condições de solo únicas da região e os níveis de pH da água subterrânea (que se infiltra desde o rio Eufrates), as rosas assumem um tom único. Florescem na cor vermelha escura durante a primavera e praticamente negras durante os meses de verão. Os turcos parecem desfrutar de uma relação de amor e ódio com estas flores raras. Eles consideram estas flores como um símbolos de mistério, esperança e paixão, mas também de morte e de má notícia. Infelizmente, as rosas negras de Halfeti são uma espécie sob ameaça de extinção desde que os moradores da vila se mudaram do "velho Halfeti", na década de 1990, quando a barragem Birecik Dam foi construída. O antigo vilarejo de Halfeti e vários outros povoados foram submersos sob as águas do Eufrates, quando a barragem foi feita. A nova aldeia de Halfeti foi reconstruída com base na aldeia Karaotlak, apenas 10 quilômetros da sua antiga localização. Esta curta distância provou ser fatal para as belas rosas negras. Os aldeões replantaram as belas flores em seus novos jardins, mas elas não se ambientaram muito bem e houve um declínio considerável no número de rosas negras cultivadas na região. Os funcionários da Secretaria de Cultura do distrito fizeram esforços na busca de salvar as rosas, coletando mudas das casas da aldeia e replantando-as mais perto de seu entorno originais, com o auxílio de estufas. A produção se recuperou desde então. Ver uma rosa negra em plena floração é uma dessas coisas que poucas pessoas terão a chance e a sorte de ver na vida. 
 - Estou impressionado, maravilhado na verdade.
 - Minha mãe é descendente de turcos, daquela região, é uma tradição que vem sendo passada de família, cultivar essas rosas é uma arte.
 - Se não for inconveniente, você aceitaria jantar com esse simples vendedor de rosas esta noite, podemos trocar algumas palavras entre uma rosa e outra, entre uma pétala e outra. Se não for incomodar é claro.
 - Claro, aceito sim.
 - Combinado então, hoje a noite, às oito, pode ser?
 - Pode sim, vou te esperar aqui em frente, na praça, estarei ao lado do jardim.
 - Combinado, então, o local será surpresa.
 Nos despedimos com um abraço apertado, senti pela primeira vez o calor daquele corpo no meu, os seios fartos me comprimindo, beijei-lhe a face, a pele perfumada, o meu desejo era de descer ao pescoço e descansar nele meu lábios famintos, mas me contive, eu nunca havia me sentido daquela forma diante de uma mulher, eu sempre fui controlado, mas diante dela, tudo saiu do controle. Fui para casa, ansioso para que chegasse a hora do jantar, a noite prometia, assim como eu, percebi que a Isabella também sentia-se atraída por mim.


 Veio noite abraçar o dia, a lua cheia desfilava no céu, final de primavera, e as noites se fazem mais quentes, mais vivas, e aquela em questão estava igualmente quente. O luar iluminava a imensidão celeste, algumas poucas e dispersas nuvens figuravam no céu ocultando algumas estrelas - deixei tudo preparado em minha casa - fui ao encontro de Isabella no local marcado. Tudo correspondia para uma agradável noite, de um belo jantar.  O cupido me flechou, não só com a flecha do amor, flechou-me também, por engano, ou por pura vontade quem sabe, com a flecha de desejos proibidos. 
 Quando finalmente Isabella apareceu no local marcado, o céu iluminou-se com o brilho daqueles olhos, trocamos algumas palavras, caminhamos um pouco, depois a convidei para vir à minha casa, pois havia lhe preparado uma surpresa. Isabella aceitou. A minha casa ficava próxima, caminhamos um pouco mais, conversamos, rimos, trocamos olhares de desejo, olhares que falam sem ter palavras.
 O jantar, bom… O jantar foi magnífico, preparei-o com muito requinte, pétalas de rosas, jantar a luz de velas, Isabella encantou-se, enamorou-se por cada detalhe, música suave ao fundo. Quando nos demos conta, antes mesmo de terminar o jantar, os nossos lábios dançavam amorosamente, os nossos corpos eram como brasas avermelhadas na fogueira. Delicadamente, desatar-lhe as finas peças que prendiam o vestido, uma a uma deitei ao chão as vestes mais íntimas, o seu corpo nu, os seios fartos, a pele com aroma de rosas, a sua intimidade, tão delicada, refletindo todo o meu desejo, aos poucos ela rendeu-se ao sabor dos meus beijos, suguei-lhe a seiva do amor, entre gemidos e urros, Isabella pedia mais, agarrou-me pelos cabelos pressionando-me entre as suas pernas. Até que senti a doçura do seu néctar entre meus lábios. Ela proporcionou-me igual prazer, devorando-me com seus carnudos lábios, sedentos lábios que buscavam a firmeza do meu amor. No balé da paixão, em movimentos suaves, rápidos, suaves, rápidos, repetidos. No balé de sensualidades, em múltiplas posições, sentindo em mim a sua seiva lubrificante. Ela pedia mais, com mais força, mais fundo, dançando por cima. Nossos corpos estavam suados, querendo mais, até que o meu líquido derramou-se, e o dela também se derramou em mim. Embebidos do amor, enlouquecidos de paixão, assim como ela também desejava muito mais do que uma única noite. Repetimos tudo novamente, duas, três, vários momentos. O amor não tem limites, tão pouco conhece fronteiras.

 No dia seguinte, lá estava aquele simples vendedor de rosas… Na porta da escola deixei minhas rosas, sem bilhetes, porém, quando as recebeu soube do que se tratava, nada disse, apenas sorriu.



quarta-feira, 26 de junho de 2019

CONTO 2.


DESEJOS OCULTOS.

Amanheceu,
Aos poucos a tênue luz do sol ganhou o céu, e os seus primeiros raios despontaram no alto da montanha, era final de novembro, as poucas nuvens que guardavam a colina dissiparam-se repentinamente e o azul celeste apontava o início de um novo dia.
Beatriz acordara cedo, sentiu o aroma do café invadir o seu quarto, os raios do sol o iluminava timidamente pelas frestas da janela, enquanto na cozinha, a prima Lúcia terminava de ajeitar a mesa do café. Cozinheira habilidosa, ela havia preparado um delicioso bolo, o preferido de Beatriz, bem como frutas, sucos entre outras delícias.
Era a primeira férias das duas primas no chalé da família. Beatriz era médica, trabalhava na capital, depois de anos de intermináveis plantões conseguiu finalmente as férias de seus sonhos, 'isolar-se do mundo moderno'. Para não ficar totalmente solitária, Beatriz convidou a prima Lúcia, que depois de certa insistência de Beatriz aceitou passar alguns dias no chalé.
As duas cresceram juntas, e desde a infância sempre confidenciaram segredos uma a outra.
Lúcia tinha a mesma idade da prima, de olhos verdes, cabelos longos e negros, corpo perfeito, estatura mediana, praticava esportes com frequência, o que lhe proporcionou um corpo de curvas invejáveis.
Beatriz, aos trinta anos conseguiu o sucesso profissional tão desejado, porém, a vida amorosa era um desastre, fugia de qualquer compromisso sério. Beatriz também desfilava beleza, olhos negros, cabelos curtos, seios fartos, corpo perfeito. Havia no entanto, certos desejos que Beatriz escondia até mesmo da prima. A admiração dela por Lúcia cresceu nos últimos anos, ao ponto de perceber que aquele sentimento ia muito além da amizade, que aos poucos transformava-se em um desejo puramente sexual. Beatriz nunca teve relações sexuais com outras mulheres, entretanto, a ideia de experimentar novos campos a dominava, em especial quando na presença de Lúcia. A prima trazia-lhe excitação, desejos, sonhos, que aos poucos ficavam cada vez mais descontrolados.
A ideia do chalé, a propósito, foi a forma que Beatriz encontrou de pôr em prática o seu ousado plano de conquistar Lúcia, que por sua vez, acabava de sair de um complicado relacionamento, a moça havia sido traída pelo namorado com a melhor amiga, a dor, a decepção amorosa, tudo contribuiu para que Lúcia aceitasse o convite de Beatriz, que, naquele momento percebeu na angústia da prima a oportunidade de conquistá-la.
Beatriz foi direto para a cozinha, Lúcia terminava de arrumar a mesa.
- Bom dia bela adormecida. Dormiu bem?
Disse Lúcia muitíssimo animada.
- Bom dia Lu, e como… Fazia tanto tempo que eu não tinha uma noite decente de sono, me sinto renovada.
- Agora entendo o motivo que a fez escolher esse lugar.
- Esse é o melhor lugar para estarmos, só nós duas e mais ninguém.
- Outra companhia não seria ruim, mas, devido às circunstâncias…
- Esqueça isso Lu, vamos aproveitar.
Assim como Beatriz, Lúcia estava de pijama, o de Lúcia era vermelho claro, curto, tecido fino, quase transparente, ela não usava as peças íntimas, de modo que era possível vislumbrar parte de seus seios. Os olhos de Beatriz prenderam-se no corpo escondido no prima, na mesma hora sentiu um fogo lhe queimar por dentro, os olhos brilhavam, o desejo insano de possuí-la à atormentava, o tesão era tamanho que no mesmo instante sentiu a sua intimidade latejar. As maçãs do seu rosto estavam avermelhadas, ela não conseguiu prestar atenção no que Lúcia dizia, o olhar perdia-se no corpo da prima, que, Lúcia por sua vez, não demorou muito para perceber qualquer coisa de diferente em Beatriz.
- Tudo bem contigo Bete? Você está… Estranha… Tem certeza que dormiu bem?
- Sim!- respondeu Beatriz tentando disfarçar - claro, está… Está tudo bem.
- Parece distante.
- Não é nada amiga, talvez seja resquícios do cansaço e daqueles plantões intermináveis.
- Não parece amiga, mas… Tudo bem, agora acorda e vamos tomar nosso café, depois vamos para a piscina, o dia está propício para um banho de piscina, bronzear o corpo, e principalmente, descansar a alma, mente, e o coração, o que você acha da ideia?.
- Com certeza ótima - respondeu Beatriz animada com as possibilidades daquele momento - quero muito bronzear meu corpo.
- Eu também.
Embora o desejo de Lúcia realmente fosse a piscina, o de Beatriz foi muito além de um simples banho, tudo parecia contribuir para que ela conseguisse realizar os seus desejos mais insanos e devassos. Beatriz colocou um biquíni minúsculo que não tampava quase nada, Lúcia já estava à beira da piscina quando a prima apareceu, Lúcia ficou surpresa ao vê-la quase nua.
- Mulher! Que isso?
- Quero aproveitar 'meu bem', estamos isoladas nesse paraíso, quero ter liberdade, total, livre como um passarinho.
- Passarinho estranho esse.
Beatriz então arrancou minúsculo biquíni ficando completamente nua, o corpo desfilava curvas majestosas, sua parte intima devidamente depilada, o sol iluminando aquele corpo escultural. Lúcia arregalou os olhos assustada com a atitude de Beatriz.
-  Mulher! Você bebeu é? Que isso…
- Não sou de ingerir bebidas meu bem, e o que tem demais mostrar esse corpinho delicioso… Se eu fosse você tiraria tudo também.
- Ah, sei não… sei não se eu tenho…
- Para de besteira Lu, sempre tomamos banho juntas, não tem nada aí que eu já não tenha visto, vamos, tirar tudo, mostra esse seu corpão maravilhoso… Vai logo mulher.
- Éramos crianças né Bete, é diferente…
- Pare com isso Lu, tira logo tudo, vamos sua medrosa, não vai aparecer ninguém aqui, e depois poderemos bronzear o corpo inteiro.
Relutante, Lúcia despiu-se lentamente, o seu corpo revelava curvas perfeitas, Beatriz não conseguia tirar os olhos da prima, seios simétricos, perfeitos, intimidade também raspada, o que só fez aumentar o tesão de Beatriz, que, aquela altura, já estava toda úmida, a vontade era agarrar a prima, de beijá-la inteira, mas era preciso paciência, cautela. Beatriz percebeu que o ambiente começava a ficar propício aos seus desejos.
À beira da piscina, ao sol escaldante, debruçada de costas, Beatriz pediu para que Lúcia passe protetor solar em suas costas, 'em toda ela', dizia, incluindo o bumbum, Lúcia achou desnecessário tudo aquilo, fez a vontade de Beatriz.
Suas delicadas e pequenas mãos lentamente deslizaram pelo corpo de Beatriz, com suavidade em movimentos circulares e com delicadeza, começando no pescoço, descendo lentamente, massageando cada parte, Lúcia começou a perceber o quão belo e perfeito era o corpo da prima, que por sua vez, aos toques de Lúcia, sentia a sua intimidade pulsar, principalmente quando Lúcia tocava na perfeita simetria do seu bumbum e na parte interna das coxas. Lúcia também começou a sentir algo estranho, percebeu que a prima estava extremamente excitada, a princípio não disse nada, logo Lúcia notou todo o tesão de Beatriz, que, naquele momento, gemia baixinho aos toques delicados e precisos da prima, Lúcia pensou em parar, mas alguma coisa a fez continuar, ela também parecia estar gostando.
- Pronto - disse Beatriz levantando-se bruscamente, Lúcia assustou-se - deite-se agora menina, - disse Beatriz - minha vez de passar protetor em você, ou vai querer ficar vermelha como pimentão?
Dessa vez Lúcia não protestou, sem nenhuma relutância deitou-se na mesma posição em que Beatriz estava, enquanto a prima começava a massageá-la com o protetor. Às mãos macias da doutora indo de alto abaixo de seu corpo, Lúcia aos poucos, por mais que tentasse relutar aos seus desejos, ia se entregando aos toques precisos daquelas delicadas e habilidosas mãos. Não demorou para sentir sua intimidade úmida, que àquela altura também latejava. Lúcia nunca havia sentido nada parecido, era um estranho sentimento misturado à um prazer intenso nunca sentido, mas era bom, extremamente bom, lentamente Lúcia entregava-se aos desejos que a envolvia. De repente, em um gesto ousado e sem pensar, as mãos de Beatriz tocou-lhe na intimidade suavemente, massageando lentamente o clitóris, tão logo Beatriz esperou uma repreensão de Lúcia quanto ao gesto, porém, veio a surpresa, a prima estava gostando, e, abrindo um pouco mais as pernas inclinando levemente o bumbum, a intimidade de Lúcia latejava, estava ainda mais úmida, vermelho intenso, ela também gemia de prazer, mordia os lábios, enquanto Beatriz, percebendo o desejo recíproco que as envolvia continuou o procedimento com mais intensidade. Lúcia virou-se, olhou Beatriz fixamente - a prima esperou a repreensão - e sem nada dizer, agarrou-a beijando-lhe os lábios de modo agressivo, selvagem, seios com seios, língua com língua, ora nos mamilos e pescoço, eram beijos cheios de desejos reprimidos, molhados, e na dança dos lábios, na língua com língua, não houve palavras de nenhuma parte, apenas a entrega de uma a outra, gemidos, prazer intenso.
Lúcia deitou-se novamente, dessa vez de frente para Beatriz, abriu as pernas, a intimidade vermelha incandescente, a indecência da paixão queimava-lhe nos olhos, Beatriz tocava-lhe novamente, ora com os dedos massageando-a, ora com dois dedos sendo introduzida, ora com os lábios sugando as coxas, os seios, tudo latejando de um prazer ensandecido. Ela pedindo mais, enquanto Lúcia gemia alto, contorcendo-se de prazer. Até que chegou ao seu ápice, uma, duas, várias vezes.
O mesmo procedimento foi repetido por Lúcia em Beatriz, massageando-lhe o corpo interior com seus lábios, era a primeira vez que a prima fazia àquilo, Lúcia copiou tudo quando Beatriz fez, que por sua vez, também gemia de prazer. Quando os lábios de Lúcia tocou-lhe mais embaixo, sentiu o seu corpo estremecer igualmente ao da prima, Lúcia introduziu-lhe os dedos, às vezes a manobra fazia-se com a língua, com uma ferocidade animal, como uma fera enlouquecida sobre a  presa. Beatriz também atingiu o ápice do prazer várias vezes, gemeu. Não houve palavras, apenas os gestos tomando lugar das palavras, beijos descontrolados, gemidos, urros, era somente a entrega de uma para outra.
Somente depois que Beatriz veio a perceber que a prima também nutria iguais desejos aos dela, contudo, por anos tentou esconder e reprimir seus desejos de si mesma, mas agora, a fera estava à solta, e Beatriz, de caçadora se tornou a caça, sendo devorada por lábios tão selvagens quanto os seus.







MOSAICO DE SENTIMENTOS NUS.

           As janelas do castelo estavam abertas, escancaradas ao público de modo que era possível ver dentro do reino.      Nos recônditos ...